quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Parece um Deus, mais como os Deuses, o Tempo não Existe.


Por Belarmino Mariano*

Aqui, diante de vazios paradoxais, enigmas filosóficos puros e mente primitiva, começo com um mantra oriental do budismo tibetano: "O que existe onde nada existe"?

O tempo nunca foi uma ciência exata, é apenas uma ilusão circunstancial de observação dos fenômenos cíclicos e repetitivos.

O tempo é uma ideia de longa repetição duradoura que se fragmenta em diferentes razões de coisas que não existem de fato.

Primeiro, começamos a observar a sequência de dias e de noites. De claro e de escuro, luz e sombras, em pingos distantes de luz que se movimentam ou estão parados. As aparências fascinantes dos fluxos e dos fixos.

Da Terra para o céu solar e do céu para a lua e outros pingos de luz, organizamos nossos mapas mentais de distâncias e de lonjuras. Assim, começamos a observar os outros animais e seus ciclos ou rotas migratórias. 

Ganhamos distâncias e sempre perguntamos, o que existe depois daquela montanha, depois daquele rio, depois daquele deserto, depois daquela floresta, do outro lado daquele mar ou oceano? 

Esse pergunta repetida milhões de vezes, geração após geração, vive latente em tidas as mentes. Como se fizesse parte do nosso consciente coletivo. Nos labirintos das nossas ideias e fluxos de pensamentos criamos uma incrível máquina que idealiza o tempo como se de fato existisse.

Imagine que ao voltarmos para a observação da noite, para a escuridão de onde estávamos, quando passamos a controlar o fogo, controlando a escuridão existencial, diminuindo a sensação do frio e aplacando o medo e os traumas das feras carnívoras. 

Imagino as noites calmas e ballet perfeito da lua, um farolete celestial, sempre nos guiando, enquanto ela é repartida em pedaços crescentes e decrescentes. Aí uma matemática primitiva da repartição da ideia de tempo. E na lua nova, a ausência de luz, enquanto o céu maior, se pintava de missangas brilhosas.

Quem controla tudo isso? Como faz e o que estamos fazendo aqui, enquanto observamos esses acontecimentos. Do medo de tudo, para o fascinante, complexo e inexplicável. Mesmo morrendo de medo de quase tudo, nos aventuramos em pensar e em dizer, bem como anotar. Então criamos nossa maior e primitiva ideia de tempo.

*Por Belarmino Mariano. Imagem do autor. Itaquatiara de Ingá/PB.

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