quinta-feira, 2 de julho de 2026

Não Aposte!

Por Belarmino Mariano*

Não ganho nada com isso, mas não quero que você perca. "Acorde levante e lute", pois essas pragas de pets viciam, são jogos de azar, controlados por IA e você sempre sairá perdendo. 

Os jogadores de futebol como Neymar e outros, ganham milhões e nunca perdem, mas é você que paga aos famosos e veja que são milhões. Enquanto isso, as bets sonegam impostos e ganham trilhões.

Outra coisa importante, às vezes você ganha uma "laminha", mas precisa meditar que essa merreca que você ganhou é porque outros idiotas viciados perderam. São jogos combinados, manipulados e você é induzido a acreditar em sorte, na oportunidade e na realização de seus sonhos.

As bets nunca perdem nada, pois controlam tudo através de bigtechs e avançados programas de computador. Veja essa copa do mundo a FIFA construiu um esquema de atravessadores para os ingressos. Um ingresso já está chegando a custar, mas de $: 3 mil dólares. Ou seja, só ricos estão entrando nos estádios.

Enquanto isso, lhe vendem a ideia de fazer uma fézinha, de arriscar, de acreditar na sorte. Nas são apenas peças de propaganda, todas construidas com base em teorias psicológicas, manipulação de estrelas do futebol, influences muito bem pagos com o seu dinheirinho suado.

Bilhões de pessoas, no mundo todo, estão viciadas. Esse esquema de bets, comprovadamente virou uma pandemia, uma doença devastadora. Tenho amigos do meu mundinho, que já perderam, moto, carro, outros bens e até mesmo seus casamentos.

O Brasil é um país de vícios, mas esse das bets, veio muito assemelhado a guerra do ópio na China do Século XIX. Aqui no Brasil muitas pessoas se viciaram em redes sociais e em telas. São viciadas em café, em bebidas, em drogas e agora em bets. 

As bets são constantes, 24 horas, se domiya domingo. Você se cadastra em uma plataforma digital, atrela ao banco digital (Bigtech) e começa a fazer apostas. 0,50 centavos, 1,00 real, 10 reais, 100 reais e em um mês, você compromete todo seu orçamento.

A transmissão da Copa está custando bilhões e grande parte dessa transmissão é paga pelas bets, que usam seu dinheiro para pagar. Por isso essa gigante propaganda de bets. Mas ao final de cada jogo, foi você que pagou a conta. Você e bilhões de jogadores. Enquanto isso, grandes empresários donos das bets, que não produziram nada de saudável, acumularam o equivalente ao PIB de países inteiros.

As bets, apesar de parecer diversão, festa, brincadeira, na verdade são atividades viciantes, destruindo orçamentos, endividando e desestruturando famílias inteiras. O pior destroem a sua saúde mental. PARE COM BETS HOJE MESMO! 

Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais. Obs. A imagem não corresponde ao tema, pois a Meta ganha muito com impulsos das bets e sempre bloqueia artigos críticos.

Pessoas negras representam 86,3% dos mortos pela Polícia em 9 Estados do Brasil

Texto: Redação | Alma Preta Jornalismo
📸Cris Faga/NurPhoto via AFP*


A Rede de Observatórios da Segurança lançou nesta quarta-feira (1) a sétima edição anual do relatório “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, estudo que monitora dados de letalidade policial fornecidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelas secretarias de segurança de nove estados para revelar as desigualdades cometidas contra a população negra.

Em análise dos dados de 2025, o estudo identificou um aumento de 6,4% na letalidade policial (4.330 mortes somadas nos nove estados monitorados) em relação ao ano anterior, além de escancarar a centralidade do racismo estrutural na atuação das forças estatais. Considerando apenas os dados com informações de raça/cor, 86,3% das vítimas (3.104 pessoas) eram negras.

O perfil das vítimas da letalidade policial também revela um recorte geracional, territorial e de gênero bastante definido: jovens de até 29 anos representam 64,8% do total de mortos (2.804 vítimas), vivem majoritariamente em periferias e favelas e, em sua imensa maioria, são homens.

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*Texto: Redação | Alma Preta Jornalismo
📸Cris Faga/NurPhoto via AFP

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terça-feira, 30 de junho de 2026

O elefante que a gente não doma

Por Alessandra Del’Agnese

Tem uma pintura tibetana, dessas que a gente olha e acha bonita, mas não entende direito. Parece complicada demais pra ser sobre a gente, mas é. Mostra um monge subindo uma montanha em círculos, puxando um elefante por uma corda. No começo, o bicho é preto, enorme, descontrolado, derrubando tudo que encontra. Lá no topo, ele aparece branco, calmo, quase transparente e o monge nem segura mais a corda. Os dois vão juntos, leves, subindo em direção a um céu cheio de nuvens douradas.

É uma metáfora budista sobre a mente. O elefante é você. Sua cabeça. Seus pensamentos. Aquele macaco que aparece pulando em cima dele, puxando pra um lado, distraindo, fazendo bagunça esse é o seu desejo de ser visto. De ser comentado. De ser curtido. Um macaquinho sem freio que mora dentro de cada um de nós e que hoje tem nome de aplicativo: notificação.

A gente passou a pedir aprovação como quem pede ar. Posta uma foto e fica encarando a tela, esperando o número subir como se aquilo fosse um atestado de existência. Cadê o like? Cadê o comentário? Alguém pra confirmar que eu estou aqui, que eu importo, que o que eu fiz hoje realmente aconteceu? Chegamos num ponto em que precisamos que estranhos validem nosso café da manhã. E nem percebemos mais o tamanho do ridículo.

No desenho, o elefante escuro do começo é isso: a mente desgovernada, correndo atrás de prazer rápido, de reconhecimento, de barulho. E a trilha não é fácil. Tem fogo. Tem precipício. Tem queda. Cada curva é uma recaída. Você jura que vai largar o celular, e dez minutos depois está ali de novo, contando corações vermelhos como se fossem votos de amor.

Mas ali, naquela pintura, ninguém prometeu fama. Prometeram silêncio. Prometeram que, se você parar de correr atrás de plateia, sobra espaço pra outra coisa mais sólida, mais sua. Paz, presença, sei lá. O monge não está performando. Não tem holofote, não tem story, não tem ninguém aplaudindo a subida dele. E é justamente por isso que ele sobe.

A gente trocou a montanha pela vitrine. Trocou o elefante de dentro pelo elefante de fora aquele que a gente exibe, filtra, edita, legendas, hashtags. E esqueceu que o trabalho de verdade nunca foi mostrar o bicho domado pros outros aplaudirem. Era domá-lo em silêncio. Sem plateia. Sem prêmio. Sem like.

No fim da pintura, o elefante sobe sozinho, quase invisível, dissolvido nas nuvens. Ninguém bateu palmas. Não tinha ninguém olhando. Só o caminho percorrido, finalmente, sem precisar que alguém visse.

Imagens das redes sociais.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NÃO É OPINIÃO. É VIOLAÇÃO DE DIREITOS.

.  Por Jornal Grande Axé*

Mais uma vez, um terreiro de matriz africana se torna alvo de uma ação que ultrapassa os limites da fiscalização e atinge diretamente a liberdade religiosa.

 A apreensão de tambores, objetos sagrados e instrumentos de culto não representa apenas a retirada de bens materiais. É um ataque à história, à ancestralidade e à identidade de um povo que, há séculos, luta para exercer sua fé com dignidade.

Enquanto igrejas e templos de outras religiões são, em regra, tratados com respeito às suas práticas e símbolos sagrados, os terreiros continuam enfrentando abordagens marcadas pelo preconceito, pela falta de preparo e, muitas vezes, pela intolerância. Essa desigualdade precisa ser denunciada.

O Brasil é um Estado laico. A Constituição Federal garante a liberdade de crença e protege os locais de culto e suas liturgias. Quando um terreiro é desrespeitado por causa de sua religião, não é apenas uma casa que sofre: é toda uma comunidade que vê seus direitos fundamentais ameaçados.

Não se trata de pedir privilégios. Trata-se de exigir o que a lei já garante: respeito, igualdade e liberdade para todas as religiões.

É urgente que as forças de segurança recebam formação adequada sobre diversidade religiosa e direitos humanos, para que ações policiais ocorram dentro da legalidade, sem reproduzir preconceitos históricos contra as religiões de matrizes africanas.

O silêncio fortalece a intolerância. A denúncia fortalece a democracia.

Respeitar o tambor é respeitar a Constituição. Respeitar o terreiro é respeitar a liberdade. Intolerância religiosa é crime e precisa ser combatida com firmeza, justiça e união.

*Jornal Grande Axé.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

FRASES DE (D)EFEITO IDEOLÓGICO

   Por Belarmino Mariano* 

Hoje é o dia dos professores e das professoras de Geografia e gostaria de presentear meus discentes com esse pequeno texto de visita a alguns dizeres e frases de efeito político, ou até mesmo, aparentemente neutros, que reuni aqui, como alguns lemas do passado geohistórico para comparar com os dias atuais.

Lema da Revolução Francesa: "Liberté, Égalité, Fraternité" 
(Liberdade, Igualdade, Fraternidade). 

Eram ideais de democracia, justiça e união social contra o autoritarismo monárquico absolutista. Por isso a expressão iluminismo político e filosófica.

Ai os pensadores conservadores da França propuseram o lema contra a Revolução Francesa: "Dieu, Patrie et Famille" (Deus, Pátria e Família).

Uso da religião para manter a ordem monarquista e da ideia de Estado no controle de todos e a família conservadora patriarcal e marchista no comando dos indivíduos.

O tempo foi passando e esse lema conservador virou a marca ideológica do Nazifascismo alemão e italiano, se estendeu para França, Espanha e outros países. 

Na Europa eclodiram duas guerras mundiais. O Socialismo Soviético passou a ameaçar os extremistas conservadores. O colonialismo e o capitalismo entraram em colapso e as forças conservadoras passaram a usar o totalitarismo nacionalista como armas ideológicas. Isso gerou o nazifascismo em sua pior versão. 

Massacres aos povos judeus na Alemanha, perseguição aos anarquistas e socialistas em toda a Europa e no mundo. Xenofobia e nacionalismo exacerbados deram bases ao totalitarismo de Estado.

O totalitarismo político e a obediência cega ao grande líder eram observados o tempo todo e outros lemas foram lançados: 

"Credere, obbedire, combattere" (Acreditar, obedecer, lutar): Lema que exigia devoção cega ao líder, disciplina militar e disposição para o combate.

"Il Duce ha sempre ragione" (O Líder tem sempre razão): Expressão que reforçava o culto à personalidade de Mussolini.

"Ein Volk, ein Reich, ein Führer" (Um povo, um império, um líder): O principal slogan da Alemanha Nazista. Representava a unificação do povo alemão (Volk), a expansão territorial (III Reich), o princípio da liderança absoluta de Adolf Hitler (Führer).

"Blut und Boden" (Sangue e Solo): Lema central da ideologia de superioridade racial ariana. Vinculava a identidade nacional à pureza biológica ("sangue") e ao território de domínio alemão ("solo"). 

Também era brindado com leite para representar a ideia de raça pura ariana. Nesse caso, por volta de 1930 os propagandistas nazistas criaram o culto à raça branca, à saúde, à terra e à força física. O Ministério da Propaganda, liderado por Joseph Goebbels, e o Ministro da Agricultura, Richard Walther Darré, foram os idealizadores.

No Brasil, o lema "Deus, Pátria e Família", foi usado pelo movimento integralista (1930), claramente com raízes fascistas e nazistas. Vejam que no Brasil, já havia grande influência Italiana e Alemã devido aos processos migratórios.

Na atualidade tivemos o "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" - Corruptela dos lemas nazifascistas da Alemanha e Itália, aplicados ao Brasil pelos integralistas e usado por Jair Bolsonaro para tentar implantar o extremismo de direita no país, através de golpe de Estado. E ainda tem gente que acredita na inocência de Hair Messias Bolsonaro.

Por isso dizer que, mesmo com governos de coalizão como os dos presidentes Lula e Dilma, os nossos ideais democráticos e populares ainda estão muito distantes e quando olhamos para os países vizinhos, veremos que estão mais distantes ainda.

A interferência geopolítica dos EUA na América Latina é uma ameaça à nossa democracia e soberania e vermos lacaios do imperialismo, como Bolsonaro's Jr., tramando contra o nosso povo é uma traição à pátria.

Democracia com liberdade, igualdade e fraternidade é o que a extrema direita e a elite dominante estão combatendo diariamente, atacando nossos direitos democráticos, conquistados na luta. Por isso, lutar para derrotar esses canalhas em todos os níveis e frentes é uma tarefa revolucionária.

Vendo a Copa do Mundo 2026, as perseguições de Trump contra o Irã e outras seleções, torcedores e arbitragem é um alerta do nazifascismo se instalando em países como os EUA.

Vendo que nas torcidas de países europeus e até sul-americanos prevalecem torcedores brancos, que tem grana suficiente para ir a uma copa do mundo. Até a torcida de brasileiros é predominante branca. Isso é um retrato dessa lógica imperialista.

Vendo o grande número de jogadores de origem africana em seleções europeias, que em muitos casos são de países racistas e xenófobos, mas ainda dependem das suas ex-colônias para se tornarem competitivas é outro alerta.

Ver a grande mídia, estimulando o vício e a extorsão através de bets, que roubam bilhões das pessoas, em especial, vendendo a ilusão de riqueza fácil é um alerta de grande perigo. Por isso, temos que denunciar e exigir o fim de operações de bets no Brasil.

Ver policiais militares fortemente armados entrarem numa escola para ameaçar professores, gestores e comunidade escolar, só porque estavam ensinando sobre a cultura afro-brasileira na escola (Lei 10.639/03 e a Lei 11.645/08), é uma afronta aos nossos direitos fundamentais e não pode passar impune.

Ver o Congresso Inimigo do povo brasileiro, impedindo que direitos fundamentais sejam garantidos, como a redução da jornada de trabalho (fim da Escala 6x1), enquanto esses mesmos políticos roubam nosso dinheiro através de orçamentos secretos e esquemas podres com banqueiros é o alerta máximo. 

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais. Fonte: ICL Notícias, Brasil de Fato, Plantão Brasil, DCM e Agência de Notícias Anarquistas - ANA.
Aos meus queridos estudantes de geografia e aos professores que acreditam em utopias ativas.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Nesse Tráfego Pesado, Tu Vai Pra Onde?

.  Por Belarmino Mariano*

O tráfego é um movimento, deslocamento, fluxo, atividade, dinâmica, circulação e mobilidade, sem paradas obrigatórias, mas em alguns pontos há congestionamento e o tráfego fica lento, estagnado e ameaça parar.

Irmão gêmeo do tráfico que significa a mesma coisa, com sentido completamente diferente e profundamente relacionado ao ilícito, contrabando, controverso e fruto da contravenção.

Tráfego enquanto partida e chegada, saída e entrada, ir por conta própria, ir e vir ao encontro de, sem querer ficar no meio do caminho. O passo a passo, o vai e vem para diferentes lugares, inclusive de virtualidades.

Assim temos o tráfego rodoviário, ferroviário, hidroviário e aéreo especial. Meios físicos e materiais em fluxo contínuo ou sequencial em vias, artérias, veredas, becos, estradas, rodagens, rodovias, com sinais, signos, paradas, partidas, pontos, portos, plataformas, anéis viários, rotatórias, aeroportos e novas circulações em trânsito 

Tráfego em redes digitais, virtuais, entre computadores, satélites, antenas, internet em cabos ou fibras ópticas, em http://www..., marketing, sites, portais e plataformas, em que, tudo vira tecnologias da informação e comunicação (TIC's).

Tráfego mental de ideias, pensamentos, sentimentos, sensações, emoções, desejos, vontades e necessidades em todos os sentidos. Fluxos neurológicos, cognitivos, racionais, instintivos e inatos.

Tudo o que é tráfego pode ser transformado em tráfico, mesmo que continue a ser tráfego, tudo legal e ordenado, mesmo assim, traficado por entre o intenso tráfego cotidiano, tanto nas ruas, quanto nas redes digitais.

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes digitais.

GEOPOLÍTICA EM LÍNGUAS ESTRANHAS - "Ainda que eu falece a língua dos homens, e falace língua dos anjos, sem amor, eu nada seria"

Por Belarmino Mariano*

O compositor brasileiro Renato Russo, compôs a música "Monte Castelo", em que ele extraiu o versículo de Paulo (1 Coríntios 13:1), misturado com o famoso soneto "Amor é fogo que arde sem se ver" do poeta português Luís de Camões. Incrível como a música e a poesia podem despertar reflexão, espiritual, religiosa e emocional.

Com a curiosidade de professor de geografia, instigado por perguntas aos estudantes, se eles sabem o que é ser Pentecostal e neopentecostal em suas igrejas, confesso que nem católicos e nem evangélicos souberam responder ao certo, inclusive membros da tradicional Igreja Assembléia de Deus.

Quando Renato Russo, extraiu a frase "Ainda que eu falece a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria", queria entender o que isso representava para as pessoas que se dizem cristãs?

Em Atos 2 (Novo Testamento), existem os primeiros relatos em que os apóstolos falaram em outros idiomas humanos. Ainda no Novo Testamento, nas cartas de Paulo (1Coríntios), o apóstolo comenta sobre a "língua dos anjos", como se existisse um código linguístico para conversar com Deus e os anjos poderiam ser intermediários diretos 

Assim nasceram as interpretações de que seria possível "falar em línguas estranhas". Isso virou moda em templos pentecostais dos EUA, a partir de 1901/1906, como sendo uma nova teologia, conduzida pelo contato direto com o espírito santo. 

Como em ondas devocionais, um novo grupo evangélico cristão, surge das várias denominações e seitas cristãs. Os EUA, que já representavam o maior número de segmentos do cristianismo protestante, passaram a alimentar a ideia de espalhar a palavra de Deus, através de "línguas estranhas". 

Um pequeno trecho bíblico, se referindo a uma espécie de milagre do início do cristianismo, se transformou na maior teologia, em que a oração pessoal eleva o fiel a falar com Deus em línguas misteriosas e que não exige interpretação, pois só Deus e os anjos entendem. A ideia não é interpretar a Bíblia Sagrada, mas apenar observar como, as diferentes interpretações para um simples trecho, podem gerar fanatismo e abuso religioso.

A ideia de "Pentecoste", como festa religiosa, pode ser encontrada em diferentes civilizações, em especial para agradecer e festejar as boas colheitas. Tanto na civilização ocidental, quanto na oriental e também entre os povos pré -colombianos, sempre houve as festas das colheitas. 

Desde os gregos, romanos, hebreus, egípcios, hindus, chineses, Incas, Maias, Astecas entre outros, surgiram os rituais devocionais para agradecer as colheitas da uva, olivas, trigo, arroz, aveia, milho e outros grãos.

Para os judeus, pentecoste era a festa da boa colheita do trigo. Depois foi adaptado pelos primeiros cristãos, o calendário de pentecoste era relativo aos 50 dias após a páscoa. Momento relacionado à celebração do Corpo de Cristo (Corpus Christi). A Eucaristia, que representa a presença de Jesus Cristo (símbolo do pão e do vinho), consagração da vida em Cristo.

De acordo com os Atos dos Apóstolos, os discípulos receberam o Espírito Santo através de sinais extraordinários, ganhando coragem e o dom de falar várias línguas para espalhar o Evangelho. Se formos para Velho Testamento, em Jó, existem passagens sobre a "língua dos anjos".

Parece até que os escritos do Novo Testamento, enviado de relações ao judaísmo do Velho Testamento, foram tentativas frustradas de convencer os judeus sobre a presença sagrada de Jesus enquanto o filho de Deus.

Como não conseguiram, foram colando a sua realidade religiosa romana, fragmentos proféticos do Antigo Testamento, dando a entender que Jesus Cristo era o filho de Deus, que nasceu de uma virgem e sacrificou como o cordeiro de Deus para retirar os pecados do mundo.

Parece que os apóstolos do Novo Testamento (Paulo, Marcos, Mateus, João Batista, entre outros), estão tentando convencer Judeus, Romanos, Gregos e outros povos, sobre a verdade sacra de Jesus Cristo, mas sem a obtenção clara de êxito. Pois em quase todos os lugares, o cristiano foi introduzido através da imposição da força e do colonialismo cultural.

Sempre tive a curiosidade de entender aquelas vestes vermelhas dos padres, bispos, e celebrantes das palavras de Deus. Parece até que simbolizam o fogo, a chama divina. Esse fogo das velas acesas, como se representasse a própria língua de Deus e a pomba branca da paz, como sendo a maternidade do Espírito Santo, voando sobre a cabeça dos fiéis, enquanto os incensos e o vento espalham a fumaça de mirra e outras essências, representasse o sopro da vida e a línguagem do amor.

Como disse o poeta Luís de Camões, "Amor é fogo que arde sem se ver", estivesse falando apenas do amor puro? Nesse sentido, segue Renato Russo e Monte Castelo: 

Ainda que eu falasse a língua dos homens /E falasse a língua dos anjos /Sem amor eu nada seria

É só o amor, é só o amor /Que conhece o que é verdade /O amor é bom, não quer o mal /Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver /É ferida que dói e não se sente /É um contentamento descontente /É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens /E falasse a língua dos anjos /Sem amor eu nada seria

É um não querer mais que bem querer /É solitário andar por entre a gente /É um não contentar-se de contente /É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
 /É servir a quem vence, o vencedor /É um ter com quem nos mata a lealdade /Tão contrário a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem/Agora vejo em parte /Mas então veremos face a face

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens /E falasse a língua do anjos /Sem amor eu nada seria..

Parece que Russo estava inspirado, estivesse querendo compreender essa tal "língua estranha dos anjos" e pode ter deixado uma grande mensagem, até certo ponto, a ideia de amor como algo sagrado.

São muitos símbolos do sagrado, mas a palavra de Deus, "as línguas estranhas", é uma espécie de fanatismo religioso, inclusive como a ideia de nascimento da Igreja Católica Apostólica Romana. Assim, séculos depois do início do Protestantismo de Martin Lutero, os evangélicos dos EUA, no início do Século XX, retomaram a ideia Pentecostal de resgate das "línguas estranhas".

Para a Geopolítico de dominação pela fé, os movimentos religiosos protestantes, saíram dos EUA, em diferentes missões pelo mundo, desembarcando nos países da América Central e do Sul e na Ásia e Oceania. Uma das armas escolhidas era o transe espiritual em que repentinamente, o pastor ou o pregador, incorporava o espírito santo e começava a falar as línguas estranhas.

Relatos históricos confirmam que essa experiência foi um desastre de comunicação religiosa, em especial na Índia, China, Indonésia, Japão e Coreia. A dificuldade com os idiomas locais e as manifestações de uma minoria falando em "línguas inelegíveis" foi vista como loucura e alucinação. 

Na América Latina, no começo do século XX, tivemos uma grande onda de evangelismo vindo dos EUA, entre os grupos, se destacaram: "Assembléias de Deus", "Congregação Cristã no Brasil" e "Igreja do Evangelho Quadrangular". Já criadas no Brasil, se destacam a "Igreja Pentecostal Deus é Amor" e "O Brasil Para Cristo".

Na mesma linha surgiram novas denominações como: os Neopentecostais: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus e Igreja Internacional da Graça de Deus.
Estas igrejas se transformaram em verdadeiros impérios religiosos e para além das ideias de "dialogar diretamente com Deus", desenvolveram novos fundamentos como "as teologias da prosperidade", onde os fiéis ofertam bem a Deus e receberão em dobro. É uma experiência puramente material, onde você pode colocar dinheiro em uma "fogueira Santa" e quanto mais você colocar, mais Deus te dará de volta.

Os movimentos neopentecostais, deram continuidade às ideias pentecostais de "falar em línguas estranhas", de curas milagrosas e da realização de desejos dos fiéis, como cura de pessoas doentes, "operações espirituais", e incêndios espirituais com muita música, danças e alaridos divinos, com transe coletivo, imposição de mãos dos pastores e bispos sobre os fiéis.

Nesse sentido, muitos católicos que já haviam migrado para as igrejas evangélicas históricas, dessa vez, migraram para as congregações neopentecostais. Nesse jogo de poder religioso, perderam fiéis os católicos e os protestantes tradicionais.

Bem antes dos neopentecostais a grande onda evangélica em países da América Latina de tradições católicas, foram chegando em países como o Brasil de maneira crescente, se instando tanto em áreas urbanas quanto em áreas rurais aos exemplos: 
1) Igreja Presbiteriana - baseada na teologia reformada (calvinismo). Enfatiza a soberania absoluta de Deus e a eleição divina; 
2) Igreja Batista - enfatiza a autonomia da igreja local e o batismo por imersão de pessoas adultas ou que tenham discernimento; 
3) Igreja Metodista - fundamenta-se na teologia arminiana, enfatizando o livre arbítrio, a graça de Deus acessível a todos e uma forte busca pela santificação prática; 
4) Igreja Luterana - baseada em Martinho Lutero, foca na salvação unicamente pela graça e pela fé, valorizando a justificação do pecador.

A própria igreja católica tentou reagir à fuga de fiéis, introduzindo um movimento de "renovação carismática", com rituais alegres, liberdade para os jovens católicos organizarem conjuntos musicais, para cantarem durante as missas, com missas embaladas por padres cantores, orações festivas, toques alegres entre os fiéis, hinos religiosos com palmas, imposições de mãos e braços e até movimentos de dança ou louvação repleta de alegria ou da "graça de Deus".

Música de compositores populares com teor religioso passaram a ser ouvidas em meio às missas. Ao exemplo de Roberto Carlos, Renato Russo e outros. Os padres compositores, a música gospel, as missas campais e as visitas papais aqueceram o movimento carismático na América Latina.

Enquanto isso, os grupos evangélicos Neopentecostais, passaram a atuar em grandes redes de TV, rádio e internet. Utilizando os meios de comunicação e plataformas digitais para expôr o interior de suas igrejas, lotadas e gigantescas, onde pastor é confundido como "Pop Star", fazendo pregação agressiva, falando abertamente em dízimo, oferecendo caneta ungida, feijão ungido, vassoura ungida, recebendo ofertas do fiel, diretamente pelo cartão de crédito e o usando cada vez mais o velho testamento como se fosse uma sinagoga judaica.

Nesse momento estas igrejas neopentecostais já estão seguindo uma nova abordagem religiosa. Agora falam diretamente sobre o envolvimento político e pregam a "teologia do poder de Deus" em todas as esferas de poder político, econômico e sociocultural. 

Esse é o nosso atual estágio e por incrível que pareça, todo esse movimento está diretamente vinculado às doutrinas norte americanas de que é vontade de Deus que os EUA governem todo o mundo ("Doutrina Manifesta") e a Doutrina de Segurança Nacional, em que as Américas são dos EUA.

A dominação pela fé, que o império romano introduziu com a criação da Igreja Católica Apostólica Romana, que se dividiu com a ortodoxia e depois, com o protestantismo (Luterano, Calvinista e Anglicano). 

Depois , mesmo, com centenas de denominações, todas apostam em fiéis como ovelhas mansas e obedientes aos seus padres ou pastores, servos e tementes a um Deus que "fala em línguas estranhas" e só salvará alguém milhares de anos, após a sua morte e em um Grande Tribunal Chamado de "Juízo Final. Será que uns poucos iluminados aprenderam a falar com Deus, mesmo sem entender o que dizem?

Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais. Fontes: Henrique Caldeira, História Estranha (Youtube); Renato Russo (Letras); Bíblia Sagrada on-line.