quarta-feira, 4 de março de 2026

Os Próprios Cristãos Confundem Tudo Sobre o Apocalipse e o Armageddon.

Por Belarmino Mariano*

Muitos cristãos imaginam que o Apocalipse, seja apenas um livro sagrado dentro do Novo Testamento, escrito pelo Profeta João, um dos apóstolos de Jesus, que já era adulto e viveu com Jesus e os outros apóstolos, mas só escreveu seus livros como: "Evangelho de João, três epístolas (I, II e III João) e o livro do Apocalipse durante seu exílio na ilha de Patmos (por volta de (95 d.C.).

Como poderia o apóstolo João, um homem adulto, pescador da Galileia e irmão de Tiago, ter participado do grupo restrito de Cristo, presenciando momentos cruciais como a Transfiguração, a Última Ceia e a Crucificação, tendo visto a Ressurreição e ainda ter vivido mais 95 anos, depois da morte de Jesus?

Se o apóstolo João tivesse uns 35 anos, quando Jesus foi crucificado, 35+95, daria 130 anos de vida. Se João tivesse escrito o Apocalipse no ano 65 d.C., ele teria morrido com 100 anos, mesmo difícil, até seria admissível. 

Mesmo assim, seria estranho, pois houve uma grande perseguição aos Cristãos, tanto pelos romanos, quanto pelos israelitas e João estava na linha de frente, ou na vanguarda do Cristianismo.

A outra questão que nos inquieta na atualidade é sabermos que os próprios Cristãos confundem eles próprios sobre a ideia de metáfora e realidade literal dos textos sagrados, como o Apocalipse e outros, sem ao menos fazerem uma exercício de raciocínio a respeito do significado e conceito para determinados termos bíblicos como: Apocalipse e Armageddon. 

O Apocalipse é o último livro do Novo Testamento da Bíblia Sagrada do Cristianismo, escrito pelo apóstolo João, cujo termo grego apokalypsis significa "revelação de Deus".

"O livro retrata uma revelação de Jesus Cristo dada a João sobre o fim dos tempos, a própria volta de Cristo, o juízo final e a criação de um novo céu e Nova Terra, trazendo esperança final aos fiéis e destruindo os infiéis no Armageddon final.

O que as pessoas não entendem é que Apocalipse é uma linguagem ou forma exagerada de escrever (hipérboles), apelando para fenômenos misteriosos, místicos ou mitológicos, sobre o futuro da humanidade pecadora e infiel a Deus.

Talvez, o que muitos cristãos não saibam, mais, os primeiros escritores com esse gênero literário apocalíptico, foi o Profeta Daniel no Antigo Testamento. Esse ideia profética arrebatadora, do fim dos tempos e da volta de Deus para julgar os pecadores infiéis.
Na mesma linha, iremos encontrar essas imagens e imaginações de linguagem apocalíptica nos profetas Ezequiel, Isaías e Zacarias. Todos focados nos pecados dos israelitas e prevendo um retorno de Deus, cujo objetivo é julgar os pecadores e purificar Jerusalém do mal.

Essa dialética do bem contra o mal e a humanidade totalmente perdida e dominada pelo demônio, precisando ser resgatada e salva espiritualmente. Inclusive, a ideia central é que Deus destruirá a Terra (Armageddon) e construirá uma Nova Terra, uma Nova Jerusalém, completamente livre do mal.

Então fica claro que, se o Apóstolo João teve forças para escrever esse livro, quando estava com mais de 100 anos ele não partiu do nada, ou apenas de sonhos e revelações divinas. Certamente, teve contato com as palavras do profeta Daniel e outros.

O livro é de uma linguagem simbólica, hiperbólica, imaginária e distópica (profecias apocalípticas). Diferente de muitas interpretações ou entendimentos sobre guerras humanas (geopolítica atual), o livro de João descreve "batalhas espirituais", "conflitos de egos dentro do próprio seres humanos e de sete igrejas e sete selos ou incógnitas, bem como, o Deus que volta a Terra para o julgamento do mal e finaliza com o Armageddon e o triunfo final de Deus.

Ou seja, o objetivo final é demonstrar que Deus vencerá o pecado e o mal, restabelecendo uma "Nova Jerusalém", não como um lugar, um país ou território entre vales e montanhas, mas um "Jerusalém Espiritual", onde não haverá mais dor ou morte para aquele passar pelo Juízo Final.

Logo, essas guerras geopolíticas, tanto do Antigo Testamento, quanto das Cruzadas medievais entre Cristãs e Mouros ou as atuais disputas entre sionistas, palestinos e/ou iranianos, com direto interesse do imperialismo dos USA e países da Europa, não se aplica em nada ao bíblico apocalipse.

Por que refletir sobre essas questões na atualidade? Bem simples, governos ditadores, extremistas de direita, que se dizem israelitas ou cristãs, utilizam determinadas interpretações da bíblia para justificar massacres, guerras, genocídios. Quando na verdade as guerras são puramente por interesses políticos, econômicos e territoriais.

Então provocam invasões, atentados, massacres de civis e propagam nos grandes meios de comunicação uma "batalha do bem contra o mal". Enquanto isso, pastores, padres e outros plebisteros entoam discursos de ódio, no final dos tempos, e da chegada do apocalipse e Armageddon final. 

Mesmo que o Apóstolo João (16:16), comente que os reis da Terra, liderados por forças demoníacas, se reúnem para guerrear contra Deus. Não podemos deixar o Islamismo de fora dessa perspectiva apocalíptica, pois é uma religião de descendentes de Abraão, mesmo que o patriarca tenha abandonado sua descendência de Ismael a própria sorte.

No Islamismo, o termo apocalipse (al-Qiyamah), explica sobre o fim dos tempos e o juízo final. No Alcorão os textos estão dispersos e focam na corrupção do mundo, o surgimento de Dajjal (falso profeta), o retorno de Jesus (Isa) e o dia do juízo final.

Nas três religiões monoteístas do Oriente Médio (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo), parece que o bem ou o mal, estão neles próprios e não na vontade dos seus deuses, mas em nome deles se matam e cometem todo tipo de atrocidades, para além do mundo espiritual. 

Aqui e agora a questão central é o dinheiro, o poder político e a disputa territorial aos extremos da irracionalidade, em que as armas de destruição em Massa, não foram enviadas por nenhum Deus. Logo, o tal Armageddon pode ser apenas mais uma invenção humana e Deus é apenas um bode expiatório da própria maldade humana.

*Por Belarmino Mariano. Da Série Paradoxos Bíblicos. Imagem das redes sociais.
Fonte: Bíblia On-line.
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