Sempre achei que "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, fosse um fabuloso tratado poético e filosófico sobre o quão simples é a vida, para perdermos tempo com vaidades ou coisas fúteis do mundo adulto.
Achei que fosse uma fábula sobre a amizade, o amor e o medo de perder as coisas mais importantes e simples do que somos feitos. Mas descobri que é na verdade, se trata de uma história sobre a solidão na qual todos estamos mergulhados, cada qual em seu próprio asteroide de egoísmo.
Essa semana vi um bar de "beiço de estrada", (Rodovia PB-057, Mamanguape/Guarabira), uma casa de luz vermelha na boca de noite e um letreiro reluzente com a seguinte frase: "Clube de Adultos". Na minha época de "pequeno príncipe", esses locais eram chamados de "Cabaré, Puteiro, ou Bordel". Como as coisas mudaram, depois dos celulares, automóveis acessíveis e dos motéis, também à beira de rodagens.
Os críticos literários afirmam que o "Pequeno Príncipe" é um livro com a capa infantil para reflexões da vida adulta. O "Clube de Adultos", me parece uma viagem de adultos pelo deserto da solidão, em busca de aventuras passageiras.
No "Pequeno Príncipe" temos uma rosa, uma raposa, um menino, um aviador e papos estranhos como desenhar um coelho em meio a uma tragédia, um desastre aéreo. Ainda rola um papo de astronauta e asteróide. Pelo menos não nos leva a imaginar que existissem personagens chapados, na areia do deserto, apanhando um táxi para a estação lunar.
No Clube dos adultos, uma vitrola toca músicas de amor e pegação, algo como a "raposa e as uvas", de Reginaldo Rossi, enquanto os lábios das "damas da noite", se enchem de batom vermelho carmim. Homens e mulheres em um clube proibido para menores de 18 anos, pelo menos é o que diz a placa iluminada em luz neon.
Nesse clube para adultos, talvez não caiba o sentimento de amor e amizade verdadeiros, apelos de "O Pequeno Príncipe", mas, em um jarro no centro da mesa, uma rosa vermelha e de plástico, não esconde a sua vaidade, como se estivesse em seu asteroide B-612.
Ali predomina uma sensação de abafado e de calor, enquanto bebidas quentes como cachaça, drear, montilla e whisky barato, aquecem o coração frio dos homens sedentos por sexo e as raparigas secas por dinheiro para bancar as suas vidas e o dono do Clube. No mundo proibido dos adultos, o essencial não é invisível aos olhos.
Meu irmão! Que viagem é essa? Tu fumou maconha estragada? Risos, tive que responder que é a mesma viagem que alguns especuladores do suposto cometa interestelar 3I/Atlas, estão fazendo. A teoria da conspiração e da ficção é a mesma e imaginativa fábula dos bordéis, papai Noel, principes encantados e "carona calda de cometa pela via láctea".
*Por Belarmino Mariano. In Anacrônicas. Imagens das redes sociais.
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