quinta-feira, 26 de março de 2026

A Páscoa como uma Metáfora de Ilusões

   Por Belarmino Mariano*

Jesus não tinha religião, nem deixou religião, mas foi um crítico ferrenho do judaísmo de sua época. Tanto foi que os judeus exigiram do império Romano a sua condenação e pena de morte por crucificação.

Para os judeus da época em que Jesus caminhava pelas ruas de Jerusalém, ele era um impostor e falsário, querendo se passar como o filho de Deus. 2026 anos depois e os judeus pensam a mesma coisa sobre Jesus.

Então, o que justifica, pastores que passaram a declarar apoio total aos governos sionistas e extremistas de Israel? Usam sua bandeira nacional e fazem apologia ao sionismo, afirmando que Jesus era um judeu. O fato de ter nascido na Palestina não tornaria Jesus um Judeu.

Depois de quase um século da crucificação de Jesus, o decadente império romano, em busca de unidade político cultural, inventou uma nova religião baseada em uma trilogia metafísica e mítica e colocou Jesus como filho de Deus, "o Pai, Filho e o Espírito Santo".

Para lhe dar uma base histórica, compilou alguns livros do Velho Testamento hebraico e assim foi fundada a Igreja Católica Apostólica Romana. Como o império era politeista, transformou apóstolos e discípulos em santidades e cada comunidade poderia escolher a Santidade de sua preferência.

Aos poucos Jesus Cristo foi se transformando no Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo e ao longo dos séculos, foi ganhando diferentes dogmas e configurações de fé e poder.

O Jesus do amor ao próximo, da comunhão e da compaixão, foi transformado no Senhor dos Exércitos, na glória eterna e no próprio Deus. Quando as coisas estavam erradas era a vontade de Deus/Jesus, para castigar os infiéis e pecadores. Quando davam certo era a Glória do Senhor.

Os dogmas e a manipulação da fé revestiu Jesus de acordo com os interesses e acordos das corporações e interpretação dada por diferentes denominações cristãs.

A Páscoa está chegando e dentro dela, existe um Jesus que não come bacon ou carne de porco. Na páscoa nenhum cristão deve comer carne.

Mesmo não sabendo sobre o café, existe um Jesus que não toma café, parece até que esse Jesus prefere chá. Juro que nunca entendi essa ideia de um Jesus Cristo que não aceita café em sua igreja.

Ainda tem um Jesus mais sofisticado e exigente com a estética dos seus fiéis, exigindo o uso de terno e gravata para os varões e uso de vestidos longos para as varoas.

Com base nos velhos livros de Malaquias que não tem nada haver com o Cristianismo, surge um outro Jesus que exige que você dê dinheiro para o pastor. Pode ser dinheiro vivo, débito em cartão de crédito, Pix ou outra modalidade, mas todos devem pagar seu dízimo e ainda fazer outros tipos de oferendas materiais como: carro, motos, casas, apartamentos, lotes etc.

Para completar, ainda tem um Jesus que exige que você vote em políticos da extrema direita. Que o pastor transforme a igreja em palanque e o púlpito em espaço sagrado para o pedido ou a exigência de votos, para os políticos do esquema do pastor.

Então esses diferentes tipos de Jesus, são todos criados por gente que usa Jesus para ludibriar você e a sua família. E não é um caso isolado, uma situação constrangedora que tenha sido superada pela própria comunidade religiosa.

Sem falar de um Jesus que adora doces e chocolates, que estimula o comércio e faz a alegria dos grandes empresários, em especial nas grandes redes de supermercado e lojas exclusivas. Nos pés dos pais, as crianças oram e clamam por um grande ovo de páscoa, geralmente de um coelho também de chocolate.

Nessa páscoa é bom que se diga, o Jesus que defendia os pobres e miseráveis, o misericordioso, da compaixão e do amor ao próximo, esse foi morto por crucificação a pedido das autoridades religiosas de Israel, o mesmo Israel que continua atacando nações vizinhas, ocupando seus territórios e massacrando os supostos "inimigos do seu Deus".

*Por Belarmino Mariano. Da série Paradoxos bíblicos. Imagens das redes sociais.

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