sexta-feira, 5 de junho de 2026

A Geografia Cultural e da Percepção - "Os trabalhos e os dias de Prometeu acorrentado"

.  Por Belarmino Mariano*

 Acho que existem duas questões em jogo, a primeira é relacionada aos elementos apalavrados e a outra diz respeito ao uso das palavras, pois a palavra é possuidora de muitas forças forjadas nos recônditos de nossa mente, elas expressam pensamentos, expressam sentimentos e, expressam vontades. Este trivium é minha maneira de viver e ver o mundo do qual sou participante. Todas as palavras são de um potencial sacro fantástico. Elas são imantadas de significados e interesses tão divinos que podem ser encontradas no mitológico mundo de Hesíodo em “os trabalhos e os dias” e esclareço a escolha deste filosofo grego, pois nele encontramos o mito de “Prometeu e Pandora” que começa dizendo: “oculto retêm os deuses o vital para os homens; senão comodamente em um só dia trabalharias para teres por um ano, podendo em ócio ficar; acima da fumaça logo o leme alojarias; trabalhos de bois e incansáveis mulas se perderiam” (HESÍODO, 2006, p.23). A escolha do fragmento de idéias gregas, tão primitivas e civilizadas encosta nos nossos dias de trabalho e de ócio. Temos muitas alegorias como: a “Caixa de Pandora”, enviada por “Júpiter” para castigar todos os homens mortais de um lugar. Percebam que ainda não estou querendo chegar à idéia instituída como Caos, nem a perspectiva de Nix ou de Eire. Figuras “erradas” e “iradas” que vivem surfando nas ondas olímpicas de nossa tradição filosófica e mitológica. Até porque, gosto por demais do Caos, da Noite e da Discórdia, pois é da deusa da Discórdia que nos alimentamos com os trabalhos e os dias. Mas voltemos a Prometeu, pois lhe coube a dádiva de criação do homem, essa mistura de água, terra, ar e ocultos materiais divinos que lhes permitiram direcionar a face aos céus, se imaginando também um pouquinho deuses. Vejam que estamos pensando em coisas essenciais que poderiam ser aqui representadas como elementos da natureza. Mas parece que na lógica da discórdia e na separação dos materiais, “o olho e o cérebro” (MEYER, 2002), preferem o cérebro matéria, memória expressa em neurônios e percepção visual da terra, do lugar ou do peso do firmamento. Nesse momento, gostaria de invocar a mulher, pois “Pandora” parece ser o presente de grego, dádiva de Júpiter ao pobre Prometeu. Ela é um castigo de Júpiter e que atingirá de cheio a criação divina em forma de homem. Nem gostaria muito de colocar o irmão de Prometeu nessa parte da história que lhes conto, mas foi exatamente Epimeteu, quem recebeu Pandora enquanto um presente, do qual Prometeu suspeitava e desconfiava. Pandora trazia em sua caixa, muitos e irados problemas para os homens e estes problemas escaparam antes que Pandora houvesse fechado a sua caixa, restando apenas um cantinho de esperança no fundo das coisas. Vejam que estamos vivendo mais uma vez à sórdida história das tragédias humanas e colocadas enquanto antecipação de fatos e fantasias tão divinas e tão humanas, com os quais nos tornamos homens mortais. Assim, as coisas estão caminhando em nosso mundinho. O uso in-devido das palavras, fortalecem contradições e expõem as entranhas de tradicionais forças que vivem em subterrâneas camadas do nosso cérebro. Hoje estava me perguntando: Pensamento, memória e o consciente são mesmo de que matéria? Pelo que mesmo estamos lutando em nossos dias? Em que darão estas brigas de Titãs? É nesse sentido que invoco Hesíodo em “os trabalhos e os dias”, pois pelo que me consta, existem muito melindro e vaidade entre as divindades do olímpico mundinho de nossa existência. Por isso os homens e mulheres que não são deuses, mesmo tendo sido projetados com o mesmo material e designe das divindades, precisam trabalhar, mesmo que muitos prefiram o ócio e confusões divinas. Por outro lado, “O Prometeu acorrentado” acha que Pandora trás em sua caixa todos os tipos de males, uma narrativa em que o ódio, a inveja e tudo mais, recairão sobre o homem e seu lugar. Vejo que as nossas relações estão tão presas ao mito de Prometeu e Pandora que o mundo dos homens, a história, a tradição, parecem vinganças de Zeus contra um lugar humano, amaldiçoado para sempre. Gosto da idéia de ser uma mortal e de ver meus dias consumidos pela vida, pela imprevisibilidade, assim me sinto tão divino quanto às crianças que brincam despreocupas do amanhã, mas sei das minhas correntes e assumo a condição “prométeica” de ter que trabalhar os dias, de planejar meus sonhos e de fazer acontecer. Nesse sentido, todos os argumentos e sentimentos de pertencimento ao lugar possuem a mais fiel validade, todos os medos e atropelos na maneira de conduções das idéias são naturalmente aceitáveis por todos, mas a engrandecida e catastrófica idéia de que tudo vai acabar não ajudam na configuração das melhores argumentações para o presente. Claro que o cérebro, processa necessidade imediata, reação instintiva e o frio na espinha quando se é surpreendido pelo latido do cão nas pernas. Mas passado o susto, recomposto o estado da racionalidade pura, será possível dialogar com as três maiores e invisíveis forças da natureza: Cronos (o tempo), Cosmo (o espaço) Caos (aqui traduzido com a incerteza). Falo do tempo, pois ele é o grande Senhor que a todos consome. No nosso caso, o tempo urge e precisamos ter clareza disso em nossas ações, pois depois que a areia escorre pelo fino gargalo da ampulheta, pouco se tem a fazer. Acredito que nessa relação espaço-tempo, a “Intercomunicação dos Sentidos”, Sobre a incerteza, acredito demais nela, é o corpo teórico com o qual gosto de trabalhar. Defendo inclusive que a vida é imprevisível, que “só há um ponto fixo”, como afirma Kafka e que é daí que precisamos partir. Não acredito que o cérebro funcione apenas para transmitir e dividir o movimento das ondas neurais. Algo mais que motricidade e mecânica físico-química acontecem nesse órgão de seleção e ação. Meio que discordando de Bérgson citado por Meyer (2002), somos possuidores de memória pura antecedente e o que chamo de essência espiritual dos titãs. Assim justifico tão enfronhado texto de mitos, homens, mulheres e divindades. Por isso, somos homens e mulheres mortais e sem culpas, nesse caso, conscientes dos papeis por nós assumidos entre “os trabalhos e os dias”, temos um poder reconhecido enquanto “lembrança pura”, transformada em “lembrança-imagem” (MAYER, 2002, p.24), e o conhecimento que podemos utilizar servirão para como Hercules, libertamos prometeu das correntes, pois sua luta foi conquistar o fogo para os humanos e por tal façanha foi acorrentado. O lugar como um detalhe abre espaço-tempo para o uso da inteligência coletiva (LÉVY, 2000) e para a constituição de laços sociais e relações com o saber dos quais temos profundo censo de justiça, ética e mais uma vez inteligência coletiva. 

*Belarmino Mariano Neto. Prof. De Teoria da Geografia, UEPB.

REFERÊNCIAS HESÍODO. Os trabalhos e os dias. (Traduz. LAFER, M. C. N.). São Paulo: Iluminuras, 2006. 
LÉVY, Pierre. A Inteligência coletiva – por uma antropologia o ciberespaço. São Paulo: Edições Loyola, 2000. MEYER, Philippe. O olho e o cérebro – biofilosofia da percepção visual. São Paulo: Ed. Unesp, 2002. https://fenixdefogo.wordpress.com/tag/cronos-tita/ http://www.vanialima.blog.br/2013/04/a-caixa-de-pandora.html
https://essencialismo.blogs.sapo.pt/geografia-cultural-e-da-percepcao-os-7088

A Geografia Cultural em Tecidos Mitológicos

.  Por Belarmino Mariano*

 A palavra é possuidora de muitas forças forjadas nos recônditos de nossa mente, elas expressam pensamentos, expressam sentimentos e, expressam vontades. Este trivium é minha maneira de viver e ver o mundo do qual sou participante. Todas as palavras são de um potencial sacro fantástico. Elas são imantadas de significados e interesses tão divinos que podem ser encontradas no mitológico mundo de Hesíodo em “os trabalhos e os dias” e esclareço a escolha deste filosofo grego, pois nele encontramos o mito de “Prometeu e Pandora” que começa dizendo: “oculto retêm os deuses o vital para os homens; senão comodamente em um só dia trabalharias para teres por um ano, podendo em ócio ficar; acima da fumaça logo o leme alojarias; trabalhos de bois e incansáveis mulas se perderiam” (HESÍODO, 2006, p.23). A escolha do fragmento de idéias gregas, tão primitivas e civilizadas encosta nos nossos dias de trabalho e de ócio. Mas voltemos a Prometeu, pois lhe coube a dádiva de criação do homem, essa mistura de água, terra, ar e ocultos materiais divinos que lhes permitiram direcionar a face aos céus, se imaginando também um pouquinho deuses. Vejam que estamos pensando em coisas essenciais que poderiam ser aqui representadas como elementos da natureza. Mas parece que na lógica da discórdia e na separação dos materiais, “o olho e o cérebro” (MEYER, 2002), preferem o cérebro matéria, memória expressa em neurônios e percepção visual da terra, do lugar ou do peso do firmamento. Nesse momento, gostaria de invocar a mulher, pois “Pandora” parece ser o presente de grego, dádiva de Júpiter ao pobre Prometeu. Ela é um castigo de Júpiter e que atingirá de cheio a criação divina em forma de homem. Gostaria muito de colocar o irmão de Prometeu nessa parte da história que lhes conto, pois foi exatamente Epimeteu, quem recebeu Pandora enquanto um presente, do qual Prometeu suspeitava e desconfiava. Pandora trazia em sua caixa, muitos e irados problemas para os homens e estes problemas escaparam antes que Pandora houvesse fechado a sua caixa, restando apenas um cantinho de esperança no fundo das coisas. Vejam que estamos vivendo mais uma vez à sórdida história das tragédias humanas e colocadas enquanto antecipação de fatos e fantasias tão divinas e tão humanas, com os quais nos tornamos homens mortais. Assim, as coisas estão caminhando em nosso mundinho. O uso in-devido das palavras, fortalecem contradições e expõem as entranhas de tradicionais forças que vivem em subterrâneas camadas do nosso cérebro. Hoje estava me perguntando: Pensamento, memória e o consciente são mesmo de que matéria? Pelo que mesmo estamos lutando em nossos dias? Em que darão estas brigas de Titãs? É nesse sentido que invoco Hesíodo em “os trabalhos e os dias”, pois pelo que me consta, existem muito melindro e vaidade entre as divindades do olímpico. Por isso os homens e mulheres que não são deuses, mesmo tendo sido projetados com o mesmo material e designe das divindades, precisam trabalhar, mesmo que muitos prefiram o ócio e confusões divinas. Por outro lado, “O Prometeu acorrentado” acha que Pandora trás em sua caixa todos os tipos de males, uma narrativa em que o ódio, a inveja e tudo mais, recairão sobre o homem e seu lugar. Vejo que as nossas relações estão até certo ponto, presas ao mito de Prometeu e Pandora. Gosto da idéia de ser uma mortal e de ver meus dias consumidos pela vida, pela imprevisibilidade, assim me sinto tão divino quanto às crianças que brincam despreocupas do amanhã, mas sei das minhas correntes e assumo a condição “prométeica” de ter que trabalhar os dias, de planejar meus sonhos e de fazer acontecer. Claro que o cérebro, processa necessidade imediata, reação instintiva e o frio na espinha quando se é surpreendido pelo latido do cão nas pernas. Mas passado o susto, recomposto o estado da racionalidade pura, será possível dialogar com as três maiores e invisíveis forças da natureza: Cronos (o tempo), Cosmo (o espaço) Caos (aqui traduzido com a incerteza). Falo do tempo, pois ele é o grande senhor que a todos consome. No nosso caso, o tempo urge e precisamos ter clareza disso em nossas ações, pois depois que a areia escorre pelo fino gargalo da ampulheta, pouco se tem a fazer ou a espacializar de fato Sobre a incerteza, acredito demais nela, é o corpo teórico com o qual gosto de trabalhar. Defendo inclusive que a vida é imprevisível, que “só há um ponto fixo”, como afirma Kafka e que é daí que precisamos partir. Não acredito que o cérebro funcione apenas para transmitir e dividir o movimento das ondas neurais. Algo mais que motricidade e mecânica físico-química acontecem nesse órgão de seleção e ação. Meio que discordando de Bérgson citado por Meyer (2002), somos possuidores de memória pura antecedente e o que chamo de essência espiritual dos titãs. Assim justifico tão enfronhado texto de mitos, homens, mulheres e divindades. Por isso, somos homens e mulheres mortais e sem culpas, nesse caso, conscientes dos papeis por nós assumidos entre “os trabalhos e os dias”, temos um poder reconhecido enquanto “lembrança pura”, transformada em “lembrança-imagem” (MAYER, 2002, p.24), e o conhecimento que podemos utilizar servirão para como Hercules, libertamos prometeu das correntes, pois sua luta foi conquistar o fogo para os humanos e por tal façanha foi acorrentado. O lugar como um detalhe abre espaço-tempo para o uso da inteligência coletiva (LÉVY, 2000) e para a constituição de laços sociais e relações com o saber dos quais temos profundo censo de justiça, ética e mais uma vez inteligência coletiva. Esse é o espaço que precisamos geograficamente refletir. 

* Belarmino Mariano Neto. Prof. da UEPB.

 Referências: HESÍODO. Os trabalhos e os dias. (Traduz. LAFER, M. C. N.). São Paulo: Iluminuras, 2006. LÉVY, Pierre. A Inteligência coletiva – por uma antropologia o ciberespaço. São Paulo: Edições Loyola, 2000. MEYER, Philippe. O olho e o cérebro – biofilosofia da percepção visual. São Paulo: Ed. Unesp, 2002. às janeiro 20, 2011

A BIBLIOTECA DE TITÃ

.  Por Joana Belarmino*

Futucando as redes sociais e conversando com minha irmã Joana Belarmino, estava procurando um conto que ela escreveu por volta de 2008. Queria presentear minha filha, Brenda Mariano, pelo décimo oitavo ano de vida e em especial, pela sua escolha acadêmica em iniciar o Curso de FÍSICA pela UFCG. Sua escolha por "uma ciência dura", tanto a física teórica, quanto a experimental, a fisica astronomica, quântica, de materiais escuras e buracos negros ou quasares. Pensei, ela também merece navegar pela literatura de sua amada tia joaninha 🐞. Então finalmente encontrei "A Biblioteca de Titã". Espero que faça uma boa viagem de volta a Terra.
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"A Biblioteca de Titã"

Diário de bordo, ano 2237, mês 9.
O disco desliza suavemente, vencendo os confins do espaço interestelar, percorrendo com tranqüilidade as primeiras horas da minha viagem de volta à Terra. Escrevo esse diário ao modo dos meus antepassados longínquos, traçando as letras nesse fino e perfumado papel reciclado, deliciando-me com esse diálogo entre a mão e o cérebro, esse trabalho artesanal de construir os pensamentos em molduras de letras curvilíneas,esse trabalho surpreendente de pensar e dizer, tarefa tão pouco comum em nossa era maquínica. 

Há calma e silêncio por aqui. Mas o silêncio, nesta pequena nave executiva de porte doméstico, é pleno de ocupação. Enquanto estou aqui, confortavelmente sentada à minha mesinha de trabalho, diante de uma xícara de chá que o pequeno Rad me preparou,enquanto traço as linhas da minha última experiência nesse meu diário, uma turba de sensores invisíveis e infatigáveis rastreiam o acontecer da nave... digo, o acontecer na nave. Minuto a minuto, examinam o chá, medem as quantidades já bebidas, enviam em cópia para o cérebro central, as primeiras linhas escritas. 
Daqui a meia hora, quando o primeiro relatório pulsar, como um pequeno peixe trêmulo, no ponto de contato mais próximo da estação de comonicações geoespaciais, quando em segundos, o relatório for despachado para os outros pontos de contato, centenas de bilhões de pessoas saberão que, as 17/10 min de hoje, na nave Pandora, a pesquisadora de línguas galácticas Ana Falcão parou de escrever em seu diário reciclado para coçar o pé, com sua própria mão, dispensando os estímulos elétricos do seu sapato espacial. 
Teimo em escrever um diário pessoal, quando as normas pedem um relato objetivo e sucinto. Cada gole de chá toca sem molhar, uma quase angústia, uma senssação de não pertencimento a esse mundo de agora. Síndrome degenerativa do par de genes 2050, diz-me a genética. Tratamento indispensável ao retornar, diz-me a agenda do plano médico. Não pensar nisso. Voltar no tempo. Traçar a narrativa da minha experiência na estranha biblioteca de Titã. 

Diário de bordo, ano 2237, mês 2. 
A alegria que superexcitava meus neurônios, naquela manhã de fevereiro, devia estar a transbordar em cada um dos pontos de contato dos mais de quatrocentos bilhões de sóis conectados. 
Recebera a notícia de que o meu trabalho sobre o fracasso da língua unitária nos subplanetas do sistema solar me valera o prêmio Titã. Para terem uma idéia da importância do prêmio Titã, saibam que ele só é editado uma vez, a cada dez anos. Com a rubrica da Inteligentsia galáctica, o prêmio assegura ao vencedor, a posse de uma pequena nave executiva de porte doméstico, para uma viagem de três meses de visita à biblioteca Titã. 
Na volta, o premiado ganha a cátedra da disciplina de Exobiologia lingüística, das universidades reunidas do sistema solar, pólo da terra. Nada havia me preparado para a experiência surpreendente que foram aqueles três meses, na biblioteca que era, ao mesmo tempo, a menor do universo, e, entretanto, a mais rica de todas em conhecimento. 
Quando cessaram as perturbações próprias à aterrisagem, quando deixou de se ouvir o zumbido intenso do reator central, o pequeno Rad já estava pronto para o desembarque, com sua roupa inteligente bojuda dos seus apetrechos de cozinha e todos os equipamentos indispensáveis à nossa estada na biblioteca. Checou e equilibrou os pesos do meu traje, a fim de minimizar os efeitos da gravidade de Titã.
Experimentou sorrir-me, e, na sua voz quase infantil, modulada de acordo com minhas preferências, disse, “Bem vinda ao mundo cinzento de Titã, Ana. Já podemos desembarcar. E orientou-me para a entrada da pequena cápsula de transporte que a nave Pandora havia estendido para nós, de uma das suas laterais.
Tínhamos aterrisado na face norte de Titã, e os múltiplos olhos do pequeno Rad iam me transmitindo as primeiras informações, enquanto a cápsula de transportes conduzia-nos para rocha firme. “Chuva recente de metano. Temperatura ambiente, -94 graus.” 
 Outros instrumentos inteligentes também despegavam-se da nave pandora, trabalhando numa pista que nos permitisse entrar na biblioteca, único edifício existente naquele satélite, encravado no topo de uma colina, e até agora invisível, mesmo para os meus artefatos ópticos. Uma suspensão brusca de movimento indicou-nos que a cápsula tinha chegado ao fim da sua curta viagem. 
Acostumada às viagens galácticas, impressionou-me entretanto o rugido dos ventos solares, a fustigarem implacavelmente aqele pequeno mundo gelado. Hora de voltar à nave mãe, cápsula e instrumentos inteligentes atracados, fugindo do vento solar. Uma pista inclinava-se diante de nós, Rad na frente, eu a seguir o seu pequeno rastro luminescente. 
Não precisávamos fazer grande esforço. Uma força magnética impulsionava-nos para o topo, onde pude ver uma passagem circular, e, antes que formasse alguma impressão, fui tragada. A descida para dentro das entranhas de Titã não era de todo agradável. Eu e Rad ricocheteávamos entre paredes estreitas de gelo rochoso, descendo sempre. Já me perguntava quando aquilo acabaria, quando meu sapato espacial finalmente impactou com solo duro e plano. “bem vinda à biblioteca de Titã”, disse-me Rad, numa voz cristalina onde não havia qualquer traço de cansaço. 
Ajustei meus instrumentos ópticos e vi. Vi um edifício hexagonal minúsculo, que entretanto parecia reproduzir-se a si mesmo, minuto a minuto, como uma divisão multicelular pulsante, a crescer e encolher-se, aumentar e retornar ao seu tamanho inicial, pura dança a exibir as letras da sua arquitetura. 
Estava eu, diante da réplica da biblioteca de Babel, imaginada por Borges, e que agora me pertenceria, por três exatos meses do tempo cosmológico. A pequena porta abriu para nós, um mundo silencioso e antigo, com cheiro de livros. Um mundo quente e quieto, como se fora um ninho aconchegante a nos pedir desculpa pela hostilidade gelada e barulhenta do exterior de Titã.
Um mundo onde o tempo não existia senão, como um traçado permanente de linhas hexagonais que se afunilavam, se bifurcavam em pontos tênues de encontro, alastravam-se em picadas imprevisíveis, interrompidas aqui e além, sem nenhum aviso, para recomeço de outro oceano hexagonal de linhas.
Olhei à minha volta, auxiliada por uma luz calma a brilhar de pequenas esferas, pendentes do teto. Embora tudo ali transpirasse a livros, embora tresandasse ali, uma narrativa subterrânea de todas as escrituras do mundo, nada indicava que houvesse estantes, nem livros. 
As paredes, à primeira vista lisas, de um tom cinza claro, aos poucos ganhavam pequenas nervuras, que se estriavam em delicados matizes de cinza, irizavam-se em pequenas bolhas, como se aprontassem, por conta própria, uma estrutura à prova de som, semelhante a cascas de ovos. 
A meu lado, pareceu-me que o pequeno Rad exultava de uma alegria nova, a percutir em todas as suas engrenagens. “Vou lhe mostrar a biblioteca, venha”. Seguí-o intrigada pelo primeiro pavimento, ouvindo seu menu de explicações, na voz que ganhava em qualidade estereofônica naquele lugar estranho, feito de pequenez e de grandeza. 
“Já deve ter percebido que o designer da biblioteca é de inspiração Borgeana”, disse-me ele enquanto fitávamos o rebentar de mais uma pequena bolha, ao lado da escada que dava acesso ao segundo pavimento hexagonal. E prosseguiu enquanto subíamos a escada: “A teoria das cordas, em suas mais recentes descobertas, forneceu à biblioteca, a sua estrutura física”.
Lembrava-me vagamente das hipóteses fundamentais da teoria das cordas. O universo em dez dimensões, a teoria dos buracos de minhoca, dimensões de espaço encolhidas numa dimensão qualquer do tempo.
“Andaríamos por aqui ad infinitum”, disse-me ele com voz quase nostálgica. “entretanto nossa visita é datada, e assim urge que lhe explique o que são os nodos centrais da biblioteca”.
Paramos a meio do segundo pavimento, e materializou-se a meus pés, um pequeno círculo vermelho no chão. “Isto é um nodo central”, disse-me ele. Vasculhei a memória à procura de alguma materialidade para aquele conceito. Rad veio em meu socorro.
“Um nodo central é um ponto vazio, que entretanto comunica-se com a mente do mundo, e traz para cá todos os livros. Os que já foram escritos, os que nunca se concluíram, aqueles por escrever, os livros imaginados e sonhados”. 
Mirou o pequeno círculo com quase reverência e continuou: “Temos aqui a comprovação prática de uma teoria antiga, esboçada no século XX, pelo inventivo teórico David Bohn, que pressupôs a existência de uma mente no mundo, apta a conectar-se ou ser conectada por cada mente individual”. É por via dessa mente do mundo, que capturamos os livros, e todo o seu entorno”. 
A pergunta que inchava dentro de mim, ganhou corpo e ribombou para dentro do círculo vermelho, produzindo um eco fantasmagórico. “E onde estão os livros Rad? Onde estão os livros nesse buraco de minhoca?” O riso da máquina adquiriu um tom surprendentemente humano. Extraiu de um dos seus múltiplos enclaves, uma espécie de varinha mágica, uma caneta sem ponta, cor de madeira que me entregou.
 “Apresento-lhe a sua caneta quântica, forjada para um único fim, investigar a biblioteca de Titã e pronta a destruir-se minutos antes de ultrapassarmos a porta de saída. toque em qualquer uma dessas bolhas.” Fiz o gesto indicado. A bolha contactada como que tremeluziu, alargou-se e explodiu libertando um bicho. Sim, um bichinho escamado e pulsante, ínfima sílaba do universo hexagonal que a continha.
Toquei novamente no minúsculo ser e suas escamas abriram-se em frases brilhantes. Ajustei meus instrumentos ópticos e li “a Divina Comédia”. Sim, ali em escamas, a magistral obra da angústia do ser, em toda a sua plenitude. Toquei novamente no livro, e a obrazinha mostrou-me a enfiada dos homens e mulheres que a haviam lido ao longo dos tempos. Outro toque, e vi outras obras de enlace, ensaios críticos, artigos jornalísticos, enfim, tudo o que já se produzira acerca da narrativa de Dante Alighière. E de posse daquela caneta quântica, conheci assombrada os prodígios da biblioteca de Titã. 
Vi os livros inacabados, vi o capítulo da arte produzida pelos robôs, vi a cápsula das produções extra terrestres, vi os livros futuros, pulsando uma linguagem desconhecida, como aquela grafia que espantara Borges, escrita homogênea das letras “ M C V perversamente repetidas da primeira linha até à última.” 
Vi os livros, os antigos e os novos, antes de serem escritos, vi os livros escrevendo-se, a mão de cada escritor, no momento exato de traçar o ponto final. Os livros ali podiam estar vivos, atualizando-se, para depois fecharem-se em suas pequenas crostas, não ocupando senão um pequeno entalhe quase invisível na parede da biblioteca.
Os três meses vividos na biblioteca de Titã, foram para mim, meses de aprendizado, fascinação, medo e angústia. Desejei um mistério, um lugar escuro, um útero, uma regressão absoluta, e a crônica da minha angústia amanheceu em bolha marrom escura, num livro de crônicas do futuro.
Quis parar de pensar, e a biblioteca mostrou-me as múltiplas formas de morte, asssim como as páginas e páginas escritas num tempo infantil em que os homens forjaram a narrativa da vida eterna. Aspirei por um livro branco, sem qualquer letra escrita, e a biblioteca ofertou-me a quota do meu desejo, em páginas e páginas limpas e escorreitas, sem qualquer ranhura, páginas que o meu imaginário doente preenchia com sílabas indecifráveis forjadas pelos meus genes defeituosos.
Cerrei os olhos, ocultei-me para além dos escaninhos da memória, e mesmo ali, ainda havia uma híbrida narrativa animal do meu desespero. Volto para casa com a saliva íntima de todas as línguas vivas. Volto para casa com um entalhe novo na minha angústia velha, bolha marrom que vive e pulsa em diapasão, os ecos de uma biblioteca total. 
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*Joana Belarmino de Sousa é jornalista, Bel. em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal da Paraíba, 1981; Mestra em Ciências Sociais pela mesma universidade, 1996; Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2004. É professora Titular do Curso de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba, tendo iniciado a docência em 1994. Foi a primeira coordenadora do Programa de Pós-graduação em Jornalismo da UFPB. Desenvolve pesquisas nas áreas de acessibilidade à comunicação e ao jornalismo, ciberativismo, cegueira e percepção tátil, arte, literatura e comunicação. 
Mantém o blog Barrados no Braille 
Fonte: SOUSA, Joana Belarmino de . A biblioteca de Titã. Rio de Janeiro: Corifeu, 2008 (Conto).
Imagem da Nasa.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

7º Festival Internacional de Arte Naif. Arte Naif pela Emergência Climática e o Aquecimento Global.

    Por Belarmino Mariano*

7º Festival Internacional de Arte Naif. Arte Naif pela Emergência Climática e o Aquecimento Global. Abertura dia 28 de maio, quinta-feira, no Casarão de Cultura, Centro de Guarabira, as 19:00 horas. A secretária de Cultura e Turismo convida tidas e todos. A Exposição ficará no Casarão até o mês de julho.
Desafios aos artistas naif

Os artistas plásticos envolvidos com a Arte Naif receberam um grande desafio artístico e cultural, pintarem quadros abordando a temática das mudanças climáticas e o processo de aquecimento global, a partir de quatro linhas ou direções artísticas e ambientais: “a natureza intocada, o início da degradação, a cara do culpado e sementes da esperança”. Vendo os desafios colocados, os artistas puseram mãos à obra e o grande detalhe foi observar que a arte naif é um movimento engajado e comprometido com as grandes preocupações tanto da ciência, quanto dos impactos provocados contra o meio ambiente em escala global. 

Se as grandes revoluções industriais, seguidas pela crescente queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás) e o desmatamento aumentam gases de efeito estufa, causando aquecimento global, eventos extremos, elevação do nível do mar e riscos à saúde humana e ecossistemas destruídos ao longo dos últimos três séculos, estão demonstrando que o Planeta já está em meio a uma crise ambiental, é incontestável dizer que todos precisam fazer alguma coisa para repensar os atuais padrões de desenvolvimento tecnológicos, para substituirmos práticas degradadoras por experiências puramente ecológicas.

A Arte Naif tem um forte característica, pintar o mundo com tons multi ou hiper coloridos, em especial quando estão pintando a natureza em sua dimensão mais natural, ou com menos interferência humana. Na arte a natureza inocente e pura ganha contornos especiais, quase místicos ou sagrados. O artista Naif, consegue expor as paisagens deslumbrantes, a beleza pura que a natureza selvagem e permite percebermos, em pinceladas suaves que ganham um sentido de natureza viva e dinâmica.

A presença humana e comunitária na arte naif é outro tema recorrente, em especial quando falamos da perspectiva antropológica e cultural, com as tradições e festas, em muitos momentos, marcadas pelo encontro do sagrado e do profano. A vida dos camponeses, o trabalho na roça, a produção dos alimentos e os festejos. Um quadro ou outro explora situações de degradação, poluição e desastres ambientais. Daí o grande desafio dessa exposição, em que as forças da natureza e as marcas da destruição, impostas pela lógica do poder econômico e a ganância do mundo capitalista, são quase sempre, marcados pela exploração e pelo lucro a qualquer custo. 

A natureza sempre foi tema para a arte naif, num padrão natural de cores que imitam a inocência da natureza e sua explosão de vida, em jatos de incertezas e imperfeições que servem como puros desenhos em arranjos e relações humanas. A arte da simplicidade, dos traços imperfeitos e das cores vivas e cintilantes. A natureza intocada, a vida selvagem, o mundo dos biomas, habitats e ecossistemas naturais, sempre estiveram na ponta do pincel naif. Agora o desafio é bem maior, trazer para as pinturas, elementos de uma natureza morta, semi-morta, às vezes no leito de morte de um rio, na destruição por exploração mineral, com crateras a céu aberto, poluição do ar ou lixo acumulado nos quatro cantos do mundo.

O artista naif busca em sua arte, maneiras de expressar os arranjos naturais, a natureza e a sua força descomunal. Mas quando é sobre a natureza morta, a natureza em cheque? Para os que só pensam em dinheiro e em lucro, a natureza é apenas mercadoria, não importa se petróleo, gás ou outros minérios raros. Eles só pensam nas margens de lucros. Se vai destruir as margens dos rios, se vai assorear seus leitos, ou contaminar suas águas, pouco importa. Escavar, prender ou barrar. Sangrar, esfolar e queimar até o último hectare de vida. Extrair, poluir e contaminar são máximas para alterar o ritmo e a pulsação dos ecossistemas. Estamos diante da degradação, e diante da cara dos culpados. 

Apesar de existirem negacionistas da ciência, grupos políticos e econômicos que atacam o real conhecimento sobre a degradação ambiental, com o excesso de gases de efeito estufa na natureza, provocando processos de aquecimento global em décadas e com a destruição de ecossistemas, contaminação da biosfera em suas massas sólidas, líquidas e gasosas, nas quais já estão sendo sentidos como efeito de uma emergência climática, esse quadro de destruição, quando ocorre em um padrão gigantesco, começamos a sentir os descompassos da natureza e a resposta ambiental é catastrófica e em alguns casos, irreparável e irreversível.

Estamos diante de um mundo globalizado, dinâmico e tecnológico, um mundo dominado pelos mercados financeiros e pelas grandes corporações, que se interessam apenas pela exploração e pelo lucro desenfreado. Até acreditam que podem degradar a natureza o quanto quiserem e depois conseguem restituir os ambientes degradados, mas não é tão simples assim. pois em alguns pontos do Planeta Terra, o meio ambiente não está conseguindo se regenerar, em especial quando observamos o fenômeno das mudanças climáticas, os efeitos estufas e o aquecimento global, todos em uma situação irreversível. 

O desafio dessa exposição, também foi pintar a utopia representada pelas “sementes da esperança”. Esse mundo em que estamos vivendo, ainda segue padrões naturais, ainda se mantém firme e forte. Resta saber, até quando? Daí a importância da consciência ambiental para além do bom senso, pois como afirma o compositor brasileiro Guilherme Arantes: "vamos precisar de todo mundo pra varrer do mundo a opressão".
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*Por Belarmino Mariano Neto. Professor de Teoria da Geografia, Geopolítica e Estudos Integrados do Meio Ambiente. Departamento de Geografia da UEPB. Doutorado em Sociologia Ambiental e Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento (UFPB/UFCG/UEPB).

Fonte dos Dados - Klemylsson França, Adriano Dias e Curadoria do 7º Festival Internacional de Arte Naif, 2026.


Vídeos:
André Cunha Coordenador responsável pela montagem de toda a exposição. Falou sobre o lixo virando arte. Arte Naif

A artista Naif de Santa Rita/PB, Laís Sobreira - Menção Honrosa - Laís Sobreira

Adriano Dias. Criador da exposição.

exposição aberta ao público...
vsle apenas levar sua escola...



sexta-feira, 22 de maio de 2026

Em Brasília as baratas tontas da extrema direita voam sem direção.

.  Por Belarmino Mariano*

Em 1976, Zé Ramalho compôs "A dança louca das borboletas": 
"E as borboletas estão voando
A dança louca das borboletas
Quem vai voar não quer dançar
Só quer voar, avoar
E as borboletas estão girando
Estão virando a sua cabeça
Quem vai girar não quer cair
Só quer girar, não caia (...)
E as borboletas estão invadindo
Os apartamentos, cinemas e bares Esgotos e rios, e lagos, e mares Em um rodopio de arrepiar
Derrubam janelas e portas de vidro Escadas rolantes e nas chaminés Se sentam e pousam em meio a fumaça De um arco-íris se sabe o que é(...)" (Musixmatch).

Nessa época, Zé provavelmente estava em êxtase, em completa inspiração e observava as grandes migrações das borboletas, quando buscavam novas primaveras ou regiões floridas. Os jovens urbanos, vivendo uma ditadura militar e em busca de liberdade.

Mas Zé também estava se referindo à grande metáfora da liberdade de voar, de se transformar mesmo que em meio ao caos e às incertezas, talvez falasse da mesma metamorfose ambulante da qual falou Raul Seixas (1973), três anos antes.

Em 2026, Brasília vive um cenário parecido e ao mesmo tempo completamente antagônico "a dança louca das borboletas". E agora uma das coisas que muda é o inseto. Nesse novo caso a metáfora é "a danca louca das baratas de esgoto". Tudo isso depois que o Intercept Brasil revelou áudios e mensagens de Flávio Bolsonaro( PL), subornando o Banqueiro Daniel Vorcaro, para "lhe dar uma luz" de 134 milhões de reais para "Dark Horse", o filme sobre a facada em seu pai presidiário.

Numa conversa estranha de meu irmão para lá e meu irmão para cá, com frases messiânicas e de falsas profecias de que era vontade de Deus, chegaram à parcela de 61 milhões de reais que deveriam ser enviados para os EUA e até agora, parece que foram.

Essa notícia ganhou uma dimensão internacional e ao longo da semana, outras revelações bombásticas, como em "um castelo de cartas", em queda livre, foram atingindo centenas de outros políticos e partidos do centrão e da extrema direita bolsonarista, alguns, governadores e até mesmo uma cunhada do presidente da Câmara apareceu na lista de contemplada com 140 milhões do Vorcaro.

O Presidente do PP, senador Ciro Nogueira, tinha uma "bolsa família" de 500 mil reais por mês. Pelo tamanho do valor, daria para atender quase mil famílias pobres, com em média 5 pessoas.

Outra parte da grana do Vorcaro foi para a compra de uma mansão para o Eduardo Bolsonaro fugitivo nos EUA. E as mentiras foram virando meias verdades insustentáveis, diante das robustas e incontestáveis provas.

Mas todos já conhecemos esse filme, basta lembrar dos esquemas de caixa 2 praticados por Ônix Lorenzoni, chefe da Casa Civil do Bolsonaro, coisa boba que o Ministro Sérgio Moro, aceitou o pedido de desculpas e o perdoou. Mas agora não tem mais Sérgio Moro e a casa caiu até para ele, pois contava com o apoio de Flávio para se eleger governador pelo Estado do Paraná.

As baratas loucas, com as rajadas de inseticida do intercept Brasil, começaram a voar tontas para todas direções, tentavam entrar nos esgotos e galerias, voavam para debaixo dos móveis e brechas dos assoalhos, mas as manchetes estavam estampadas até em outdoors. Loucura, loucura, loucura!!!

Os telejornais, as redes digitais e as várias análises políticas davam conta dos estragos. Os antigos aliados, tendo evitar maior contaminação passaram a fugir de Flávio Bolsonaro, assim como o satanás foge da cruz. Marketeiros, influences e até mesmo os bolsominius mais inflamados sumiram das redes digitais.

As duas coletivas de imprensa do Flávio Bolsonaro foram desastrosas e até mesmo o "Mercado e a tal Faria Lima", ficaram congelados, enquanto três pesquisas apontaram quedas de 6%, 8% e 12% de Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao presidente Lula (PT), que apresentou crescimento proporcional as quedas do adversário.

Eduardo Bolsonaro, longe de casa, entrou em Pânico Total, tentou tirar o corpo fora, mas no dia seguinte novas revelações o colocaram no "olho do furacão", pois enquanto a produtora negava ter recebido os 61 milhões ou qualquer dinheiro do Vorcaro, o noticiário dava conta de Eduardo, como o receptor de toda a grana enviada pelo Vorcaro.

"Três são as grandes forças da Natureza, água morro abaixo, fogo morro abaixo e mulher quando quer uma coisa, ninguém consegue segurar, conter ou impedir". Essa é a situação da extrema direita em Brasília e no Brasil. Essa bomba atingyde cheio todas as candidaturas do PL e de aliados diretos.

A grande estrela da campanha, Flávio Bolsonaro, que iria usar o filme sobre o pai como uma peça de propaganda política, relembrando o dramalhão da fakada, a proteção de Deus e a sua vontade para derrubar o Lula  estava tudo preparado, as fakes news da eleição de 2018, provavelmente um novo suposto ataque contra a sua vida e pimba, foi tudo por água abaixo, enquanto o fogaréu tomou conta de Brasília.

A ex-terceira dama Michele Bolsonaro, que havia sido preterida por Bolsonaro para concorrer como a candidata da família Bolsonaro, estava radiante e rindo atoa. Quando a imprensa lhe indagou sobre o escândalo, Flávio/Vorcaro, ela sorriu e disse que perguntassem para o Flávio.

O lamaçal tomou conta da extrema direita, os outros presidenciáveis como Ratinho Júnior já estava no esquema do Vorcaro e o foi o primeiro a desistir da candidatura; Romeu Zema (Novo), atacou Flávio sem piedade e no dia seguinte, seu nome estava estampado como beneficiário do Vorcaro e o mesmo aconteceu com Ronaldo Caiado (PSD).

As cortinas dos gabinetes de deputados e senadores do centrão e do bolsonarismo "ficaram em chamas" e alguns desapareceram de Brasília, a exemplo do Deputado Federal Mário Frias (PL), um dos roteiristas do Filme de 300 milhões sobre o Bolsonaro, simplesmente fugiu, se escafedeou ou desapareceu. 

A casa caiu, é a casa caiu... Os ratos e as baratas começaram a pular do navio em chamas e afundando. Os jabutis nos galhos das árvores e tinha gado voando, gado sendo arrastado pela tempestade e no plenário da Câmara sessões inteiras sem nenhum deputado bolsonarista para parlar e lacrar nascredes sociais.

O Deputado Federal Mário Frias (PL/SP), ex-secretário de Cultura do desgoverno Bolsonaro, quando viu que o caldo do filme entornou, deixou a cadeira de deputado vazia e puxou a mala para os Estados Unidos e de lá para o Oriente Médio (Bahrein), sem data de retorno e nem endereço de contato e comunicação (tchau queridos).

O senador Flávio também já inventou uma agenda nos EUA com o presidente Trump, agenda que não foi confirmada pela Casa Branca. Logo, ele pode estar planejando visitar o Mário Frias no Bahrein e fazer o que Eduardo Bananinha fez, fugir enquanto pode.

O Pastor "Mala sem alça", foi logo dizendo que não julgava Flávio, pois essa mesma perseguição estava acontecendo contra ele. Ou seja, para o Mala, "Flávio mala cheia de grana do Vorcaro",  está sendo vítima de perseguição política. Inocente essa criança cujo pai agora é um presidiário.

Acuadas e sem saídas, as baratas do congresso inimigo do povo, resolveram atacar os direitos da classe trabalhadora e  inverter pautas ou propor projetos estapafúrdios. Pode usar todo o estoque de detergente Ypê do lote 001 e não consegue eliminar essa barataria que custa caro aos brasileiros.

Agora, Hugo Motta e David Alcolumbre, centrão/extrema direita, estão tentando ressuscitar o "voto de cabresto", em que os políticos poderão comprar oficialmente o voto dos eleitores, sem ser crime eleitoral passivo de perda de mandato e ficha suja.

O mesmo congresso inimigo do povo, no lugar da escala 5x2 (40 horas semanais), propuseram que essa escala de trabalho só deveria entrar em vigor daqui a dez anos. Para piorar a situação, estão organizando uma nova proposta de escala, em que, ao invés das atuais 44 horas semanais, propuseram que o trabalhador trabalhe 52 horas semanais, ou seja, eles propuseram a escala 7x0 ou trabalhamos de domingo a domingo.

Eles estão querendo atacar os  projetos de Erika Hilton (PSOL) e Lula (PT), mas na verdade estão destruindo os direitos do povo assalariado. Mas enquanto o povo continuar a eleger esses golpistas corruptos da extrema direita (PL, PP, PSD, PSDB, Rep., Novo, DC, entre outros), não teremos sossego. 

Eles irão continuar a praticar  todos os tipos de crimes e vai ter idiotas, otários, votando neles. Igual as baratas que votam no Partido do SBP e nas sandálias havaianas. Esse ano de 2026, o povo deveria dar um basta total e só eleger políticos que apoiam Lula, pois só Lula apresenta projetos de melhorias para o povo brasileiro que mais precisa.

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais. Fontes -Musixmatch;  Plantão Brasil, ICL Notícias, Brasil de Fato, Brasil 247 e DCM.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

O menino e a barata - A difícil luta entre o amor e o ódio.

.  Por Belarmino Mariano*

A coisa mais inusitada que vi recentemente nas redes sociais, em um pequeno vídeo de menos de um minuto, sobre uma cena doméstica e noturna, uma criança de aproximadamente 4 aninhos, com uma pequena sandália havaiana na mão, apontando para uma barata e gritando: "Morri!!! Morri!!!! Morri!!!

De repente ele se volta para a mãe e indaga: "Ela tem filhos?" E a mãe enquanto ria, encantada com a indagação do filho, respondeu que sim. Imediatamente, ele baixou a guarda e percebeu que estava ameaçando de morte uma mãe barata, que amava seus filhos e precisava se manter viva a todo custo.

Que fantástico, que lindo, que lição incrível, em tempos de ódio e de guerra, esse pequeno soldado de carne, ossos e coração, pensamentos e sentimentos, diante do seu suposto inimigo mortal, lembrou da sua condição de filho diante de uma mãe. 

Lembrou desse amor incondicional e da responsabilidade e cuidado amoroso de uma mãe para com seus filhotes. Ele empático a si mesmo, primeiro se colocou no lugar de um ser que não estava na cena da batalha, o filho da barata.

Depois ele argumentou sobre aquela mãe na mira de sua arma mortal. Em sua segunda ação cognitiva, se colocou no lugar da própria mãe, que caso morresse, estaria fadada a complexa quebra de contato com seus entes queridos, familiares e os amados filhos, que ficariam desprovidos do amor, carinho e cuidadilos maternais.

Esse história não é apenas moral, ele esta carreda de ética, empatia, compaixão. Primeiras aprendizagens de um filho com a sua mãe sobre amor. Ele começou a entender que a vida é dura, que os perigos estão por toda parte, mas em algumas situações, é preciso usar a cabeça, pensar bem e ser rápido em tomar decisões difíceis, em especial, quando se trata de uma situação de vida ou morte.

Ele ainda é muito criança e não tem ideia do real perigo em termos baratas em nossa casa, se esmagar é a melhor escolha, mas a lição, antes de mais nada, foi aprender que a barata é uma mãe, que tem filhos e sua morte poderia representar um desastre e o sofrimento real para seus filhos.

Ele ponderou que "a barata é alguém que ama", provavelmente espelhou a sua própria experiência de amor, ele não apenas se colocou no lugar da barata, mas também a colocou no lugar de sua própria mãe.

Agora imagine a barata aflita, diante de um gigante bípede, com uma gigantesca e mortal arma de borracha em punho? Ela mesma já assistiu o pânico e trágico fim de sua irmã, sendo estraçalha na garagem da casa vizinha. 

Era dia claro e outra criança de arma em punho, talvez do mesmo tamanho e idade, atacou sua jovem irmã, que ficou completamente esbagaçada em uma lateral da garagem.

Enquanto o menino gritava: "Morri!!! Morri!!!! Morri!!! Ela entrou em pânico, pensou na irmã completamente destruída por três chineladas, lembrou que ela ainda tentou escapar, mais uma quarta e uma quinta chinelada destruiu por completo aquele frágil corpo de barata, todas suas entranhas eram uma passoca nelequenta esparramada pelo chão.

Logo lembrou dos filhos, em crescimento e da sua última ooteca (cápsula protetora), com 20 ovos prestes a eclodir. Inexperientes, sem a proteção maternal, terão que enfrentar sozinhos esse mundo hostil e perigoso, entre os esgotos e as cozinhas humanas, ratos, gatos, sapos, escorpiões, além de inseticidas, vassouras e sandálias havaianas no espinhaço.

Felizmente, não teve o infeliz destino de sua irmã, percebeu que o inimigo perdeu o time do ataque, vacilou e rapidamente ela fugiu para debaixo da cama, enquanto planejava uma nova rota de fulga. Foi por pouco, escapou fedendo...

*Por Belarmino Mariano. Crônicas da vida comum. Imagem das redes sociais (Observa+).
Sugestão de Leitura - Metamorfose de Frans Kafka.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

19 de Maio, Dia do/a Físico/a e essa foi a escolha de minha Amada filha Brenda Mariano

Confesso que a minha filha Brenda Mariano já havia pesquisado sobre o dia 19 de maio, homenagem a todos os homens e mulheres que escolheram estudar os princípios, teorias, metodologias e leis físicas.

Em 19 de maio de 1905, Einstein publicou estudos que mudaram os rumos da ciência, incluindo a Teoria da Relatividade Restrita e a explicação do Efeito Fotoelétrico (que mais tarde lhe rendeu o Prêmio Nobel).

Minha segunda filha, Brenda Mariano, em suas traquinagens juvenis, escolheu fazer o Curso de Física e seguir os mesmos rumos de Einstein, Isaac Newton, Marie Curie, Galileu Galilei, Stephen Hawking, Max Planck e outos/as.

Quando estava lhe dizendo que existe a Plataforma Lattes para o registro acadêmico das nossas pesquisas e leva o nome do Físico César Lattes, ela ficou entusiasmada com aquela informação. Então lhe disse, que no Brasil são muitos os físicos/as brasileiras, aos exemplos de: César Lattes,
Mário Schenberg, José Leite Lopes, Gleb Wataghin, Marcia Barbosa, Sônia Guimarães, Elisa Frota Pessoa, Yvonne Mascarenhas e tantos/as outros/as.

Na UFCG, certamente ela será discente dos seguintes docentes do Departamento de Física da UFCG - Adriano Albuquerque Batista, Aércio Ferreira de Lima, Alex de Albuquerque Silva, Eduardo Marcos Rodrigues dos Passos, Fábio do Egito Gomes, Francisco Elias Jorge, Leandro Oliveira do Nascimento, Luciano Barosi de Lemos, Marcelo Vargas dos Santos, Mirleide Dantas Lopes, Ricardo Arlen Buriti da Costa e muitos outros docentes de outras áreas do conhecimento.

Às vezes muitos pensam que essas ciências exatas, são experiências apenas de países desenvolvidos e grandes potências científicas, e nem imaginam que o Brasil já figura entre as 14 nações com maiores pesquisas científicas e entre os 20 países na área da Física.

Brenda iniciou as aulas no dia 13 de abril e as primeiras impressões são de que Brenda está adorando o curso, os novos amigos e a amigas, os/as professores e a atmosfera científica da UFCG e da cidade de Campina Grande.

Em uma ciência historicamente com forte presença de homens, Brenda Mariano se desafiou a essa escolha tão importante. Uma jovem mulher que resolveu enveredar pelo mundo das teorias da complexidade, do acaso, do caos probabilístico, das cordas e da matéria escura, com Laboratório em parceria com os Chineses aqui em Aguiar na Paraíba, passando por buracos de minhocas e dobras nos tecidos do espaço/tempo. Isso só para citar um pequeno número de linhas teorias.

No auge de suas dúvidas sobre o curso que iria escolher, certo dia lhe vi assistindo um documentário sobre Marie Curie, uma mulher à frente do seu tempo, a primeira a fazer estudos da radioatividade e a única a ganhar dois Prêmios Nobel em áreas científicas diferentes.

Comecei a notar seu interesse pela docência e pela dureza metodológica das ciências exatas, quando a grande maioria tende a se afastar, ela era atraída por esse universo maravilhoso das gigantescas e infinitas possibilidades.

No dia 18 de maio, um dia antes do dia do Físico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou o Laboratório Sírius da Unicamp e relembrou a promulgação da Lei 14.769/2023, que instituiu o Dia do Físico no Brasil. Agora eles podem bater no peito e dizer que o Brasil investe em ciência e em cientistas de verdade.

De acordo com o portal gov.br, o presidente Lula, acompanhado da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, inaugurou quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, nesta segunda-feira, 18 de maio, em Campinas (SP), no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Muitos talvez nem saibam, mas foi a presidente Dilma Rousseff (PT), que em 2014, liberou os recursos iniciais de R$ 1,3 bilhão para o projeto do laboratório Sirius (acelerador de partículas), que foi concluído em 2018, mesmo depois que o centrão e a extrema direita, juntamente com a mídia golpista, com supremo e tudo, lhe destituiu do cargo de presidenta, através do impeachment em 31 de agosto de 2016.

Mas o mundo deu várias voltas e hoje Dilma Rousseff é a presidente do Banco do BRICS+, atualmente uma das maiores instituições financeiras globais, ao lado de grandes Estadistas do Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e dezenas de outras nações. 

Dilma foi golpeada por um congresso inimigo do povo e da ciência, mas, enquanto nos chamam de professores e pesquisadores vagabundos, a gente insiste em provar que é melhor investir em educação, ciência e tecnologia do que apostar na ignorância, intolerância e disfunções cognitivas.

No portal gov.com, a Ministra Luciana Santos, explicou que as novas linhas de investimentos no laboratório Sirius (acelerador de partículas), irão ampliar a capacidade brasileira de pesquisa em áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais.

Considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil, o Sirius integra o grupo restrito de países com fonte de luz síncrotron de quarta geração. O equipamento funciona como um “supermicroscópio” capaz de analisar estruturas em escala atômica e apoiar pesquisas avançadas em diferentes áreas do conhecimento. Entre 85% e 90% de seus componentes foram produzidos ou desenvolvidos no Brasil, fortalecendo cadeias industriais de alta precisão e a engenharia nacional (gov.br, 2026).

Quando li essa notícia, fiquei muito feliz em ter escolhido Lula como meu presidente, e tratei de compartilhar para Brenda, pois o outro desgoverno negacionista, já havia cortado bilhões dos recursos para educação, ciência e tecnologia. 

Agora temos os programas ampliados e o aporte de recursos ou investimentos da ordem de mais de R$ 23 bilhões, além do incremento de R$ 977 milhões para as universidades e institutos federais.

Ainda me pergunto como aquela garota miúda e linda, das terras paraibanas, no auge de sua adolescência e entrando no universo juvenil, fez uma escolha tão difícil, quando o Sisu lhe oferecia centenas de outras possibilidades, ela escolheu a Física e no seu primeiro período, já deu de cara com esses importantes investimentos do governo do presidente Lula.

Acredito que seus professores do ensino fundamental e médio,  suas escolas e cursos iniciais foram fundamentais nesse processo de escolha. Como era empolgada com os processos de ensino e aprendizagem, se incomodava quando os pensamentos atrasados de alguns atrapalhava e sempre foi muito crítica quanto aos que begam e atacam a ciência.

Numa época em que idiotas conseguem quase todos os holofotes para o negacionismo da ciência e ainda consideram a teoria da Terra Plana como uma verdade. É preciso mais Ciência e Tecnologia para nos afastar do obscurantismo medieval em pleno século 21.

Brenda Mariano, sei que você nasceu no dia 19 de junho e em 19 de maio foi instituído o dia dos/as físicos/as. Como a casualidade e o acaso, são princípios elementares da Física, parabéns pela sua escolha, pois vai mediar toda a sua vida.

Sei que já sou um 60+, no entanto, estou ansioso para encontrar seu primeiro artigo: COSTA, Brenda Mariano Gomes da. No mundo dos cristais, nem tudo é luz síncrotron. Campina Grande/PB. Revista Caos/LAF,/UFCG, N.º 00, 2027. Brincadeiras à parte, lhe desejo todas as felicidades dos possíveis multi versos e reversos de poesias quânticas.

Brenda, quando criei a primeira tempestade dentro de mim mesmo, percebi o quanto o tempo é absurdo e ilusório. Tudo era caos absoluto e vi naquele vendaval teus cabelos compridos e negros.

Você rodopiava igual a uma bailarina indiana de pele fina e corpo esguio em sapatilhas aceleradas por particulas subatômicas. Os movimentos rápidos dos teus olhos castanhos escuros, eram microfeixes de luz e nesse sonho quântico você sorria para mim, igual a uma jovem física extasiada por ter descoberto uma nova estrela.

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Por Belarmino Mariano. Professor de Geopolítica e Teoria da Geografia pela UEPB.