terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Do Sujeito de Sorte a Regra de Três Simples.

.  Por Belarmino Mariano*

No Brasil de 1976, em pleno período da Ditadura Militar (1964-1985), estágio ou exercício do Ato Institucional Número 5 (AI-5), em vigor desde 1968, endurecia ainda mais a ditadura. Mesmo assim, o poeta e compositor Belchior Antonio Carlos, entregou para seu público, a composição "sujeito de sorte".

Muitos podem até achar que se trate de uma metáfora simples sobre a morte e até certo ponto é, mas em uma ditadura violenta e sanguinária, que perseguia, prendia, torturava até a morte e depois desaparecia com o corpo, para continuar torturando o psicólogo da família, a Música Popular Brasileira (MPB) não era apenas linguagem metafórica.

Mas vamos à poesia dessa composição, que parece até com uma conversa incidental de barzinho, acompanhada de um velho violão e de um cig4rr0 acesso em plena madrugada, conza e fria, enquanto a cachorra do f4sc1sm0 ladrava madrugada a dentro em pleno cio:

"... Presentemente, eu posso me
considerar um sujeito de sorte
porque apesar de muito moço
me sinto são, e salvo, e forte
… E tenho comigo pensado,
Deus é brasileiro e anda do meu lado e assim já não posso sofrer
no ano passado
… Tenho sangrado demais
tenho chorado pra cachorro
ano passado eu morri
Mas esse ano eu não morro...".

E a composição é basicamente isso, uma simples construção com três estrofes e como em um mantra budista, se repete por 15 vezes. Um recado curto, grosso e poético, certamente para os que achavam que tinham o poder e o direito de matar a sangue frio.

Daí a ideia de relacionar Belchior às operações matemáticas, como a regra de três ora simples, ora composta e também complexa. Não que tenha algo de formação acadêmica com física ou matemática, mas pelo fato de escrever contas poéticas com maestria de quem quer esconder até as coisas mais simples.

A biografia de Belchior (1946-2017), aponta para um cearense com muita erudição nas áreas de filosofia, línguas e artes. Apesar de não ter concluído nem um curso superior, foi aprovado em primeiro lugar para Medicina na UFC, em 1968 e cursou por quatro anos, até 1971, quando abandonou a faculdade de medicina para seguir a vida como poeta, compositor e cantor.

Mas vamos insistir nessa comparação do Belchior com a matemática em tempos de autoritarismo. No mundo da matemática existe a regra de três simples que consiste em uma forma de descobrir um valor a partir de outros três, divididos em pares relacionados cujos valores têm mesma grandeza e unidade. Assim, de cara, confesso que não entendi nada, mesmo assim, seguirei com essa operação.

O sujeito, a sociedade e o estado repressor se encontram nessa operação de vida e/ou morte e, nessa expressão aparece um sujeito sinistro identificado com o Agente (X), que pode ser identificado como aquele que ocupa o lugar de um dos três até que se chegue ao denominador comum e correto. Esse parece ser o X da questão.

Além da regra de três simples, existe também a regra de três composta. "Mas aí já são outros 500". Por enquanto vamos ao sujeito de sorte, no álbum Alucinação (Philips, 1976), já avisando que teve vários trechos censurados pela Dita-Dura.

Assim como as letras na matemática (B+A sobre 2X), para muitos, não faz sentido o cara morrer no ano passado, mas não morrer nesse ano. Em 1976, o Brasil completava 12 anos de chumbo grosso do Regime Autoritário. Belchior, que havia nascido em 1946, estava com 30 anos de idade, tempo considerado como a melhor idade de um homem. Mas aquele tempo perverso conspirava contra suas liberdades plenas.

E o X da questão era observar que seus amigos estavam sendo perseguidos, presos, torturados, desaparecidos ou mortos. Então, para ele, que no ano passado "escapou fedendo", morrer ou não morrer, parecia uma questão de sorte e, em um país profundamente "Cristão", Jesus Cristo só poderia ser brasileiro e parece que assistia tudo de cima do muro.

E como em uma regra de três simples, Belchior repetiu várias vezes, o que podemos considerar como a estrofe central: "… Tenho sangrado demais
tenho chorado pra cachorro,
ano passado eu morri
mas esse ano eu não morro...".

O (AI-5) entrou em vigor em 13 de dezembro de 1968, durante o governo do marechal Artur da Costa e Silva, aprofundando a repressão, fechando o Congresso Nacional e suspendendo as garantias constitucionais como o habeas corpus e a completa ruptura democrática. Com esse ato institucional, os militares estavam acima da lei e da ordem e tinham a sentença até para matar em plena luz do dia.

A regra era simples, duas ou três pessoas reunidas com um violão e cantando canções da América em um barzinho da periferia, poderiam ser considerados como comunistas subversivos, levados a força para alguma delegacia e depois transferidos para um dos porões da Ditadura Militar.

Pesquisas historiográficas sobre música popular brasileira (MPB), dão conta que o álbum Alucinação (Philips, 1976), de Belchior, sofreu várias censuras prévias e cortes em faixas específicas pelos censores da ditadura militar. Em especial nos trechos sobre "desaparecimentos" e "tempos estranhos" foram vetados, forçando Belchior a modificar letras para liberação, como ocorreu na música "Apenas um Rapaz Latino-Americano". 
A própria música "Sujeito de Sorte" parece que foi completamente amputada, pois o estilo poético de Belchior era de grandes composições, profundamente detalhadas, com letras rebuscadas ao exemplo da 
composição: "Velha Roupa Colorida" (1976), em que uma canção aparente simples e indetectável pela censura, consegue trazer para a realidade brasileira, uma operação metafórica e filosófica de um diálogo entre (Blackbird - O Corvo), do poeta Norte-Americano Allan Poe, em que, Belchior cria um diálogo literário com Luiz Gonzaga (Assum Preto) e sua condição degradante de prisioneiro que teve os olhos furados pelo seu criador.

"O Assum Preto", de Luiz Gonzaga, símbolo do sertão, preso na gaiola e com os olhos furados, a cegueira representa a realidade crua e a dor, a metáfora de sofrimento e perseguição que cantores e compositores passavam com a ditadura militar.

Daí a ideia central em ser obrigado a escrever composições com mensagens subliminares, confundindo os censores e obrigando o público a interpretação matemática da letra. O poeta e compositor era obrigado a arriscar a própria vida ao driblar a censura, se colocando na posição de o X daquela difícil operação, aparentemente simples, porém composta de agentes militares fortemente armados e prontos para atacar.

Como um compositor sensível, complexo, profundo, filosófico e crítico da realidade, certamente sofreu muito durante a ditadura militar, assim como muitos outros, ao exemplo do paraibano Geraldo Vandré que, três anos depois (1979), foi durante perseguido, preso, censurado e torturado pelo regime autoritário brasileiro, simplesmente por escrever "pra não dizer que não falei das flores", que ao longo dos anos "cinzas", se tornou o hino contra a repressão do regime militar.

Em 2026, estamos há dois anos dos 60 anos do AI-5. Enquanto isso, jovens e outros populares brasileiros continuam com dificuldade em matemática e vivem escutando muita música porcaria. Esse é o X da questão. Idiotizados pela grande mídia e Internet, se acham fodásticos do pedaço. Enquanto isso, golpistas, ditadores, n4z1s e corruptos continuam em diferentes esferas do poder, com apoio da grande mídia e livre acesso na internet, ameaçando nossa democracia e a soberania nacional em conluio com outros ditadores genocidas.

*Por Belarmino Mariano. Da Série Antes Que Seja Demais. Imagens das redes sociais.
Fonte: letras de Belchior. Canal Musicália (YouTube, 09/12/2016).

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Homens de Pouca Fé - Machado de Assis, Chico César e Zeca Baleiro entre Deus & o Diabo.

.  Por Belarmino Mariano*

As vezes, autores do final do século XIX e início do século XX, influenciaram gerações por décadas e séculos. Acredito que Machado de Assis tenha sido um deles, pois deixou um dos maiores legados da literatura brasileira.

Aqui a ideia é trazer dois parceiros da Nova MPB, Chico César e Zeca Baleiro, para analisar se foram influenciados por Machado de Assis, usando como exemplos o conto "a Igreja do diabo"(Machado); a composição de Chico, "Perto demais de Deus" e a de Baleiro "Heavy Metal do Senhor"

A Igreja do Diabo é um conto escrito por Machado de Assis, em 1883, para o Jornal A Gazeta de Notícias. Na obra, o diabo resolveu fundar a sua própria igreja e utilizou a linguagem da lógica racional e coerência argumentativa para convencer os fiéis de que, seus vícios, crimes e pecados são partes da natureza humana e devem ser compreendidas enquanto virtudes a serem seguidas.

Os sete pecados capitais estão diretamente relacionados aos comportamentos humanos, todos justificados pelas atitudes e comportamentos sociais. A moralidade e a imoralidade estão no cerne das questões machadianas sobre os vícios e pecados humanos.

A Igreja do Diabo está dentro de cada prática da religião, pois não importa se é o pecado da: cobiça, gula, inveja, ira, luxúria, soberba ou traição aos pais. De alguma maneira, você estará fadado a cometer qualquer um ou mais de um desses pecados em diferentes momentos de sua vida.

Nos irônicos argumentos de Macho de Assis, o diabo com sua linguagem rebuscada convence os fiéis que os pecados, na verdade, são virtudes que estão na natureza humana e com as quais devemos lidar com tranquilidade. Mas em algum momento, a ilusão e falseamento da realidade poderá ser percebida e a doutrinação diabólica poderá cair por terra.

Parece até que Machado estava escrevendo para hoje, pois estamos diante de narrativas e de pastores cristãos que cometem todos os pecados capitais de maneira turbinada, assim como levam seus fiéis às mesmas práticas. Na atualidade, as teologias, da prosperidade e/ou do poder político, com o envolvimento de igrejas em corrupção, desvio de dinheiro público, exploração política, econômica e espiritual dos fiéis, dão o tom de muitas congregações religiosas.

Na letra da música "Perto demais de Deus", o cantor e compositor Chico César, faz alertas semelhantes aos de Machado de Assis, bem realista e com fortes argumentos que não são apenas retóricos. A ideia central é de que, "essa gente é o diabo e faz da vida de Deus um inferno". 

Chico não faz o papel diabólico de convencer as pessoas sobre seus pecados, enquanto virtudes, mas sobre um Deus que vive sufocado diante de fiéis completamente mergulhados em pecados e perturbando Deus em todos os momentos.

Chico, diferente de Machado, apenas observa que: 
"Tem gente perto demais de Deus; Tem gente que não deixa Deus sozinho; e diz Deus ilumine seu caminho(...).
E guarda Deus na cristaleira;
Cristo perto dos cristais;
Cristo assim perto demais
Cristo já é um de nós
Carne e osso pão e vinho" (...)

Os fiéis e religiosos, estão constantemente voltados para os exageros religiosos, onde Deus virou um misto de imagem, representação e constantemente, uma espécie de empregado dos caprichos, desejos e necessidades humanas.

Chico César está convencido que: "Tem gente que não deixa Deus em paz; Tem gente incapaz de viver sem Deus;
E o trata como um funcionário seu; Deus me livre, Deus me guarde, Deus me faça a feira
Cristo dentro da carteira
Dez por cento rei dos reis
Cristo um conto de réis
O garçom não a videira
Essa gente é o diabo
E faz da vida de Deus um inferno (repete três vezes e repete os estrofes anteriores)".

No conto de Machado de Assis, o Diabo organiza sua própria igreja e com dogma e doutrinação, tenta convencer os fiéis de que, o que a Igreja do Senhor considera pecado capital, ele ensina como virtude a ser seguida e praticada sem medo, dó ou piedade. Na Igreja do Diabo "é proibido proibir", em um misto de pesnse, sinta e faça o que der vontade ou vier na cabeça.

Na composição "Heavy Metal Do Senhor" (Zeca Baleiro), afirma que: "O cara mais underground que eu conheço é o Diabo
Que no inferno toca cover das canções celestiais
Com sua banda formada só por anjos decaídos
A platéia pega fogo quando rolam os festivais (...)

É uma composição musical ao estilo rick mental pesado, mas a letra é conto perfeito, poesia irônica e crônica das diferentes imagens que temos sobre as ideias de Deus, Diabo e pecado original. "Sexo, Droga e Rock and roll". Não se trata de um rock ou banda satanista, como alguém poderia pensar, mas a ideia é humor, sarcasmo e ironia, diante de figuras que condenam comportamentos ou padrões estéticos em relação ao gosto musical de cada um. 

Inclusive, existem discursos de ódio pregados em púlpitos e altares, contra os velhos ateus, afirmações de que ateus são satanistas, adoradores do diabo e a ideia de rock como música do satanás.

Mas, nas últimas décadas, os cantos dominicais, os corais de jovens vestidos de anjos celestiais, estão perdendo espaço para bandas golpel que tocam rock pesado, durante as missas e cultos evangélicos. 

Também é uma observação de experiências religiosas para atrair jovens para os púlpitos e palcos de fé. Em algumas denominações neopentecostais, observamos bandas musicais tocando músicas ou hinos religiosos aos estilos do rock, forró, sertanejo etc. O que era considerado mundano, imundo e infernal, passou a servir de chamariz religioso.

Na segunda parte de música Baleiro, aponta um paradoxo entre Deus e o Diabo ao afirmar que: "Enquanto isso Deus brinca de gangorra no playground do céu com santos que já foram homens de pecado
De repente os santos falam: Toca, Deus, um som maneiro
E Deus fala: Aguenta, vou rolar um som pesado
A banda cover do Diabo acho que já tá por fora
O mercado tá de olho é no som que Deus criou
Com trombetas distorcidas e harpas envenenadas
Mundo inteiro vai pirar com o heavy metal do Senhor" (...).

Durante séculos a igreja queimou pessoas na fogueira por identificar que estava em pecado. Mulheres eram queimadas vivas, pois eram vistas como bruxas, feiticeiras ou enviadas pelo diabo para atentar o homem. Cientistas iam para a fogueira, simplesmente por descobertas científicas que contrárias as doutrinas e aos dogmas religiosos.

No século XX, estilos musicais como o "Rock and roll ou heavy metal" eram considerados "coisas do diabo", pecado que era condenado por padres e pastores cristãos. Mas, em algum momento, "as trombetas distorcidas e harpas envenenadas", começaram a fazer parte da literatura musical e da liturgia em algumas denominações protestantes e católicas.

Então, se o Rock and roll ou heavy metal eram músicas de protesto do pós segunda guerra mundial (1939-1945), ganhando espaço na discografia e festivais a partir das décadas de 1950-1990, no século XXI, entraram nas igrejas neopentecostais pela porta da frente, atraindo jovens e originando o estilo rock gospel.

Outro fenômeno religioso, mais recente é o uso de linguagem diabólica dentro dos templos evangélicos, em que, pastores, comandam shows músicas, além de invenções em que, pessoas contratadas encenam que estão incorporadas pelo diabo e esse maligno, geralmente fala diretamente do púlpito e no microfone da igreja, são transmitidos ao vivo e a cores, usando línguas estranhas e fazendo ameaças aos fiéis que não estejam cumprindo os mandamentos e não depositem as oferendas e dízimo.

Hoje em dia se fala em "shopping da fé", onde tudo é por dinheiro, prosperidade e poder, inclusive com muitos religiosos se transformando em políticos, formando poderosas bancadas parlamentares evangélicas e ocupando cargos de poder em diferentes esferas. Pastores e bispos são donos de partidos políticos e dentro das igrejas, parece que ocorrem verdadeiras lavagens cerebrais em prol da extrema direita.

Na atualidade é comum vermos movimentos políticos, com pastores induzindo fiéis a fazerem armas dentro das igrejas, estimulando o ódio, com as bíblias em punho e pedindo intervenção militar, com a volta da ditadura e perseguição ao estado laico e democrático.

Nestes dias, vi evangélicos com bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, os dois países que mais alimentam guerras e genocídios contra a humanidade. Isso mesmo, protestantes apoiando o sionismo, parece uma disfunção cognitiva, pois na própria bíblia fixa claro que a crucificação de Jesus foi uma exigência dos religiosos judeus e que até hoje consideram Jesus Cristo um impostor e falsário.

Quem é o diabo, diante de pastores que organizam bancos digitais, ao exemplo do Banco Máster do Pastor Daniel Vorcaro e/ou o Clava Forte Bank (fintech) do pastor André Valadão, da igreja da Lagoinha. Essas instituições financeiras, comandadas por pastores, estão envolvidas no maior escândalo de fraude financeira do Brasil, inclusive roubando dinheiro de aposentados pelo INSS.

Mas eles não estão sós, inclusive, contam com a participação de dezenas de políticos da extrema direita e da bancada evangélica, com líderes de partidos do centrão, prefeitos, governadores, deputados federais e senadores da direita e extrema direita, então fica a questão: Machado foi assertivo ao escrever um conto sobre a ideia de uma igreja do diabo e se sim, será que influenciou o Chio e o Baleiro em suas composições sobre o tema?

*Por Belarmino Mariano - Série Velho Ateu. Imagens das redes sociais.
Fonte: Musixmatch; Aventuras da História e Zeca Baleiro Letras.

1572 - Massacre da Noite de São Bartolomeu

.  Por Edvaldo Carlos de Lima*

Você ja ouviu falar no Massacre da Noite de São Bartolomeu. Em 24 de agosto de 1572, os católicos franceses que enfatizavam as boas ações do cristianismo, atacaram comunidades de compatriotas protestantes, que ressaltavam o amor de Deus pela humanidade.

Nesse ataque foram assassinados entre 5 mil e 10 mil protestantes em menos de 24 horas. Quando o papa em Roma ouviu as noticias vindas da França, ficou tão contente que organizou orações festivas afim de comemorar a ocasião e contratou Giorgio Vasari para decorar um dos aposentos do Vaticano com um mural que retratasse o massacre (o aposento atualmente está fechado à visitação pública).

Mais cristãos foram mortos por outros cristão naquelas 24 horas do que pelo Império Romano politeísta em toda a sua existência. Para mais informações sobre a violência do Cristianismo, leia Yuval Noah Harari, 2020). Um abraço a todos e todas.

*Edvaldo Carlos de Lima (Sério o Velho Ateu). Prof. PhD de Geografia Agrária pela UEPB, Campus I.
Fonte: https://www.facebook.com/share/p/1Ddn7UfJ2d/

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

"AI politics and fake news in Brazil. IA, política e fake news no Brasil".

.   Por Belarmino Mariano*

Aqui não é nada contra a Inteligência Artificial (IA), mas será que você está preparado para uma tempestade de fake news em 2026? Com o crescimento e uso da IA na internet, o Brasil já se tornou um verdadeiro líder mundial e olha que o controle das IA's é totalmente imperialista.

As redes sociais, portais, big tech, internet, intranet e hacker são territórios sem lei e com grande movimento de capital livre de impostos e operado por criptomoedas, ouro e outros patrimônios fácil fluxo. "A sua ideologia é o caos, pois assim se ganha mais dinheiro.

As Fake News (notícias falsas) serão e já são tão violentas, que a verdade terá dificuldade de se estabelecer, de ser encontrada e talvez nem exista mais como pensávamos. Fakes com: "Banheiro unissex nas escolas e universidades"; "mamadeira de p1r0ca" ou "morte de Lula, com sósias ocupando o Palácio do Planalto", serão fichinha, parecerão piadas de mau gosto, diante das novas fakes que já estão abalando bolsas de valores, blocos econômicos e noticiários em telejornais ou telemarketing para derrubar governos ou marcas globais, enquanto facções criminosas luceam fácil.

Basta observar os bilhões de acessos e desdobramentos da fake do Deputado de extrema direita Nikolas Ferreira do PL em  janeiro de 2025,  sobre o fim e/ou a taxação do Pix. Essa mesma fake abalou a política econômica do governo Lula e beneficiou fintechs, organizações criminosas e governos estaduais ligados ao esquema.

Agora em janeiro de 2026, novamente, voltou a ser reeditada, com o escândalo do Banco Master e a CPMI do INSS que chegou aos super Pastores e a vinculação com o Banco Master, políticos da extrema direita, pastores, fintch clava forte, pastor André Valadão, Banco Master, Nikolas e os líderes de partidos da extrema direita.

Páginas de fora do Brasil, alimentadas com força máxima, já estão trabalhando em uma "guerra de destruição de reputação e imagem", serão repercutidas por mídias e redes sociais internas em uma repetição permanente que não teremos como combater.

As grandes redes, plataformas e portais, pagarão por curtidas, links, conteúdos compartilhamentos da extrema direita. Enquanto isso, essas mesmas redes ganham por impulsionamentos dos produtores e propagadores de fake news. Uma troca perfeita 

Não foi atoa que o Congresso Golpista e Inimigo do Povo, fez um gigantesco lobby contra a regulação das redes sociais. Na atualidade, enquanto as big techs controlam, fream, bloqueiam influenciadores e portais de esquerda, os extremistas de direita seguem livres, keves e soltos postando as fake news mais estapafúrdias da atualidade.

Não sei vocês, mas em todos os dias, recebo sugestões de páginas, contatos e materiais de extrema direita, políticos e influências que atacam a imagem do presidente Lula e com informações fake contra ideologia de esquerda e é proposital e de manipulação constante.

O mais grave é a dissimulação, ou narrativas que parecem análises políticas sérias, com base em fatos reais, mas completamente distorcidas. Essas vão desde fatos históricos, análises de economia, política e até mesmo situações familiares com discussão de ética, moral e conservadorismo.

As big techs, através da IA, dominam tudo e estão 24 horas por dia, todos os dias, programadas para fazer esse trabalho sujo. Hoje recebi a sugestão de um vídeo, aparentemente sobre a história de Hitler e Mussolini, dando informações históricas, mas ideologicamente, lhes colocando como líderes que tinham o propósito de recuperação do mundo corrompido pelo comunismo ateísta.

Páginas de políticos e apoiadores de extrema direita, com narrativas fakes são insistentemente sugeridas e mesmo que a gente denuncie e bloquei, elas voltam insistentemente. Enquanto isso, os nossos artigos e críticas são bloqueados até mesmo entre familiares e amigos. Estamos sendo isolados neste mar de merd4 e lama do "excremento direita".

As esquerdas brasileiras, o governo Lula precisam de estratégias seguras, pois a extrema direita não está de brincadeira. São ideologicamente nazif4sc1stas e farão de tudo para instalar o caos mundial e o Brasil é o maior alvo do Sul Global. Eles controlam tudo e na medida em que perdem espaços de poder, irão usar todas as suas armas para transformar qualquer democracia ou ordem coerente.

Por Belarmino Mariano. Série Pavio Curto. Imagens das redes sociais. Fonte: Brasil 247, Brasil de Fato, G1, CNN Brasil, BBC Brasil, Plantão Brasil, DCM.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Reflexão sobre a Humanidade

A verdadeira humildade é... dar o melhor de si, sem se sentir melhor que os outros.
É ter consciência de suas qualidades, mas reconhecer que tem muitos defeitos também.
Mostrar seus talentos, sem querer abafar os talentos dos outros.
Dar sua opinião com a mesma disposição de ouvir a opinião dos outros.
Saber reconhecer que os outros podem estar certos.
É você admirar os outros pelo que eles fazem, sem esquecer que você também é capaz de fazer coisas maravilhosas.
Aceitar cargos importantes, mas fazer deles uma maneira de servir ainda mais...
Ajudar a quem precisa sem pensar em agradecimentos.
Aceitar a vontade de Deus, sem abrir mão da sua responsabilidade de tomar decisões e fazer a sua parte.
Ser capaz de aprender com os outros, sem perder sua identidade própria.
Aprender a conviver com todas as diferenças.
Saber viver na simplicidade sem sentir-se superior àqueles que são apegados às coisas.
Olhar para frente e seguir adiante, sem esquecer quem está do seu lado.
Oferecer aos outros o que você tem de melhor, sem impor-se a ninguém.
Escalar as alturas, sem pisar em ninguém.
Não depender de elogios nem recompensas para fazer o que é certo.
Saber que a santidade só faz sentido nas convivências com as pessoas.
A verdadeira humidade é você ser com uma flor, frágil e efêmera, que desabrocha beleza e exala perfume para todos os lados.
É no momento certo, saber virar as costas para o que não lhe diz respeito.
(desconheço autoria) - Via Vânia de Farias Castro 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Fixos e Fluxos de uma Curta Experiência em Existir

Por Belarmino Mariano*

Hoje acordei cedo, mas os pássaros já estavam cantarolando nas árvores do quintal. Em um ritual matutino fui até o banheiro e, ao expelir significativa quantidade de líquido da uretra, senti um alívio da pressão dos líquidos e sais minerais consumidos e processados na noite anterior.

Sou de 20 de janeiro de 1964. Poderia ter sido batizado como Sebastião Belarmino, mas minha mãe tinha pena de São Sebastião e suas flechas romanas transpassadas ao corpo amarrado em um tronco. A crueldade humana e sua estupidez religiosa que deu para Tião o mesmo tipo azar de Jesus Cristo e pelas mãos dos seus patrícios.

Hoje, 21 de janeiro de 2026 (DC), o primeiro dia de aulas do nono ano escolar da minha caçula Luisa Gomes. Ela me acordou bem cedo, com a sua ansiedade adolescente, enquanto eu, ancião, tentei despertar para as obrigações de um pai quase avô.

Ao acordar do curto espaço, tempo de sono, lavei bem o rosto com a água fria, vinda da torneira. Nesse ritual gostei de sentir bem a caveira dentro de mim. Ao encher as mãos com o líquido sagrado que escorre por entre os dedos e se sente ao contato da pele, os ossos cranianos por entre a maçã do rosto e as bordas dos olhos.

Esse banho facial de água fria e fluida, me ajudou a despertar e a sentir que ainda estou aqui. Pelo menos a sensação de caveira a fixar a minha existência ao mundo. 

Tinha ido dormir depois da meia noite, portanto já era dia, em meio ao fluxo das horas e do próprio conceito de tempo que nunca me convenceu de sua existência há nos reinar como um Deus faminto e sedento.

No ciclo dos meus dias e noites, há dois anos entrei na série histórica 1964 até 6.0 e ontem completei 6.2, uma idade em que, o peso dos dias são declaradamente sentidos, mesmo que alguns considerem como força gravitacional puxando tudo para baixo, tirem o docinho do cardápio que o velho chegou.

Pensei em ainda estar vivo, pulsante e me preparando para mais um dia e uma noite, em um ciclo pulsante da existência. Um café forte e moído na hora, acompanhado por um prato de inhame com queijo de coalho e manteiga da terra. Uma fatia de bolo de massa de mandioca sem açúcar foi meu desjejum. 

Não sei por quais cargas d'águas, lembrei do escritor Franz Kafka, especialmente de forma literária e até mesmo filosófica, quando cunhou a frase: "Só há um ponto fixo. É a nossa própria insuficiência. É daí que é preciso partir". Lembrei que as repugnantes baratas voam, enquanto eu penso que sei voar. 

Não dá para saber o que Kafka estava querendo dizer exatamente, pois essa frase é parte de rascunhos e anotações de suas metamorfoses literárias. Entre seus rascunhos de pensamentos, outras ideias e sentimentos transcritos apontam para a busca da sua existência ou até mesmo de de uma consciência ou percepção essencial muito mais fluxos do fixos.

Não sei se buscava algum teorema matemático ou uma molécula imutável para a vida, capaz de nos colocar no mundo como se estivéssemos em uma Roda de Samsara, como previa os Vedas em seus escritos sânscritos, que chegaram até o budismo.

Talvez sejamos pontos matemáticos em um contínuo quântico, como afirma Brouwer em seu teorema: "sempre continuará a existir uma molécula, flutuando na superfície de um café mexido".

Pensei se tinha medo. Medo eu? Medo medo de quê? Medo até de sentir medo. Medo de culpa, medo de obediência cega, de gafanhotos e devoradores de templo da minha existência e medo do Deus Cronos a me devorar com sua boca de caos eterno.

Medo da barata de Kafka, mais medo ainda da repugnância voadora da barata voando na minha direção e do seu pouso catastrófico em meu braço. Que nojo e tudo era apenas pensamento maluco de está vivo e ter entrado na série sexagenária de minha rápida existência, sem saber ao certo como cheguei até aqui.

De uma coisa eu sei: "Só há um ponto fixo. É a nossa própria insuficiência. É daí que é preciso partir" (Franz Kafka), foi epígrafe do meu livro primogênito "Ecologia e Imaginário" sobre as ideias de natureza dos velhos e velhas, dos Cariris velhos da Paraíba.

*Por Belarmino Mariano. Da série no Cabo da Boa Esperança. Imagem das redes sociais.

Parece um Deus, mais como os Deuses, o Tempo não Existe.


Por Belarmino Mariano*

Aqui, diante de vazios paradoxais, enigmas filosóficos puros e mente primitiva, começo com um mantra oriental do budismo tibetano: "O que existe onde nada existe"?

O tempo nunca foi uma ciência exata, é apenas uma ilusão circunstancial de observação dos fenômenos cíclicos e repetitivos.

O tempo é uma ideia de longa repetição duradoura que se fragmenta em diferentes razões de coisas que não existem de fato.

Primeiro, começamos a observar a sequência de dias e de noites. De claro e de escuro, luz e sombras, em pingos distantes de luz que se movimentam ou estão parados. As aparências fascinantes dos fluxos e dos fixos.

Da Terra para o céu solar e do céu para a lua e outros pingos de luz, organizamos nossos mapas mentais de distâncias e de lonjuras. Assim, começamos a observar os outros animais e seus ciclos ou rotas migratórias. 

Ganhamos distâncias e sempre perguntamos, o que existe depois daquela montanha, depois daquele rio, depois daquele deserto, depois daquela floresta, do outro lado daquele mar ou oceano? 

Esse pergunta repetida milhões de vezes, geração após geração, vive latente em tidas as mentes. Como se fizesse parte do nosso consciente coletivo. Nos labirintos das nossas ideias e fluxos de pensamentos criamos uma incrível máquina que idealiza o tempo como se de fato existisse.

Imagine que ao voltarmos para a observação da noite, para a escuridão de onde estávamos, quando passamos a controlar o fogo, controlando a escuridão existencial, diminuindo a sensação do frio e aplacando o medo e os traumas das feras carnívoras. 

Imagino as noites calmas e ballet perfeito da lua, um farolete celestial, sempre nos guiando, enquanto ela é repartida em pedaços crescentes e decrescentes. Aí uma matemática primitiva da repartição da ideia de tempo. E na lua nova, a ausência de luz, enquanto o céu maior, se pintava de missangas brilhosas.

Quem controla tudo isso? Como faz e o que estamos fazendo aqui, enquanto observamos esses acontecimentos. Do medo de tudo, para o fascinante, complexo e inexplicável. Mesmo morrendo de medo de quase tudo, nos aventuramos em pensar e em dizer, bem como anotar. Então criamos nossa maior e primitiva ideia de tempo.

*Por Belarmino Mariano. Imagem do autor. Itaquatiara de Ingá/PB.