domingo, 17 de dezembro de 2023

Conversas de Amadores

Em conversa com Belchior ele dizia, "não me sigam, pois eu também estou perdido". Estávamos em Cabedelo, pôr do sol do Jacaré, quando ele me disse, Belo Mariano, os jardins se bifurcam e os labirintos pegam fogo.
Respondi que gosto dessa ideia de bifurcação, estando perdido, nos permitimos des(encontros) e às vezes, nas rotas da solidão encontramos pedras no caminho, paramos e sentamos pra conversar.
Sheila então disse, Hermínia entra em ação no lobo da estepe e convida para dançar e fumar ópio. Uma porta se abre para um outro tempo espaço urbano.
Fico a pensar, assustadoras são as paredes invisíveis do caos, tecidas de matéria escura, são vazias apenas para o olhar tridimensional, assim não vejo nada, mas espreito como um lobo assustado que se perdeu da matilha em plena escuridão de uma nevasca noturna. 
Lhe pergunto, você consegue observar lampejos de luz sendo engolidos pelo caos?
Imagem das redes.

A Nudez do Sagrado [a][d][eus]

Escritos de um amador que ama a dor
de corpos partidos
corpos de cidades em
cada ponto de partida
 
[d]eus
metal e carne em corpos que experimentam
a dor e o prazer de um ter ausente
desejo de carne pedra e prazer
 
[d]eus
nudez ateniense, democracia
erótica que se despe)(pede
carne metálica, corpo de bronze,
pele oxidada e nua.
parasitas, filósofos e pedintes
 
[d]eus
crianças cósmicas que admitem
o caos ao acaso e em todo caso,
brincam com bolas de cristais multicoloridas
pelo escuro incolor do uni verso.
Brincam de esconde-esconde
em seus buracos negros
nas vias lácteas de queijos suíços
para desafiarem [s]eus próprios medos.
 
[d]eus
não guardam segredos em serem
[s]eus próprios eus e brincam de
cabra-cega para se tornarem
videntes com olhos e dentes
que sangram [s]eus próprios ventres
que nascem de mentes brilhantes
em escuras cavernas cranianas
de loucos alucinados e lunáticos.
 
[d]eus
tua boca, céu, atmosfera nua,
aeronave carnívora
num pára-quedas abismático
de tua língua úmida.
ácido básico, desejo língua úmida,
salto para quedas
em asas deltas
na tua boca
céu atmosfera nua.
 
[d]eus
paixão mágica de mulher,
respiração na tua boca cósmica
para respirarmos
boca a boca
nesse amor de fogo
 
[d]eus
dignidade digital em códigos de barras
de tua identidade sem digital
nem código de barra.
 
[d]eus
na íris dos teus olhos
um arco-íris a me flechar
com a íris do olhar.
flechas envenenadas
de amor em tua bunda
carimbada com essa
marca multinacional de jans.
 
[d]eus
na couraça de uma fêmea,
a memória curta de um tempo
longo de lembranças
do território da morte
lençóis estendidos
no varal do universo nu
 
[d]eus
esse amor clandestino
se faz em teus lábios tingidos
com sons e murmúrios cósmicos
escritos pelo grafite dos teus olhos,
as cores incolores da utopia.
 
[d]eus
a biografia do teu perfume
altera meus sentidos e me enfeitiça. te sinto essência crua
em minha pele nua.
teu cheiro escreve
em minha pele poemas
com as tintas incolores
dos odores, grafites
da alegria em te amar.
 
[d]eus
mulher em corpo e alma,
sua nudez utópica,
tecido de pele
em minha poesia nua.
 
[d]eus
na ires dos teus olhos um arco,
um piscar de flechas faiscantes.
em teu sorriso uma festa
a me enfestar com
as flechas do olhar.

Poética de Belarmino Mariano.
Fonte: essencialismo.blog.sapi.pt/
Link completo nos comentários.
Imagem: redes sociais.

Para Onde Foi Todo o Tempo?


Deslizou lentamente entre meus dedos, um festival de cores, uma alegria para transbordar uma  loucura atrás da outra. 
Machucado e arranhão, nem sempre físicos, os ritmos e ritos de passagem pelos pensamentos, sentimentos e desejos.
Nem tudo é razão, emoção e vontade nessa mesma ordem, pois a racionalidade se atreveu a criar o tempo como fórmula divina e para além da mecânica.
O tempo fere e ele mesmo cura, o tempo nos faz enjoar das coisas ou querer sempre o mesmo. 
O tempo adora o ócio criativo e carregou Domenico Demasi para sempre. 
Como um artigo de luxo, o tempo vale ouro, diamantes ou outras pedras preciosas. Mas o tempo capital não garante eternidade para ninguém. 
Se o rico compra seu tempo, paga caro por nada e apenas aprisiona e escraviza o que deveria ser tempo livre. 
A nossa existência passa pelo existir de fato, mas não existem medidas e nem quantidades de tempos, perdidos ou vividos, pois não sabemos o que resta dessa medida insana.
O tempo adora espetáculos e brinca de cabra cega o tempo todo. São explosões de luzes em fogos de artifícios em plena escuridão.
O tempo é um ilusionista e a grande ilusão é a sua inexistência,  a sua vida é a cegueira do que passar pelo tatear na escuridão, do tocar ligeiro e de tudo o que existe na imensidão do nada.

Por Belarmino Mariano, imagem das redes.

Fragmentos do Ser


Nem tudo que sou é pensamento, nem tudo é razão. Sentimentos, emoções, desejos, vontades, necessidades.
Enquanto não me descubro,  me desfaço, me despedaçado do que acho ser.
Tomo uma caneca de café imaginário e os enigmas da cafeína se transformam em pensamentos suaves, uma sensação de alegria me toca a alma e sinto as pontas dos teus dedos tocando a minha pele nua.
Desejo mais e mais, em um frenesi de emoções, que se misturam com a vontade de te querer.
Mas é tudo pensamento em uma sensação mental, de um pensar estimulado, pois sei das distâncias que nos separam e do abismo que é te encontrar.
Lamentável, esse despertador, esse acordar com vontade de te querer e essa sensação de ter vivido tudo o que a mente projetou em sonho.
Nas fendas e brechas do meu pensamento, mergulho fundo em querer te encontrar, mas o que vejo é uma penumbra, um cintilar de desejos que projeto em minhas entranhas mentais.
Por Belarmino Mariano, imagem das redes.

"Deus está morto!" (Nietzsche).

Ciência, Razão e Pensamento Crítico, muitos acreditam que esses são os responsáveis pela morte de Deus.
Será? Acredito que só pode morrer o que tem vida. 
Logo, Deus é apenas uma invenção humana que existe enquanto essência do pensamento.
Quem mata Deus são as religiões que se utilizam mal dessa essência filosófica dos seres humanos.
O que gosto da Filosofia budista é o fato de que, nem admitem a existência de Deus. 
Ao pregar Deus como algo utilitário e a serviço de vontades e desejos humanos, Deus perde o sentido de existir.
Ao pregar um Deus rancoroso e castigador que escraviza os fiéis a segui-lo cegamente, afastam multidões da suposta existência de Deus.
A quantidade de invenções de Deuses é tão grande que a humanidade e sua longa linhagem já criou e já distribui milhões de deuses.
Por Belarmino Mariano. Imagem das redes.

Contando Planetas

Planetas podem ser sinônimo de vida e por isso, existem muitas dúvidas, sobre quantos planetas podem existir no universo.
A teoria de Popinchalk alega que pode existir um planeta para cada estrela. Um cálculo aceito pela astronomia moderna, aponta que na Via Láctea possa existir 100 milhões de estrelas.
Nessa primeira conta teríamos 100 milhões de planetas. Considerando que o Sol, uma estrela de 5∆ grandeza, localizada no Braço de Orión, contém 08 planetas, essa média, daria 800 milhões de planetas, só na via láctea.
Ainda de acordo com a teoria de Popinchalk, existem bilhões de galáxias, inclusive, muito maiores e mais complexas que a via láctea. Nesse caso, considerada apenas a hipótese de um planeta para cada estrela, chegaríamos a bilhões de planetas.
Agora vamos para o elemento água. Se voltarmos no tempo, encontraremos Tales de Mileto (cerca de 625 a.C. – 558 a.C.). Ele disse que a "água é a essência da vida", ou que tudo começa com a água.
Na atualidade, a astronomia já comprova que a água é abundante em todos os recantos do universo, considerando que água é na verdade, uma combinação dos gases hidrogênio e oxigênio, existindo condições ambientais adequadas, existirá água, seja em estado gasoso, líquido, sólido e tunelamento (quarto estado físico da água).
Se água pode ser abundante em varias regiões do universo, porque 
ainda tem gente que não acredita em vida fora da Terra?
Por Belarmino Mariano, imagem das redes sociais.

Brincado Com o Sagrado

Dizem os mais velhos que o diabo detesta a cor amarela. Detesta também as crianças, a música, o sorriso e a alegria.
Então vamos dosar nossa vida de sorrisos, música, alegria e muito amarelo. 
Um mundo amarelinho de pétalas de flores, certamente afugenta o tinhoso para bem longe e, acredito que não existe amarelo nos quintais do inferno.
Sabemos que a invenção do diabo é coisa do dualismo de religiões monoteístas, que afirmam existir um único Deus, mas na prática terminam cultuando o diabo em sua própria negação dicotómica.
Talvez daí se perceba que as pessoas adoram tanto o que é proibido, nem percebam que ao afirmar a existência do diabo, nem percebam as nuances do contraditório em suas ações e pensamentos.
Deus em textos sagrados do monoteísmo, sempre aparece como o lado bom da força, mas cria várias proibições, entre as quais, "não comerás do fruto da árvore da vida, que se encontra no centro do paraíso (Eden)".
Mas em outra passagem dos textos sagrados nos dar o livre arbítrio. Nos colocando diante de um paradoxo da gota serena, nos jogando para o dilema das escolhas certas ou erradas, boas ou ruins.
Parece até que o livre arbítrio foi a deixa para a ocasião fazer o ladrão. Nessa brecha entra o Diabo, se transformando em uma cobra que fala, como eu falo e vai conversar com Eva (a primeira mulher). E não se trata de fofoca de vizinhas, pois estamos diante da sabedoria e do conhecimento sendo revelados.
As mulheres são adoráveis, bom papo e um poder de convencimento fora do comum. Se ela chegar lhe oferecendo o fruto proibido da árvore sagrada da vida, que nem sempre é maçã, pois o pastor já me explicou que é uma maçã, era apenas metafórica.
Assim, fica complicado e deselegante não aceitar a gentileza. Nessa hora é preferível o livre árbitro, pois meus pais me ensinaram a não rejeitar alimentos, por se tratar de falta de educação.
Imagina o manjar dos deuses, sendo oferecido através de um bom papo!? Não sendo veneno e nem estando estragada, comida oferecida a gente come.
Quanto ao pecado original, parece que deram um jeitinho no texto, pois em outra passagem do livro sagrado diz que é vontade de Deus que a "gente cresça e se multiplque". Nesse caso só têm um jeito, comer do fruto, mesmo que seja proibido.
Adoro amarelo, minha cor favorita. Soube que na candomblé é a cor dos tecidos das saias de Oxum, orixá das águas doces e das cachoeiras. Que a Natureza seja preservada para que nunca falte o Amarelo no mundo da alegria.
Por Belarmino Mariano, imagem das redes.