segunda-feira, 20 de julho de 2026

Os Argentinos chegaram a bordar a quarta estrela do tetra, mais perderam para los Hermanos Espanhóis.

Por Belarmino Mariano*

Os argentinos foram completamente beneficiados pela FIFA, pela arbitragem e pelo VAR, continuaram a ser na última partida contra a Espanha. Como em todos os jogos da copa 2026, os argentinos só ganharam graça ao roubo descarado e foi tanto que atraiu revolta até mesmo em alguns argentinos que chegaram a pedir desculpas ao mundo.

No jogo final da Argentina 0x1 Espanha, os espanhóis foram roubados em um gol anulado, com uma falta inexistente dentro da área, que o juiz anulou e o VAR não pediu revisão. Aí alguém pode dizer, deixa para lá, eles foram derrotados e voltaram para casa sem a taça.

Imagino se o primeiro gol espanhol anulado fosse feito pela Argentina? Certeza que seria válido, teria mudado completamente a correlação de forças. A Argentina que jogou o tempo todo na retranca, fazendo catimba e dando entradas violentas e fazendo simulações de faltas, não conseguiu êxito em sua tática antidesportiva.

Não podemos deixar para lá, pois esse esquema desonesto prejudica e coloca o futebol em descrédito. Também teve um pênalti para a Espanha quando seu jogador foi puxado pela camisa e derrubado na área. Nem juiz e nem VAR marcaram o penal. Falha da Comissão de arbitragem? Não, roubo mesmo.

Aí tivemos a expulsão do jogador da Argentina, ao finalzinho do segundo tempo, pois o jogador sul-americano deu uma entrada tão violenta no espanhol que rolou por mais de 1 metro. O Messi ainda pediu para juiz verificar no VAR. Mas foi uma porrada cinematográfica na frente do juiz. A expulsão foi demorada e ao final do segundo tempo com 0x0 no placar, a arbitragem deu 4 minutos de acréscimo e levou o jogo para a prorrogação dos 30 minutos.

Ou seja, o gol anulado e o penal não marcado em favor da Espanha, forçou o jogo para a prorrogação dos 30 minutos em dois tempos. No começo do segundo tempo, depois do bate-rebater na área dos argentinos, em segundos, os espanhóis fizeram o gol do título. 

Finalmente os argentinos foram derrotados, na prorrogação e mesmo assim a arbitragem beneficiou a Argentina a bater umas três faltas injustificadas. A Argentina, que durante os 120 minutos chutou apenas três bolas na direção do gol. Foi para casa sem o caneco e sem a chuteira de ouro.

A Espanha, durante toda a partida, chutou mais de 20 vezes na direção do gol, marcou dois gols, teve um gol anulado, teve uma penalidade não marcada e finalmente derrubou os argentinos com presidente da FIFA, juízes, VAR e tudo mais.

Moral dessa historinha do futebol, quem não faz gol leva e a justiça sempre condena. Para complicar, chegaram a divulgar imagem com a quarta estrela dourada, sendo bordada na camisa e quando vi, pensei logo, isso dá um azar da bixiga taboca. 

Dito e feito, foram arrogantes, racistas e desleais. Sua torcida praticou o absurdo de chamar os jogadores negros de macacos, queimaram a bandeira do Brasil, disseram que não eram latinos e que eram um país de europeus, desdenharam das seleções da América do Sul que foram eliminados.
Eles estavam se sentindo os Europeus da Copa. "Sempre levando vantagem em tudo": jogaram contra equipes que, de acordo com o próprio ranking da FIFA, onde a Argentina entre a (1º) e a (2º) colocação, as seis seleções que a 🇦🇷 Argentina pegou durante as fases de grupo até as quartas da final e seus rankings:

🇯🇴 Jordânia (72º colocado)
🇨🇻 Cabo Verde (67º colocado)
🇪🇬 Egito (29º colocado)
🇩🇿 Argélia (28º colocado)
🇦🇹 Áustria (24º colocado)
🇨🇭 Suíça (19º colocado)

Todas as partidas da Argentina foram fracas e polêmicas. E as maiores polêmicas foram nos jogos contra Cabo Verde e depois contra o Egito, o roubo foi escancarado e nos demais, continuaram com o jogo sujo e a malandragem típica.

Durante estes jogos, vimos alguns momentos de sufoco da seleção sul-americana e o próprio desespero dos juízes, VAR e dos próprios repórteres que pareciam torcer para a Argentina chegar às quartas e depois as finais da Copa 2026 e, com um monte de ajudinha, no mínimo, estranhas ficou fácil chegar até a final.

Na prorrogação da final, o juiz deixou de marcar faltas perigosas para a Espanha, mas marcou várias faltas pataca Argentina tentar empatar e levar a final para os pênaltis. Uma vergonha muito grande.

Durante toda a copa, pró-Argentina, tivemos pênaltis roubados, gols anulados, faltas sem cartão, faltas não marcadas e vantagens para os argentinos e o incrível, o VAR assinando abaixo de todo o esquema em todas as partidas, contra esses times de baixo ranking da própria FIFA.

Assim chegaram às quartas e a final do jeitinho que a FIFA esperava, parecia até que já "estava escrito nas estrelas". Talvez, a Argentina que chegou até aí aos trancos e barrancos, não merecesse esse segundo lugar, mas foi o que deu, ficou no cheirinho.

Nas quartas de final e na semifinal tiraram mais onda ainda. Com a Inglaterra apelaram até para a geopolítica da Guerra das Malvinas e contra a Espanha a estratégia foi matar os espanhóis no cansaço, com uma retranca vergonhosa, pois nem bolas ao gol chutaram, mas finalmente se deram mal.
Agora choram pois mesmo no roubo, perderam por 1 gol e na prorrogação, mas o que valeu foi a vitória da Espanha e agora estão de volta para casa, sem a taça e Messi sem a chuteira de ouro que ficou para Kylian Mbappé como o artilheiro da copa. 

O que ficará dessa copa foi a desonestidade, o jogo sujo, o racismo, os preços absivos e episódios de violência de torcedores da Argentina, com um ódio profundo e regado a racismo criminoso.

Eles que possuem 3 copas muito suspeitas, terão que engolir o choro e ficar só no cheirinho. O primeiro mundial da Argentina ocorreu em 1978, na própria Argentina sob a sangrenta ditadura militar do General Jorge Rafael Videla, existem suspeitas da compra do resultado de Perú 0X6 Argentina.

Em 1986 (México), foi o segundo título argentino. Esta conquista ficou marcada por um lance decisivo nas quartas de final contra a Inglaterra com gol de mão. "Mão de Deus", em que Diego Maradona marcou o primeiro gol argentino usando claramente a mão e foram campeões.

Em 2022 (no Catar), veio o tricampeonato argentino, com muitas polêmicas e teorias de conspiração na internet, alimentadas pelo grande número de penalidades marcadas a favor da seleção argentina. Também existem suspeitas de benefícios financeiros para dirigentes da FIFA.

Agora em 2026, derrotados pelos espanhóis, oa argentinos ainda tentaram armar um barraco depois do apito final, não aguentaram a derrota e saíram agredindo alguns jogadores reservas da Espanha. Briga, empurrões, socos e pontapés. Não sabem perder, são uns catimbeiros, racistas e violentos.

A cena mais patética foi durante a entrega das medalhas e do troféu aos espanhóis. Os jogadores argentinos deram as contas ao momento central da cerimônia. Saber perder é uma virtude que os arrogantes argentinos não possuem.

Um amigo ainda tentou ponderar comigo sobre os argentinos serem sul-americanos como nós brasileiros, serem latinos, enquanto que a Espanha foi a grande colonizadora da nossa região, nos explorou e foi escravocrata e violenta. Respondi que realmente, mas dito isso, fui torcer pela Espanha, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Outro amigo religioso ainda disse assim: "não devemos nos alegrar com a derrota do próximo". Eu disse sem pestanejar, na lata, há, se o próximo for a Argentina, além da alegria, solto fogos, dou gritos e ainda fico frescando com os brasileiros que estavam torcendo pelos hermanos.

Os jornalistas argentinos sempre fazendo comparação de Messi com Pelé e agora ficou até feio, pois se descobriu o quanto o Messi é o garotinho protegido da FiFa e das equipes de arbitragem. Mas vamos comparar, pois Pelé jogou 4 copas e ganhou 3. Messi jogou 6 copas e perdeu 5.

O grande esquema dos argentinos parecia que estava se repetindo em 2026, mas no finzinho deu tudo certo para a Espanha e quase todo o mundo. A FiFA mandou fazer 26 aneis de ouro, prata e cravejados de pedras preciosas para cada jogador campeão, além de 26 réplicas da Taça, uma para cada jogador. Foi tudo montado para ficar para a História, mas na final a Campeã é a Espanha.

 Agora vamos para a soma correta, quatro estrelas menos uma (4-1:(3) então pode descosturar 1 estrela, pois quem tem mais, tem (5) e se chama Brasil. Eles nos humilharam, chamaram nossos jogadores de macacos, queimaram nossa bandeira e agora estão vendo o mundo inteiro alegre com a sua derrota final. Nadaram, nadaram e morreram na praia.

Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais (Tanck Futebol).

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Balanço sobre os Festejos Juninos 2026 - da Paraíba ao Nordeste

.  Por Belarmino Mariano*

As imagens são faraônicas , são colossais e aos 43 anos de festas juninas, 2026 foi o ano, com as maiores polêmicas sobre muita interferência externa e descontentamento entre artistas locais e público em relação ao que já foi considerado "O Maior São João do Mundo."
Numa mistura de Copa do Mundo e festejos juninos de 2026, os brasileiros e em especial os nordestinos, ficaram quase todos divididos. Mas tiveram muitos que brincaram nas duas coisas. Assistir a copa e dançar forró.

Em alguns dos grandes palcos do forró, foram instalados telões para os poucos jogos do Brasil, seleção eliminada, antes mesmo de chegar às oitavas de finais.

Passada a derrota para a Noruega, onde o Brasil entregou a paçoca baratinho, nos restou fazer um balanço da tragédia dos festejos juninos em todos os Estados do Nordeste e mais especificamente na Paraíba.

Apesar das festas juninas serem comemoradas em todo o Brasil, é no Nordeste que ela acontece de verdade, mas parece que existe uma ação orquestrada para desmantelar esses eventos de maneira premeditada. E olha que o esforço é grande!

Nem estava mais querendo falar sobre festejos juninos, apesar de ter iniciado este artigo que certamente iria ficar sem publicação, diante de outros assuntos mais palpitantes, como as lambanças da extrema direita e o orçamento secreto, junto com o escândalo do Vorcaro e do Flávio Tarifação. 

Mas, depois que li no Portal ResumoPB que, os deputados estaduais Tova Cunha Lima e Camila Toscano, ambos saídos do PSDB e agora no MDB, conseguiram propor e aprovar um projeto de Lei que oficialmente tornou Campina Grande, como a cidade com o maior do mundo.

Isso mesmo, uma Lei foi criada com dinheiro público com salários dos deputados, assessores e verba de gabinete, para aprovação de leis sem nenhuma utilidade prática. Inclusive um São João feito com muita verba pública, sob administração de empresas privadas, inclusive com algumas de fora da Paraíba. Um São João cada vez mais descaracterizado, que sufoca pequenos comerciantes, artistas locais e regionais.

Cantores, compositores, bandas e trios de forró, todos os anos, reclamam que o São João de Campina Grande realmente é grande, mas perdeu a sua tradição e essência dos festejos juninos. Agora é um grande aglomerado de sertanejo, pagode, funk e outros "estilos modinhas", deixando o forró na última prateleira e, ainda humilhando os artistas locais e regionais.

Não estranhem o que vou dizer, mas noto que nos últimos 10 ou 15 anos, depois que o governo federal passou a investir e apoiar a cultura dos festejos juninos em parceria com governos estaduais e municipais, que passaram a receber milhões de incentivo ao Turismo, em especial nos últimos cinco anos, com grana de orçamento secreto e emendas impositivas. Muitos prefeitos, secretários de cultura e turismo passaram a vender para empresários privados, organização e ganhos econômicos desses grandes eventos. 

O dinheiro público, aos bilhões, parece que "cresceu o olho" de deputados, senadores, governadores e prefeitos em todos os lugares do Brasil. Nesses últimos anos, são bilhões que rapidamente viram pó e se transformaram em cachês milionários para um único cantor ou uma única banda.

Aí é onde começamos a observar que a tradição cultural perde o valor, e outros estilos, já consolidados nacionalmente, contratados pelos empresários que controlam os recursos passam a ocupar o lugar dos artistas locais e regionais.

O mesmo vale para grandes festas de rodeios do centro oeste, ou tradicionais festas de padroeiros, carnaval ou manifestações populares que 
passaram a vender, esses eventos que em sua maioria são pagos com dinheiro público.

Não é atoa que estamos acompanhando, grandes escândalos, envolvendo prefeitos, empresários e artistas, com contratos absurdos, em que fica clara a corrupção e o desvio de dinheiro público. 

Os maiores exemplos são de cantores sertanejos, com cachês milionários, nenhuma relação com forró, xaxado ou baião, mas abocanha sozinhos, milhões e milhões, muitas vezes de prefeituras pequenas como a de Belo Jardim (PE).

Mas escandalosa ainda é o caso de Campina Grande, Caruaru, Petrolina e outros grandes centros do interior nordestino, que nessa época, atraem milhões de brasileiros e milhões de turistas, que encantados pelas luzes, bandeiras, comidas típicas, bebedeiras e muitos shows, bem percebem a roubalheira que esta acontecendo por trás dos palcos.

Muita propaganda de bets, muita propaganda de marcas nacionais e a ressaca do dia seguinte precisa ser curada, pois são 30 dias de festas, quase que ininterruptas. É realmente espetacular, mas precisamos avaliar que existe um movimento armado para descaracterizar e desvalorizar completamente artistas locais e regionais e, isso não é de agora.

Estive no São João de Campina Grande e as atrações foram de Roberto Carlos, Marisa Monte, aos pagodeiros, funks e sertanejos. Marisa até se esforçou para cantar músicas de Luiz Gonzaga, levou um sanfoneiro e fez um show romântico e eclético para o dia Santo Antônio (festa dos namorados).

Agora imagina você ter que ficar bancando sertanejo e pagodeiro em pleno São João? Imagina os sertanejos ridicularizando a nossa cultura em pleno palco, desmarcando show na véspera e no dia da apresentação, rindo da cara dos prefeitos e da população, alguns inclusive embriagados.

Parece que a ideia é esculhambar, descaracterizar, criar ódio e raiva e provocar os nossos talentos. Uma geração inteira de cantores e compositores do forró nordestino, sendo excluídos, sendo humilhados, tendo seus shows cancelados, sem explicação.

O forrozeiro Flávio José, viu o Ministério Público da Bahia, fazer uma devassa sobre os seus cachês, que são até modestos, se comparados com os cantores sertanejos. Simplesmente ele teve seus shows cancelados. Assim como ele, dezenas de outros artistas nordestinos foram deixados de fora das grandes atrações juninas.

O forrozeiro Segal do Forró "o vaqueiro chorão". Fez uma crítica pesada aos organizadores do São João 2026. Ele começou questionando: "Por que o São João de 2026 foi o pior de todos os tempos?"

Segal não economizou e afirmou que: "Se ninguém fizer nada, vai acabar essa nossa tradição..." E não será por falta de recursos, mas a ideia é destruir parte da nossa identidade cultural e favorecer seus esquemas empresárias.

Volto a dizer que fui em Campina Grande e no Parque do Povo e não era mais o maior São João do mundo, era um festival de música sertaneja e outros gêneros de música, mas o forró passou longe. Até vi um trio de forró em uma pequena ilha, tocando para algumas dezenas de pessoas, vi outra ilha com menos gente ainda e gostei muito da exposição sobre a vida de Luiz Gonzaga. Isso tudo fora do grande parque.

Consegui assistir uma boa parte do Show de Flávio José, depois da derrota para a Noruega, soube inclusive que seu show teve um corte de meia hora para não atrapalhar o show de Pablo, na modalidade brega. Flávio canta muito bonito, mas notei uma certa tristeza em seu olhar, no timbre de sua voz, talvez por saber que vários dos seus parceiros foram excluídos do palco principal.

Pernambuco, Paraíba, Piauí,
Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia e Maranhão... Capitais e grandes centros interioranos podem está ajudando a destruir a verdadeira tradição junina do Nordeste. Falo da exclusão de artistas como: Alcimar Monteiro, Santana, Elba Ramalho, Flávio José, Jorge de Altinho, Capilé, João Gomes, Targino, Alceu Valença e, muitos
outros, que estão sendo excluídos e principalmente aqueles que já fizeram críticas abertamente, ficam de fora.p

Quando uma tradição material e simbólica precisa de uma Lei para se sustentar, podem ter certeza que estará morrendo. Festa Junina se sustenta na força e na tradição do seu povo e o ideal é que os prefeitos, governadores e políticos não atrapalhem. Mas, pelo o que a gente tem visto é justamente o contrário. Venderam esses eventos a empresas e patrocinadores que não respeitam nossa cultura.

Observem que a questão não é o maior ou o melhor São João do mundo. A questão é o respeito e garantia de que nossa cultura e nossos artistas sejam valorizados, estejam recebendo com dignidade. Não podemos aceitar que um trio de forró, que passa os 30 dias de festa, tocando três ou quatro horas por noite, para ao final, recebe 1.200 reais por noite para três.

Pois quando um cantor sertanejo vem, canta uma hora e meia, as vezes embriagado e sai da festa com 1,5 (Hum milhão e meio no bolso) e, ainda sai falando mal do nordeste, das comidas e das pessoas. Isso aconteceu em quase todos os grandes palcos do Nordeste e até em pequenas cidades, como foi o caso de Belo Jardim em Pernambuco ou em Natal/RN, entre dezenas de outros.

Eu sempre fui desconfiado de tudo que quer ser grande demais, é o maior cuscuz, o maior bolo, a maior quadrilha, o maior São João, a maior cidade e nessa mania de grandeza, as vezes se esquecem de atenção com as verbas públicas e a falta de cuidado com o povo e as suas necessidades essenciais.

Esse foi o balanço que fiz das festas juninas de 2026, o que vi na prática foi um pavilhão de bets e outras marcas. Adeus tradição, independente de lei e de vontade política. O dinheiro público escorrendo pelo ralo, mas a propaganda mesmo é das marcas de refrigerante, cerveja, bets e bigtcs. Esse é um resumo de câncer e vício fantasiados de festejo junino.

*Por Belarmino Mariano. Imagem do Blog do Dércio e Blog cgretalhos. Memórias do parque do povo e Blog Caruaru Agora.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Você Sabia que o Abaporu é da Argentina?

Por Belarmino Mariano*

Não sou crítico de artes, nem tão pouco algum conhecedor de obras, apenas um curioso, um pitaqueiro e gosto de relacionar absurdos que passam pela minha cabeça pequena e de "paraíba nordestino". É assim que os lá de baixo, com seus preconceitos de lugares, gostam de nos chamar?

Pesquisando sobre as copas suspeitas da Argentina (1978, 1986 e 2022), independente das teorias conspiratórias, descobri que o quadro original "Abaporu" se encontra na Argentina. Foi comprado por cerca de US$ 1 milhão e atualmente é avaliado em cerca de por US$ 40 milhões de dólares ou R$ 200 milhões de reais.

Hoje de manhã vi no noticiário que Eduardo Bolsonaro, condenado no Brasil e fugitivo nos EUA, disse em live que o presidente da Argentina Javier Milei virá ao Brasil dia 25 de julho para declarar apoio a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente do Brasil e, também pretende se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. Será que irá pedir permissão ao ministro Alexandre de Moraes (STF)?

Fiquei com a orelha coçando, pois a Argentina de Milei, vem dando apoio a vários grupos e governos de extrema direita na América Latina, mesmo com o seu país vivendo sua pior crise política e econômica da história recente e seu completo viralatismo ao governo de Donald Trump, tipo: "Vai meu cachorrinho a sua dona está mandando!" (Kelly Key).

Mas isso não é problema, pois o excêntrico Milei, já conversa até com espírito ou alma do seu cachorro morto e enterrado. Mas o que tudo isso tem haver com o Aboporu de Tarsila do Amaral?

Abaporu! Adoro essa obra, acho magnífica e confesso em minha pouca cultura que não sabia que o Abaporu, símbolo do canibalismo Tupi, havia sido comprada e por mais de 30 anos é da Argentina.

A Obra Abaporu de Tarsila do Amaral (1928)

De acordo com Gomes (2026), em as aventuras na história, o Abaporu se encontra prestes a completar um século e se tornou o ponto chave para o "movimiento antropofagista" e mordenista das primeras décadas  do século XX.

Dentro os vocábulos tupis de tradição oral, Abaporu significa uma mistura de aba (homem), pora (gente) e ú (comer). Quando interpretamos para o português brasileiro, ganha o sentido de "homem que come gente". Em espanhol ou castelhano: "hombre que se come a la gente". Será que na interpretação da artista modernista Tarsila do Amaral e do poeta Oswald de Andrade:  "homem antropófago" ganhou o mesmo sentido para los hermanos?

De acordo com Aidar (s/d), no Abaporu retrata uma figura humana sentada numa posição pensativa em uma paisagem árida e ensolarada. Entretanto, o que se sobressai na obra é justamente a ênfase dada ao tamanho agigantado dos membros, em detrimento do tamanho inferiorizado da cabeça.

Se na cabeça residem os pensamentos, sentimentos e desejos. O pensamento, a memória, a ideia, a inteligência e as vontades humanas. Tarsila talvez estivesse nos alertando sobre ressentimentos humanos que, em muitos momentos, pensam pouco, ao ponto de a espécie querer se alimentar de si própria, apenas como forma de tentar sobreviver as forças e selvagerias da própria natureza humana.

Em 1929, o marido de Tarsila, poeta Oswald de Andrade, publicou o "Manifesto Antropófago", que se tornou uma tendência dentro do movimento modernista brasileiro. Uma profunda reflexão sobre a existência e a experiência humana e suas contradições, para superarmos a nossa dependência colonialista.

Viagens intelectuais a parte, Oswald de Andrade fez uma profunda crítica a cultura estrangeira, despertando o interesse contra o colonialismo e pela ideia de um Brasil livre e soberano. Tarsila pintou o Abaporu na perspectiva do canibalismo, baseada em rituais indígenas Tupi, mas parece que o espírito nacional já havia sido consumido por interesses completamente externos, tanto é que a obra não foi valorizada na época 

De acordo com site da Fundação de Arte (Funarte), e Ministério da Cultura do Brasil, Tarsila do Amaral pintou o Abaporu como presente de aniversário ao marido Oswald de Andrade. Infelizmente, esse homem a traiu e, com o fim do casamento, ele vendeu a obra a um colecionador brasileiro, que a revendeu a outro e, ao final, o Abaporu foi parar na casa de leilões Christie's, em Nova York (EUA), sendo arrebatada por cerca de US$ 1,3 milhão.

Tarsila do Amaral faleceu em 1973 e sua obra foi leiloada em 1995, por mais de US$ 1,3 milhões de dólares, foi comprada pelo bilionário e colecionador argentino Eduardo Costantini de origem italiana. Atualmente o quadro está exposto no Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires (MALBA), Museu criado pelo próprio Constatini.

A Argentina possuí uma das mais importantes obras de uma brasileira. Isso mesmo, o Abaporu é dos argentinos.  Se o Abaporu não foi valorizado por aqui, os Argentinos o quiseram e hoje possuem um pequeno tesouro. Nessa transação, talvez esteja projetada a cabeça pequena dos que "devoram a si próprios" em uma antropofagia reversa, em que, vestidos de falsos patriotas, querem entregar as coisas raras do nosso país aos estrangeiros, como se não tivesse nenhum valor.

Hoje em dia, mesmo não estando a venda, a obra Abaporu é avaliada entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões. Cerca de  R$ 200 milhões e R$ 250 milhões de reais. Isso mesmo, um dos símbolos críticos que alinentou milhares de intelectuais a superar os limites culturais, políticos e socioeconômicos do Brasil e um original em domínio dos argentinos.

Como Tarsila do Amaral fez estudos de Bellas artes na Espanha, e também acompanhou Oswald Andrade a Fraça,certamente visitou as obras de Rodin e pode ter sido influenciada pela escultura "O Pensador" (Le Penseur), obra de bronze, criada pelo artista francês Auguste Rodin (1880/1904). 


De acordo com Nehr (s/d), existem cerca de 27 copias em tamanho original de "o pensador" e uma delas se encontra na Praça do Congresso de Buenos Aires, capital argentina. Parece que os Argentinos estão bem em seus investimentos culturais, independente de ser original ou cópia.

Talvez seja apenas uma viagem de minha cabeça pequena, mas o Abaporu e "o Pensador" de Rodin se encontrarem no território argentino, no centro de Buenos Aires, diz alguma coisa sobre arte e poder. Sobre a valorização ou a desvalorização de coisas belas como a arte.

Como afirma o cantor, compositor e antropofagista Caetano Veloso: "da força da grana que ergue e destrói coisas belas", crítica ao poder do capital financeiro sobre a paisagem e a cultura da metrópole paulistana. Os empresários da Faria Lima que nos contem essa história.

Mas voltando aos humanos reflexivos de Tarsila e Rodin, ambos são homens sentados em  pedras. O Abaporu, pintura a óleo sobre tela, se encontra diante de um cenário de clima seminárido e de um sol escaldante. A desproporção proposital e o gigantismo dos seus membros inferiores em relação ao cérebro diminutivo, embaçam a realidade nos obrigam a forçar à mente, comprimida pela caixa craniana.

"O Pensador de Rodin, obra escultural em bronze, de acordo com o próprio Auguste Rodin, foi construído para ficar na "Porta do Inferno", sendo a representação do próprio Dante Alighieri, contemplando os círculos do inferno descritos na obra "A Divina Comédia", fiel representação do sofrimento da humanidade em seus conflitos.

Na atualidade uma cópia fiel de "o Pensador" de Rodin se encontra na porta do famigerado Congresso da Argentina, local com uma maioria de deputados da extrema direita, inimigos do povo argentino e a 6 km de distância do Museu onde está o Abaporu que era de Tarsila e do Brasil.

Agora quero saber quanto vai custar essa vinda e esse apoio do presidente argentino Javier Milei para o lançamento do nome de Flávio Bolsonaro (PL), para presidente do Brasil? Será que já foram transferidos alguns dos R$: 134 milhões de reais do filme Dark Horse (O Azarão), esse drama biográfico, sobre um golpista que se apresentou como o mito salvador da pátria, e que segue com os filhos bolsonarentos, fazendo acordos estrangeiros espúrios e tramando contra a soberania brasileira?

Javier Milei é o amiguinho de Trump e dos Bolsonarentos. Ele colocou a Argentina na pior recessão do país e o povo de lá está sendo massacrado pelos baixos salários, desemprego e inflação galopante. O Flávio daqui, quer adotar a mesma política do Milei, mas todo e qualquer apoio entre os extremistas da direita, tem um custo muito elevado.

Se a Polícia Federal (PF) brasileira seguir os passos labirinticos do dinheiro, do Daniel Vorcaro, repassados para o Flávio e o Eduardo Bolsonaro, quem sabe, poderá encontrar alguns milhões em território de "los hermanos" do Milei?

*Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais e uma pitada de teoria da conspiração para o estado da arte. 

Fontes:

https://www.gov.br/funarte/pt-br/assuntos/noticias/todas-noticias/voce-conhece-o-abaporu

AIDAR, Laura. Abaporu: pintura de Tarsila do Amaral. Disponível em - 
https://www.todamateria.com.br/abaporu/

NEHR, Laura. O Pensador de Rodin no mundo, versoes autenticas ou cópias? Disponível em - 
https://lauranehr.com/o-pensador-de-rodin-no-mundo-versoes-autenticas-ou-copias/

GOMES, Giovanna. Tarsila do Amaral, a artista que pintou o ‘Abaporu’, dando origem ao Movimento Antropofágico (2026). Disponível em -https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/tarsila-do-amaral-a-artista-que-pintou-o-abaporu-dando-origem-ao-movimento-antropofagico.phtml

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Meus Monstros

Por Belarmino Mariano*

Ainda no útero da minha avó paterna, meu pai chorou e todos ouviram esse choro de um sertanejo que ainda nem havia nascido, mas já estava em sua caverna uterina, testeando a escuridão e se sentindo preso e sob a pressão de um frágil corpo humano.

Minha avó paterna morreu no parto do meu pai e ele cresceu sem o amor de sua mãe. Contava que foi criado pelas tias e primas mais velhas. Nos sertões do Cariri paraibano e nos limites entre a Paraíba e Pernambuco ele se criou, entre serras e vales como o rio Paraíba e Pajeú se tornou menino, jovem, adulto e velho.

Vida dura, trabalho pesado, roçados e gados dos senhores donos das terras e tudo por lá. Meu pai se tornou vaqueiro e agricultor. Um jovem magro e de pele queimada pelo sol, tinha a coragem dos poucos que, ao se embrenhar pela caatinga braba, em busca de reses desgarradas, lhe tornaram um homem valente.

Mas como ele mesmo dizia, nunca gostou de confusão. Era um moço calmo igual as vacas leiteiras do senhor dono das terras e dos gados. Mas confessava que já tinha entrado em briga por causa das morenas dos lugares por onde trabalhou.

Ele contava que foi vaqueiro de muitos senhores e montado em uma burra pega, cortava aquele Sertão nordestino sempre, levando e trazendo boiadas inteiras, dormindo no mato e curando bicheiras ou sacrificando vacas que eram mordidas por jararaca ou cascavel.

Desde muito jovem, meu pai lutava contra uma asma reticente, "puxado no peito", seguido por uma falta de ar nos pulmões, que lhe nocauteava sem piedade. Talvez esse fosse seu maior monstro. 

Não sabia explicar, mas parecia uma doença umbilical, ainda das entranhas maternas e do sufoco da hora do parto que sacrificou a própria mãe. Não existia cura e na agonia dos dias tinha que conviver com as crises de asma, como que carregava um castigo.

Ele fumava fumo de rolo de Arapiraca e descobriu entre os remédios do mato, que a flor de zabumba roxa (chamada de trombeta-de-anjo), se misturada ao fumo, aliviava as crises dos brônquios. 

Essa planta é extremamente tóxica e se ingerida é capaz de matar uma pessoa. Por tanto, em nossa casa, o pé de zabumba roxa era considerado uma planta sagrada e proibida. Ninguém deveria mexer naquela planta. Só meu pai poderia colher as flores muchas, que sempre botava para secar em cima do telhado e em casa, ele a guardava a sete chaves.

Meu pai falava enquanto dormia, tresvaliava, aboiva e cantava em versos de cordel, como se estivesse acordado. Ele parecia que entrava em transe e quando éramos crianças, ficávamos a beira de sua cama, tentando conversar com ele, lhe perguntando coisas e confesso que as vezes era assustador.

No outro dia, diante de uma xícara de café e um cuscuz com carne seca, ele não lembrava de nada do que havia sonhado. Minha mãe dizia que bera o efeito da fumaça da zabumba entrando em sua mente e confundindo as suas ideias. Acho que meu pai era psicodélico demais.

Um homem bruto, analfabeto e criado na labuta, na dureza do trabalho pesado, quando era puxado para conversar, era um contador de história, versado na poesia e na cantoria de viola. Só ouvia uma vez e decorava tudo. Seus contos e casos, misturava, fantasia, ficção e realidade de tal forma que a gente se arrepiava todo e na hora de dormir, a gente se enrolava da cabeça aos pés.

As vezes fico pensando se todos os monstros que existiam dentro do meu pai, também existem dentro de mim? Uma vez, peguei uma piola do seu cigarro de flor de zabumba e fumo de rolo e dei umas boas tragadas. Rapaz, confesso que, quase vomitava até as tripas. Passei mal e me deu uma tontura monstra. Para nunca mais.

Quando me casei, descobri por minha mulher assustada, me dizendo que enquanto eu dormia, tenha pesadelos, me mexia, dava morrus e pontapés, como se estivesse em uma batalha de vida ou morte. Ela me contou que eu falava em uma língua embolorada, como se estivesse no meio de uma situação de conflito.

Meus sonhos, meus pensamentos, sentimentos e emoções. Meus monstros e tudo o que não sabemos explicar direito, a artista Avajinying pinta como quem sopra monstros de dentro das garrafas ou lâmpadas de gênios encantados. 

*Por Belarmino Mariano. Imagem de Avajinying.
Fonte da imagem: https://www.instagram.com/reel/C95LZ13Io3W/?igsh=eHI1bXN6MjRjenlp

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Não Aposte!

Por Belarmino Mariano*

Não ganho nada com isso, mas não quero que você perca. "Acorde levante e lute", pois essas pragas de pets viciam, são jogos de azar, controlados por IA e você sempre sairá perdendo. 

Os jogadores de futebol como Neymar e outros, ganham milhões e nunca perdem, mas é você que paga aos famosos e veja que são milhões. Enquanto isso, as bets sonegam impostos e ganham trilhões.

Outra coisa importante, às vezes você ganha uma "laminha", mas precisa meditar que essa merreca que você ganhou é porque outros idiotas viciados perderam. São jogos combinados, manipulados e você é induzido a acreditar em sorte, na oportunidade e na realização de seus sonhos.

As bets nunca perdem nada, pois controlam tudo através de bigtechs e avançados programas de computador. Veja essa copa do mundo a FIFA construiu um esquema de atravessadores para os ingressos. Um ingresso já está chegando a custar, mas de $: 3 mil dólares. Ou seja, só ricos estão entrando nos estádios.

Enquanto isso, lhe vendem a ideia de fazer uma fézinha, de arriscar, de acreditar na sorte. Nas são apenas peças de propaganda, todas construidas com base em teorias psicológicas, manipulação de estrelas do futebol, influences muito bem pagos com o seu dinheirinho suado.

Bilhões de pessoas, no mundo todo, estão viciadas. Esse esquema de bets, comprovadamente virou uma pandemia, uma doença devastadora. Tenho amigos do meu mundinho, que já perderam, moto, carro, outros bens e até mesmo seus casamentos.

O Brasil é um país de vícios, mas esse das bets, veio muito assemelhado a guerra do ópio na China do Século XIX. Aqui no Brasil muitas pessoas se viciaram em redes sociais e em telas. São viciadas em café, em bebidas, em drogas e agora em bets. 

As bets são constantes, 24 horas, se domiya domingo. Você se cadastra em uma plataforma digital, atrela ao banco digital (Bigtech) e começa a fazer apostas. 0,50 centavos, 1,00 real, 10 reais, 100 reais e em um mês, você compromete todo seu orçamento.

A transmissão da Copa está custando bilhões e grande parte dessa transmissão é paga pelas bets, que usam seu dinheiro para pagar. Por isso essa gigante propaganda de bets. Mas ao final de cada jogo, foi você que pagou a conta. Você e bilhões de jogadores. Enquanto isso, grandes empresários donos das bets, que não produziram nada de saudável, acumularam o equivalente ao PIB de países inteiros.

As bets, apesar de parecer diversão, festa, brincadeira, na verdade são atividades viciantes, destruindo orçamentos, endividando e desestruturando famílias inteiras. O pior destroem a sua saúde mental. PARE COM BETS HOJE MESMO! 

Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais. Obs. A imagem não corresponde ao tema, pois a Meta ganha muito com impulsos das bets e sempre bloqueia artigos críticos.

Pessoas negras representam 86,3% dos mortos pela Polícia em 9 Estados do Brasil

Texto: Redação | Alma Preta Jornalismo
📸Cris Faga/NurPhoto via AFP*


A Rede de Observatórios da Segurança lançou nesta quarta-feira (1) a sétima edição anual do relatório “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, estudo que monitora dados de letalidade policial fornecidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelas secretarias de segurança de nove estados para revelar as desigualdades cometidas contra a população negra.

Em análise dos dados de 2025, o estudo identificou um aumento de 6,4% na letalidade policial (4.330 mortes somadas nos nove estados monitorados) em relação ao ano anterior, além de escancarar a centralidade do racismo estrutural na atuação das forças estatais. Considerando apenas os dados com informações de raça/cor, 86,3% das vítimas (3.104 pessoas) eram negras.

O perfil das vítimas da letalidade policial também revela um recorte geracional, territorial e de gênero bastante definido: jovens de até 29 anos representam 64,8% do total de mortos (2.804 vítimas), vivem majoritariamente em periferias e favelas e, em sua imensa maioria, são homens.

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*Texto: Redação | Alma Preta Jornalismo
📸Cris Faga/NurPhoto via AFP

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terça-feira, 30 de junho de 2026

O elefante que a gente não doma

Por Alessandra Del’Agnese

Tem uma pintura tibetana, dessas que a gente olha e acha bonita, mas não entende direito. Parece complicada demais pra ser sobre a gente, mas é. Mostra um monge subindo uma montanha em círculos, puxando um elefante por uma corda. No começo, o bicho é preto, enorme, descontrolado, derrubando tudo que encontra. Lá no topo, ele aparece branco, calmo, quase transparente e o monge nem segura mais a corda. Os dois vão juntos, leves, subindo em direção a um céu cheio de nuvens douradas.

É uma metáfora budista sobre a mente. O elefante é você. Sua cabeça. Seus pensamentos. Aquele macaco que aparece pulando em cima dele, puxando pra um lado, distraindo, fazendo bagunça esse é o seu desejo de ser visto. De ser comentado. De ser curtido. Um macaquinho sem freio que mora dentro de cada um de nós e que hoje tem nome de aplicativo: notificação.

A gente passou a pedir aprovação como quem pede ar. Posta uma foto e fica encarando a tela, esperando o número subir como se aquilo fosse um atestado de existência. Cadê o like? Cadê o comentário? Alguém pra confirmar que eu estou aqui, que eu importo, que o que eu fiz hoje realmente aconteceu? Chegamos num ponto em que precisamos que estranhos validem nosso café da manhã. E nem percebemos mais o tamanho do ridículo.

No desenho, o elefante escuro do começo é isso: a mente desgovernada, correndo atrás de prazer rápido, de reconhecimento, de barulho. E a trilha não é fácil. Tem fogo. Tem precipício. Tem queda. Cada curva é uma recaída. Você jura que vai largar o celular, e dez minutos depois está ali de novo, contando corações vermelhos como se fossem votos de amor.

Mas ali, naquela pintura, ninguém prometeu fama. Prometeram silêncio. Prometeram que, se você parar de correr atrás de plateia, sobra espaço pra outra coisa mais sólida, mais sua. Paz, presença, sei lá. O monge não está performando. Não tem holofote, não tem story, não tem ninguém aplaudindo a subida dele. E é justamente por isso que ele sobe.

A gente trocou a montanha pela vitrine. Trocou o elefante de dentro pelo elefante de fora aquele que a gente exibe, filtra, edita, legendas, hashtags. E esqueceu que o trabalho de verdade nunca foi mostrar o bicho domado pros outros aplaudirem. Era domá-lo em silêncio. Sem plateia. Sem prêmio. Sem like.

No fim da pintura, o elefante sobe sozinho, quase invisível, dissolvido nas nuvens. Ninguém bateu palmas. Não tinha ninguém olhando. Só o caminho percorrido, finalmente, sem precisar que alguém visse.

Imagens das redes sociais.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NÃO É OPINIÃO. É VIOLAÇÃO DE DIREITOS.

.  Por Jornal Grande Axé*

Mais uma vez, um terreiro de matriz africana se torna alvo de uma ação que ultrapassa os limites da fiscalização e atinge diretamente a liberdade religiosa.

 A apreensão de tambores, objetos sagrados e instrumentos de culto não representa apenas a retirada de bens materiais. É um ataque à história, à ancestralidade e à identidade de um povo que, há séculos, luta para exercer sua fé com dignidade.

Enquanto igrejas e templos de outras religiões são, em regra, tratados com respeito às suas práticas e símbolos sagrados, os terreiros continuam enfrentando abordagens marcadas pelo preconceito, pela falta de preparo e, muitas vezes, pela intolerância. Essa desigualdade precisa ser denunciada.

O Brasil é um Estado laico. A Constituição Federal garante a liberdade de crença e protege os locais de culto e suas liturgias. Quando um terreiro é desrespeitado por causa de sua religião, não é apenas uma casa que sofre: é toda uma comunidade que vê seus direitos fundamentais ameaçados.

Não se trata de pedir privilégios. Trata-se de exigir o que a lei já garante: respeito, igualdade e liberdade para todas as religiões.

É urgente que as forças de segurança recebam formação adequada sobre diversidade religiosa e direitos humanos, para que ações policiais ocorram dentro da legalidade, sem reproduzir preconceitos históricos contra as religiões de matrizes africanas.

O silêncio fortalece a intolerância. A denúncia fortalece a democracia.

Respeitar o tambor é respeitar a Constituição. Respeitar o terreiro é respeitar a liberdade. Intolerância religiosa é crime e precisa ser combatida com firmeza, justiça e união.

*Jornal Grande Axé.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

FRASES DE (D)EFEITO IDEOLÓGICO

   Por Belarmino Mariano* 

Hoje é o dia dos professores e das professoras de Geografia e gostaria de presentear meus discentes com esse pequeno texto de visita a alguns dizeres e frases de efeito político, ou até mesmo, aparentemente neutros, que reuni aqui, como alguns lemas do passado geohistórico para comparar com os dias atuais.

Lema da Revolução Francesa: "Liberté, Égalité, Fraternité" 
(Liberdade, Igualdade, Fraternidade). 

Eram ideais de democracia, justiça e união social contra o autoritarismo monárquico absolutista. Por isso a expressão iluminismo político e filosófica.

Ai os pensadores conservadores da França propuseram o lema contra a Revolução Francesa: "Dieu, Patrie et Famille" (Deus, Pátria e Família).

Uso da religião para manter a ordem monarquista e da ideia de Estado no controle de todos e a família conservadora patriarcal e marchista no comando dos indivíduos.

O tempo foi passando e esse lema conservador virou a marca ideológica do Nazifascismo alemão e italiano, se estendeu para França, Espanha e outros países. 

Na Europa eclodiram duas guerras mundiais. O Socialismo Soviético passou a ameaçar os extremistas conservadores. O colonialismo e o capitalismo entraram em colapso e as forças conservadoras passaram a usar o totalitarismo nacionalista como armas ideológicas. Isso gerou o nazifascismo em sua pior versão. 

Massacres aos povos judeus na Alemanha, perseguição aos anarquistas e socialistas em toda a Europa e no mundo. Xenofobia e nacionalismo exacerbados deram bases ao totalitarismo de Estado.

O totalitarismo político e a obediência cega ao grande líder eram observados o tempo todo e outros lemas foram lançados: 

"Credere, obbedire, combattere" (Acreditar, obedecer, lutar): Lema que exigia devoção cega ao líder, disciplina militar e disposição para o combate.

"Il Duce ha sempre ragione" (O Líder tem sempre razão): Expressão que reforçava o culto à personalidade de Mussolini.

"Ein Volk, ein Reich, ein Führer" (Um povo, um império, um líder): O principal slogan da Alemanha Nazista. Representava a unificação do povo alemão (Volk), a expansão territorial (III Reich), o princípio da liderança absoluta de Adolf Hitler (Führer).

"Blut und Boden" (Sangue e Solo): Lema central da ideologia de superioridade racial ariana. Vinculava a identidade nacional à pureza biológica ("sangue") e ao território de domínio alemão ("solo"). 

Também era brindado com leite para representar a ideia de raça pura ariana. Nesse caso, por volta de 1930 os propagandistas nazistas criaram o culto à raça branca, à saúde, à terra e à força física. O Ministério da Propaganda, liderado por Joseph Goebbels, e o Ministro da Agricultura, Richard Walther Darré, foram os idealizadores.

No Brasil, o lema "Deus, Pátria e Família", foi usado pelo movimento integralista (1930), claramente com raízes fascistas e nazistas. Vejam que no Brasil, já havia grande influência Italiana e Alemã devido aos processos migratórios.

Na atualidade tivemos o "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" - Corruptela dos lemas nazifascistas da Alemanha e Itália, aplicados ao Brasil pelos integralistas e usado por Jair Bolsonaro para tentar implantar o extremismo de direita no país, através de golpe de Estado. E ainda tem gente que acredita na inocência de Hair Messias Bolsonaro.

Por isso dizer que, mesmo com governos de coalizão como os dos presidentes Lula e Dilma, os nossos ideais democráticos e populares ainda estão muito distantes e quando olhamos para os países vizinhos, veremos que estão mais distantes ainda.

A interferência geopolítica dos EUA na América Latina é uma ameaça à nossa democracia e soberania e vermos lacaios do imperialismo, como Bolsonaro's Jr., tramando contra o nosso povo é uma traição à pátria.

Democracia com liberdade, igualdade e fraternidade é o que a extrema direita e a elite dominante estão combatendo diariamente, atacando nossos direitos democráticos, conquistados na luta. Por isso, lutar para derrotar esses canalhas em todos os níveis e frentes é uma tarefa revolucionária.

Vendo a Copa do Mundo 2026, as perseguições de Trump contra o Irã e outras seleções, torcedores e arbitragem é um alerta do nazifascismo se instalando em países como os EUA.

Vendo que nas torcidas de países europeus e até sul-americanos prevalecem torcedores brancos, que tem grana suficiente para ir a uma copa do mundo. Até a torcida de brasileiros é predominante branca. Isso é um retrato dessa lógica imperialista.

Vendo o grande número de jogadores de origem africana em seleções europeias, que em muitos casos são de países racistas e xenófobos, mas ainda dependem das suas ex-colônias para se tornarem competitivas é outro alerta.

Ver a grande mídia, estimulando o vício e a extorsão através de bets, que roubam bilhões das pessoas, em especial, vendendo a ilusão de riqueza fácil é um alerta de grande perigo. Por isso, temos que denunciar e exigir o fim de operações de bets no Brasil.

Ver policiais militares fortemente armados entrarem numa escola para ameaçar professores, gestores e comunidade escolar, só porque estavam ensinando sobre a cultura afro-brasileira na escola (Lei 10.639/03 e a Lei 11.645/08), é uma afronta aos nossos direitos fundamentais e não pode passar impune.

Ver o Congresso Inimigo do povo brasileiro, impedindo que direitos fundamentais sejam garantidos, como a redução da jornada de trabalho (fim da Escala 6x1), enquanto esses mesmos políticos roubam nosso dinheiro através de orçamentos secretos e esquemas podres com banqueiros é o alerta máximo. 

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais. Fonte: ICL Notícias, Brasil de Fato, Plantão Brasil, DCM e Agência de Notícias Anarquistas - ANA.
Aos meus queridos estudantes de geografia e aos professores que acreditam em utopias ativas.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Nesse Tráfego Pesado, Tu Vai Pra Onde?

.  Por Belarmino Mariano*

O tráfego é um movimento, deslocamento, fluxo, atividade, dinâmica, circulação e mobilidade, sem paradas obrigatórias, mas em alguns pontos há congestionamento e o tráfego fica lento, estagnado e ameaça parar.

Irmão gêmeo do tráfico que significa a mesma coisa, com sentido completamente diferente e profundamente relacionado ao ilícito, contrabando, controverso e fruto da contravenção.

Tráfego enquanto partida e chegada, saída e entrada, ir por conta própria, ir e vir ao encontro de, sem querer ficar no meio do caminho. O passo a passo, o vai e vem para diferentes lugares, inclusive de virtualidades.

Assim temos o tráfego rodoviário, ferroviário, hidroviário e aéreo especial. Meios físicos e materiais em fluxo contínuo ou sequencial em vias, artérias, veredas, becos, estradas, rodagens, rodovias, com sinais, signos, paradas, partidas, pontos, portos, plataformas, anéis viários, rotatórias, aeroportos e novas circulações em trânsito 

Tráfego em redes digitais, virtuais, entre computadores, satélites, antenas, internet em cabos ou fibras ópticas, em http://www..., marketing, sites, portais e plataformas, em que, tudo vira tecnologias da informação e comunicação (TIC's).

Tráfego mental de ideias, pensamentos, sentimentos, sensações, emoções, desejos, vontades e necessidades em todos os sentidos. Fluxos neurológicos, cognitivos, racionais, instintivos e inatos.

Tudo o que é tráfego pode ser transformado em tráfico, mesmo que continue a ser tráfego, tudo legal e ordenado, mesmo assim, traficado por entre o intenso tráfego cotidiano, tanto nas ruas, quanto nas redes digitais.

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes digitais.

GEOPOLÍTICA EM LÍNGUAS ESTRANHAS - "Ainda que eu falece a língua dos homens, e falace língua dos anjos, sem amor, eu nada seria"

Por Belarmino Mariano*

O compositor brasileiro Renato Russo, compôs a música "Monte Castelo", em que ele extraiu o versículo de Paulo (1 Coríntios 13:1), misturado com o famoso soneto "Amor é fogo que arde sem se ver" do poeta português Luís de Camões. Incrível como a música e a poesia podem despertar reflexão, espiritual, religiosa e emocional.

Com a curiosidade de professor de geografia, instigado por perguntas aos estudantes, se eles sabem o que é ser Pentecostal e neopentecostal em suas igrejas, confesso que nem católicos e nem evangélicos souberam responder ao certo, inclusive membros da tradicional Igreja Assembléia de Deus.

Quando Renato Russo, extraiu a frase "Ainda que eu falece a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria", queria entender o que isso representava para as pessoas que se dizem cristãs?

Em Atos 2 (Novo Testamento), existem os primeiros relatos em que os apóstolos falaram em outros idiomas humanos. Ainda no Novo Testamento, nas cartas de Paulo (1Coríntios), o apóstolo comenta sobre a "língua dos anjos", como se existisse um código linguístico para conversar com Deus e os anjos poderiam ser intermediários diretos 

Assim nasceram as interpretações de que seria possível "falar em línguas estranhas". Isso virou moda em templos pentecostais dos EUA, a partir de 1901/1906, como sendo uma nova teologia, conduzida pelo contato direto com o espírito santo. 

Como em ondas devocionais, um novo grupo evangélico cristão, surge das várias denominações e seitas cristãs. Os EUA, que já representavam o maior número de segmentos do cristianismo protestante, passaram a alimentar a ideia de espalhar a palavra de Deus, através de "línguas estranhas". 

Um pequeno trecho bíblico, se referindo a uma espécie de milagre do início do cristianismo, se transformou na maior teologia, em que a oração pessoal eleva o fiel a falar com Deus em línguas misteriosas e que não exige interpretação, pois só Deus e os anjos entendem. A ideia não é interpretar a Bíblia Sagrada, mas apenar observar como, as diferentes interpretações para um simples trecho, podem gerar fanatismo e abuso religioso.

A ideia de "Pentecoste", como festa religiosa, pode ser encontrada em diferentes civilizações, em especial para agradecer e festejar as boas colheitas. Tanto na civilização ocidental, quanto na oriental e também entre os povos pré -colombianos, sempre houve as festas das colheitas. 

Desde os gregos, romanos, hebreus, egípcios, hindus, chineses, Incas, Maias, Astecas entre outros, surgiram os rituais devocionais para agradecer as colheitas da uva, olivas, trigo, arroz, aveia, milho e outros grãos.

Para os judeus, pentecoste era a festa da boa colheita do trigo. Depois foi adaptado pelos primeiros cristãos, o calendário de pentecoste era relativo aos 50 dias após a páscoa. Momento relacionado à celebração do Corpo de Cristo (Corpus Christi). A Eucaristia, que representa a presença de Jesus Cristo (símbolo do pão e do vinho), consagração da vida em Cristo.

De acordo com os Atos dos Apóstolos, os discípulos receberam o Espírito Santo através de sinais extraordinários, ganhando coragem e o dom de falar várias línguas para espalhar o Evangelho. Se formos para Velho Testamento, em Jó, existem passagens sobre a "língua dos anjos".

Parece até que os escritos do Novo Testamento, enviado de relações ao judaísmo do Velho Testamento, foram tentativas frustradas de convencer os judeus sobre a presença sagrada de Jesus enquanto o filho de Deus.

Como não conseguiram, foram colando a sua realidade religiosa romana, fragmentos proféticos do Antigo Testamento, dando a entender que Jesus Cristo era o filho de Deus, que nasceu de uma virgem e sacrificou como o cordeiro de Deus para retirar os pecados do mundo.

Parece que os apóstolos do Novo Testamento (Paulo, Marcos, Mateus, João Batista, entre outros), estão tentando convencer Judeus, Romanos, Gregos e outros povos, sobre a verdade sacra de Jesus Cristo, mas sem a obtenção clara de êxito. Pois em quase todos os lugares, o cristiano foi introduzido através da imposição da força e do colonialismo cultural.

Sempre tive a curiosidade de entender aquelas vestes vermelhas dos padres, bispos, e celebrantes das palavras de Deus. Parece até que simbolizam o fogo, a chama divina. Esse fogo das velas acesas, como se representasse a própria língua de Deus e a pomba branca da paz, como sendo a maternidade do Espírito Santo, voando sobre a cabeça dos fiéis, enquanto os incensos e o vento espalham a fumaça de mirra e outras essências, representasse o sopro da vida e a línguagem do amor.

Como disse o poeta Luís de Camões, "Amor é fogo que arde sem se ver", estivesse falando apenas do amor puro? Nesse sentido, segue Renato Russo e Monte Castelo: 

Ainda que eu falasse a língua dos homens /E falasse a língua dos anjos /Sem amor eu nada seria

É só o amor, é só o amor /Que conhece o que é verdade /O amor é bom, não quer o mal /Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver /É ferida que dói e não se sente /É um contentamento descontente /É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens /E falasse a língua dos anjos /Sem amor eu nada seria

É um não querer mais que bem querer /É solitário andar por entre a gente /É um não contentar-se de contente /É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
 /É servir a quem vence, o vencedor /É um ter com quem nos mata a lealdade /Tão contrário a si é o mesmo amor

Estou acordado e todos dormem
Todos dormem, todos dormem/Agora vejo em parte /Mas então veremos face a face

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens /E falasse a língua do anjos /Sem amor eu nada seria..

Parece que Russo estava inspirado, estivesse querendo compreender essa tal "língua estranha dos anjos" e pode ter deixado uma grande mensagem, até certo ponto, a ideia de amor como algo sagrado.

São muitos símbolos do sagrado, mas a palavra de Deus, "as línguas estranhas", é uma espécie de fanatismo religioso, inclusive como a ideia de nascimento da Igreja Católica Apostólica Romana. Assim, séculos depois do início do Protestantismo de Martin Lutero, os evangélicos dos EUA, no início do Século XX, retomaram a ideia Pentecostal de resgate das "línguas estranhas".

Para a Geopolítico de dominação pela fé, os movimentos religiosos protestantes, saíram dos EUA, em diferentes missões pelo mundo, desembarcando nos países da América Central e do Sul e na Ásia e Oceania. Uma das armas escolhidas era o transe espiritual em que repentinamente, o pastor ou o pregador, incorporava o espírito santo e começava a falar as línguas estranhas.

Relatos históricos confirmam que essa experiência foi um desastre de comunicação religiosa, em especial na Índia, China, Indonésia, Japão e Coreia. A dificuldade com os idiomas locais e as manifestações de uma minoria falando em "línguas inelegíveis" foi vista como loucura e alucinação. 

Na América Latina, no começo do século XX, tivemos uma grande onda de evangelismo vindo dos EUA, entre os grupos, se destacaram: "Assembléias de Deus", "Congregação Cristã no Brasil" e "Igreja do Evangelho Quadrangular". Já criadas no Brasil, se destacam a "Igreja Pentecostal Deus é Amor" e "O Brasil Para Cristo".

Na mesma linha surgiram novas denominações como: os Neopentecostais: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus e Igreja Internacional da Graça de Deus.
Estas igrejas se transformaram em verdadeiros impérios religiosos e para além das ideias de "dialogar diretamente com Deus", desenvolveram novos fundamentos como "as teologias da prosperidade", onde os fiéis ofertam bem a Deus e receberão em dobro. É uma experiência puramente material, onde você pode colocar dinheiro em uma "fogueira Santa" e quanto mais você colocar, mais Deus te dará de volta.

Os movimentos neopentecostais, deram continuidade às ideias pentecostais de "falar em línguas estranhas", de curas milagrosas e da realização de desejos dos fiéis, como cura de pessoas doentes, "operações espirituais", e incêndios espirituais com muita música, danças e alaridos divinos, com transe coletivo, imposição de mãos dos pastores e bispos sobre os fiéis.

Nesse sentido, muitos católicos que já haviam migrado para as igrejas evangélicas históricas, dessa vez, migraram para as congregações neopentecostais. Nesse jogo de poder religioso, perderam fiéis os católicos e os protestantes tradicionais.

Bem antes dos neopentecostais a grande onda evangélica em países da América Latina de tradições católicas, foram chegando em países como o Brasil de maneira crescente, se instando tanto em áreas urbanas quanto em áreas rurais aos exemplos: 
1) Igreja Presbiteriana - baseada na teologia reformada (calvinismo). Enfatiza a soberania absoluta de Deus e a eleição divina; 
2) Igreja Batista - enfatiza a autonomia da igreja local e o batismo por imersão de pessoas adultas ou que tenham discernimento; 
3) Igreja Metodista - fundamenta-se na teologia arminiana, enfatizando o livre arbítrio, a graça de Deus acessível a todos e uma forte busca pela santificação prática; 
4) Igreja Luterana - baseada em Martinho Lutero, foca na salvação unicamente pela graça e pela fé, valorizando a justificação do pecador.

A própria igreja católica tentou reagir à fuga de fiéis, introduzindo um movimento de "renovação carismática", com rituais alegres, liberdade para os jovens católicos organizarem conjuntos musicais, para cantarem durante as missas, com missas embaladas por padres cantores, orações festivas, toques alegres entre os fiéis, hinos religiosos com palmas, imposições de mãos e braços e até movimentos de dança ou louvação repleta de alegria ou da "graça de Deus".

Música de compositores populares com teor religioso passaram a ser ouvidas em meio às missas. Ao exemplo de Roberto Carlos, Renato Russo e outros. Os padres compositores, a música gospel, as missas campais e as visitas papais aqueceram o movimento carismático na América Latina.

Enquanto isso, os grupos evangélicos Neopentecostais, passaram a atuar em grandes redes de TV, rádio e internet. Utilizando os meios de comunicação e plataformas digitais para expôr o interior de suas igrejas, lotadas e gigantescas, onde pastor é confundido como "Pop Star", fazendo pregação agressiva, falando abertamente em dízimo, oferecendo caneta ungida, feijão ungido, vassoura ungida, recebendo ofertas do fiel, diretamente pelo cartão de crédito e o usando cada vez mais o velho testamento como se fosse uma sinagoga judaica.

Nesse momento estas igrejas neopentecostais já estão seguindo uma nova abordagem religiosa. Agora falam diretamente sobre o envolvimento político e pregam a "teologia do poder de Deus" em todas as esferas de poder político, econômico e sociocultural. 

Esse é o nosso atual estágio e por incrível que pareça, todo esse movimento está diretamente vinculado às doutrinas norte americanas de que é vontade de Deus que os EUA governem todo o mundo ("Doutrina Manifesta") e a Doutrina de Segurança Nacional, em que as Américas são dos EUA.

A dominação pela fé, que o império romano introduziu com a criação da Igreja Católica Apostólica Romana, que se dividiu com a ortodoxia e depois, com o protestantismo (Luterano, Calvinista e Anglicano). 

Depois , mesmo, com centenas de denominações, todas apostam em fiéis como ovelhas mansas e obedientes aos seus padres ou pastores, servos e tementes a um Deus que "fala em línguas estranhas" e só salvará alguém milhares de anos, após a sua morte e em um Grande Tribunal Chamado de "Juízo Final. Será que uns poucos iluminados aprenderam a falar com Deus, mesmo sem entender o que dizem?

Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais. Fontes: Henrique Caldeira, História Estranha (Youtube); Renato Russo (Letras); Bíblia Sagrada on-line.

domingo, 7 de junho de 2026

Manhã de Sol e a Máquina

Por Belarmino Mariano"

No filme "A Máquina - o amor é o combustível", um pequeno Cliper de "Os Desconhecidos", eles interpretaram os cantores e compositores Geraldo Azevedo e Renato Rocha, na música "vista geral", também conhecida como "dia branco": (...) "Se você vier
Pro que der e vier, comigo / Eu lhe prometo o Sol, se hoje o Sol sair / Ou a chuva, se a chuva cair / Se você vier / Até onde a gente chegar / Numa praça, na beira do mar / Num pedaço de qualquer lugar / Nesse dia branco, se branco ele for / Esse tanto, esse canto de amor, ô-ô-ô / Se você quiser e vier / Pro que der e vier, comigo / Se você vier / Pro que der e vier, comigo / Eu lhe prometo o Sol, se hoje o Sol sair
Ou a chuva, se a chuva cair / Se você vier (...)" Se avexe não...

Hoje, às 6 horas e 36 minutos da manhã, quando saí na rua, o Sol tocou a minha pelo suave e pensei, esse brilho luminoso e dourado saiu do Sol a exatos 8 minutos. Pensei, o Sol não está tão longe de mim.

Lembrei que desses 8 minutos, antes que me tocasse, o sol levou 3 minutos e 20 segundos para passar ardente em Mercúrio e, em 6 minutos, cruzou a densa atmosfera de Vênus, 8 minutos e 20 segundos depois, outros raios atingiram a superfície lunar em apenas uma das suas faces desérticas e cheias de crateras e, devido a sua inclinação de apenas 2 graus, seu lado escuro nunca soube o que é a luz.

Pensei se isso estaria nos limites do invisível e todas as manhãs, o Sol teima em nascer para tocar as nossas peles macias. Mas também lembrei que aos meio dia, o sol se transforma em um sendeiro luminoso e lá no Sol não existe essa ideia de manhã, tarde ou noite.

O brilho da luz do sol toca em seu rosto todas as amanhãs e continua a nos tocar até o finalzinho da tarde (pôr-do-sol), é apenas uma pequena onda, de luz que já existia a milhões de anos e que lutou com unhas e dentes, nas entranhas eletromagnéticas do Sol até se libertar e escapar daquela gigantesca fornalha de hidrogênio e hélio em constante fusão nuclear.

Para além do Hélio e Hidrogênio, todos os outros materiais de poeira e gás que formam o Sol, os planetas, satélites, meteoros e outros elementos, são restos de alguma estrela que explodiu bem pertinho de nós e o Sol nasceu dessa grande explosão.

Como disse o cientista Carl Sagan (1980):
"Somos feitos de poeira de estrelas" e era sobre isso que estava pensando agora. A ideia de 8 minutos para a luz do sol nos tocar, é apenas o último instante de um deslocamento brilhante do que chegou à superfície dos milhões de anos das profundezas do Sol.

Uma estrela nasce da exploração de outras estrelas e algumas se transformam em buracos negros ou em poeiras estrelares é além de sermos tocados por esse brilho, horas suave e horas intenso, na verdade, não se resume a essa miúda distância de 150 milhões de quilômetros Terra-Sol. 

Fomos e somos gerados dessa luz radiante que a milhares de anos estava presa nas profundezas do Sol e todos os nossos elementos atômicos, um dia estavam nas entranhas de uma outra estrela que simplesmente explodiu para nos gerar enquanto organismos que se alimentam de luz.

*Por Belarmino Mariano Neto. Imagem das redes digitais. Fonte da composição: Musixmatch

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A Geografia Cultural e da Percepção - "Os trabalhos e os dias de Prometeu acorrentado"

.  Por Belarmino Mariano*

 Acho que existem duas questões em jogo, a primeira é relacionada aos elementos apalavrados e a outra diz respeito ao uso das palavras, pois a palavra é possuidora de muitas forças forjadas nos recônditos de nossa mente, elas expressam pensamentos, expressam sentimentos e, expressam vontades. Este trivium é minha maneira de viver e ver o mundo do qual sou participante. Todas as palavras são de um potencial sacro fantástico. Elas são imantadas de significados e interesses tão divinos que podem ser encontradas no mitológico mundo de Hesíodo em “os trabalhos e os dias” e esclareço a escolha deste filosofo grego, pois nele encontramos o mito de “Prometeu e Pandora” que começa dizendo: “oculto retêm os deuses o vital para os homens; senão comodamente em um só dia trabalharias para teres por um ano, podendo em ócio ficar; acima da fumaça logo o leme alojarias; trabalhos de bois e incansáveis mulas se perderiam” (HESÍODO, 2006, p.23). A escolha do fragmento de idéias gregas, tão primitivas e civilizadas encosta nos nossos dias de trabalho e de ócio. Temos muitas alegorias como: a “Caixa de Pandora”, enviada por “Júpiter” para castigar todos os homens mortais de um lugar. Percebam que ainda não estou querendo chegar à idéia instituída como Caos, nem a perspectiva de Nix ou de Eire. Figuras “erradas” e “iradas” que vivem surfando nas ondas olímpicas de nossa tradição filosófica e mitológica. Até porque, gosto por demais do Caos, da Noite e da Discórdia, pois é da deusa da Discórdia que nos alimentamos com os trabalhos e os dias. Mas voltemos a Prometeu, pois lhe coube a dádiva de criação do homem, essa mistura de água, terra, ar e ocultos materiais divinos que lhes permitiram direcionar a face aos céus, se imaginando também um pouquinho deuses. Vejam que estamos pensando em coisas essenciais que poderiam ser aqui representadas como elementos da natureza. Mas parece que na lógica da discórdia e na separação dos materiais, “o olho e o cérebro” (MEYER, 2002), preferem o cérebro matéria, memória expressa em neurônios e percepção visual da terra, do lugar ou do peso do firmamento. Nesse momento, gostaria de invocar a mulher, pois “Pandora” parece ser o presente de grego, dádiva de Júpiter ao pobre Prometeu. Ela é um castigo de Júpiter e que atingirá de cheio a criação divina em forma de homem. Nem gostaria muito de colocar o irmão de Prometeu nessa parte da história que lhes conto, mas foi exatamente Epimeteu, quem recebeu Pandora enquanto um presente, do qual Prometeu suspeitava e desconfiava. Pandora trazia em sua caixa, muitos e irados problemas para os homens e estes problemas escaparam antes que Pandora houvesse fechado a sua caixa, restando apenas um cantinho de esperança no fundo das coisas. Vejam que estamos vivendo mais uma vez à sórdida história das tragédias humanas e colocadas enquanto antecipação de fatos e fantasias tão divinas e tão humanas, com os quais nos tornamos homens mortais. Assim, as coisas estão caminhando em nosso mundinho. O uso in-devido das palavras, fortalecem contradições e expõem as entranhas de tradicionais forças que vivem em subterrâneas camadas do nosso cérebro. Hoje estava me perguntando: Pensamento, memória e o consciente são mesmo de que matéria? Pelo que mesmo estamos lutando em nossos dias? Em que darão estas brigas de Titãs? É nesse sentido que invoco Hesíodo em “os trabalhos e os dias”, pois pelo que me consta, existem muito melindro e vaidade entre as divindades do olímpico mundinho de nossa existência. Por isso os homens e mulheres que não são deuses, mesmo tendo sido projetados com o mesmo material e designe das divindades, precisam trabalhar, mesmo que muitos prefiram o ócio e confusões divinas. Por outro lado, “O Prometeu acorrentado” acha que Pandora trás em sua caixa todos os tipos de males, uma narrativa em que o ódio, a inveja e tudo mais, recairão sobre o homem e seu lugar. Vejo que as nossas relações estão tão presas ao mito de Prometeu e Pandora que o mundo dos homens, a história, a tradição, parecem vinganças de Zeus contra um lugar humano, amaldiçoado para sempre. Gosto da idéia de ser uma mortal e de ver meus dias consumidos pela vida, pela imprevisibilidade, assim me sinto tão divino quanto às crianças que brincam despreocupas do amanhã, mas sei das minhas correntes e assumo a condição “prométeica” de ter que trabalhar os dias, de planejar meus sonhos e de fazer acontecer. Nesse sentido, todos os argumentos e sentimentos de pertencimento ao lugar possuem a mais fiel validade, todos os medos e atropelos na maneira de conduções das idéias são naturalmente aceitáveis por todos, mas a engrandecida e catastrófica idéia de que tudo vai acabar não ajudam na configuração das melhores argumentações para o presente. Claro que o cérebro, processa necessidade imediata, reação instintiva e o frio na espinha quando se é surpreendido pelo latido do cão nas pernas. Mas passado o susto, recomposto o estado da racionalidade pura, será possível dialogar com as três maiores e invisíveis forças da natureza: Cronos (o tempo), Cosmo (o espaço) Caos (aqui traduzido com a incerteza). Falo do tempo, pois ele é o grande Senhor que a todos consome. No nosso caso, o tempo urge e precisamos ter clareza disso em nossas ações, pois depois que a areia escorre pelo fino gargalo da ampulheta, pouco se tem a fazer. Acredito que nessa relação espaço-tempo, a “Intercomunicação dos Sentidos”, Sobre a incerteza, acredito demais nela, é o corpo teórico com o qual gosto de trabalhar. Defendo inclusive que a vida é imprevisível, que “só há um ponto fixo”, como afirma Kafka e que é daí que precisamos partir. Não acredito que o cérebro funcione apenas para transmitir e dividir o movimento das ondas neurais. Algo mais que motricidade e mecânica físico-química acontecem nesse órgão de seleção e ação. Meio que discordando de Bérgson citado por Meyer (2002), somos possuidores de memória pura antecedente e o que chamo de essência espiritual dos titãs. Assim justifico tão enfronhado texto de mitos, homens, mulheres e divindades. Por isso, somos homens e mulheres mortais e sem culpas, nesse caso, conscientes dos papeis por nós assumidos entre “os trabalhos e os dias”, temos um poder reconhecido enquanto “lembrança pura”, transformada em “lembrança-imagem” (MAYER, 2002, p.24), e o conhecimento que podemos utilizar servirão para como Hercules, libertamos prometeu das correntes, pois sua luta foi conquistar o fogo para os humanos e por tal façanha foi acorrentado. O lugar como um detalhe abre espaço-tempo para o uso da inteligência coletiva (LÉVY, 2000) e para a constituição de laços sociais e relações com o saber dos quais temos profundo censo de justiça, ética e mais uma vez inteligência coletiva. 

*Belarmino Mariano Neto. Prof. De Teoria da Geografia, UEPB.

REFERÊNCIAS HESÍODO. Os trabalhos e os dias. (Traduz. LAFER, M. C. N.). São Paulo: Iluminuras, 2006. 
LÉVY, Pierre. A Inteligência coletiva – por uma antropologia o ciberespaço. São Paulo: Edições Loyola, 2000. MEYER, Philippe. O olho e o cérebro – biofilosofia da percepção visual. São Paulo: Ed. Unesp, 2002. https://fenixdefogo.wordpress.com/tag/cronos-tita/ http://www.vanialima.blog.br/2013/04/a-caixa-de-pandora.html
https://essencialismo.blogs.sapo.pt/geografia-cultural-e-da-percepcao-os-7088

A Geografia Cultural em Tecidos Mitológicos

.  Por Belarmino Mariano*

 A palavra é possuidora de muitas forças forjadas nos recônditos de nossa mente, elas expressam pensamentos, expressam sentimentos e, expressam vontades. Este trivium é minha maneira de viver e ver o mundo do qual sou participante. Todas as palavras são de um potencial sacro fantástico. Elas são imantadas de significados e interesses tão divinos que podem ser encontradas no mitológico mundo de Hesíodo em “os trabalhos e os dias” e esclareço a escolha deste filosofo grego, pois nele encontramos o mito de “Prometeu e Pandora” que começa dizendo: “oculto retêm os deuses o vital para os homens; senão comodamente em um só dia trabalharias para teres por um ano, podendo em ócio ficar; acima da fumaça logo o leme alojarias; trabalhos de bois e incansáveis mulas se perderiam” (HESÍODO, 2006, p.23). A escolha do fragmento de idéias gregas, tão primitivas e civilizadas encosta nos nossos dias de trabalho e de ócio. Mas voltemos a Prometeu, pois lhe coube a dádiva de criação do homem, essa mistura de água, terra, ar e ocultos materiais divinos que lhes permitiram direcionar a face aos céus, se imaginando também um pouquinho deuses. Vejam que estamos pensando em coisas essenciais que poderiam ser aqui representadas como elementos da natureza. Mas parece que na lógica da discórdia e na separação dos materiais, “o olho e o cérebro” (MEYER, 2002), preferem o cérebro matéria, memória expressa em neurônios e percepção visual da terra, do lugar ou do peso do firmamento. Nesse momento, gostaria de invocar a mulher, pois “Pandora” parece ser o presente de grego, dádiva de Júpiter ao pobre Prometeu. Ela é um castigo de Júpiter e que atingirá de cheio a criação divina em forma de homem. Gostaria muito de colocar o irmão de Prometeu nessa parte da história que lhes conto, pois foi exatamente Epimeteu, quem recebeu Pandora enquanto um presente, do qual Prometeu suspeitava e desconfiava. Pandora trazia em sua caixa, muitos e irados problemas para os homens e estes problemas escaparam antes que Pandora houvesse fechado a sua caixa, restando apenas um cantinho de esperança no fundo das coisas. Vejam que estamos vivendo mais uma vez à sórdida história das tragédias humanas e colocadas enquanto antecipação de fatos e fantasias tão divinas e tão humanas, com os quais nos tornamos homens mortais. Assim, as coisas estão caminhando em nosso mundinho. O uso in-devido das palavras, fortalecem contradições e expõem as entranhas de tradicionais forças que vivem em subterrâneas camadas do nosso cérebro. Hoje estava me perguntando: Pensamento, memória e o consciente são mesmo de que matéria? Pelo que mesmo estamos lutando em nossos dias? Em que darão estas brigas de Titãs? É nesse sentido que invoco Hesíodo em “os trabalhos e os dias”, pois pelo que me consta, existem muito melindro e vaidade entre as divindades do olímpico. Por isso os homens e mulheres que não são deuses, mesmo tendo sido projetados com o mesmo material e designe das divindades, precisam trabalhar, mesmo que muitos prefiram o ócio e confusões divinas. Por outro lado, “O Prometeu acorrentado” acha que Pandora trás em sua caixa todos os tipos de males, uma narrativa em que o ódio, a inveja e tudo mais, recairão sobre o homem e seu lugar. Vejo que as nossas relações estão até certo ponto, presas ao mito de Prometeu e Pandora. Gosto da idéia de ser uma mortal e de ver meus dias consumidos pela vida, pela imprevisibilidade, assim me sinto tão divino quanto às crianças que brincam despreocupas do amanhã, mas sei das minhas correntes e assumo a condição “prométeica” de ter que trabalhar os dias, de planejar meus sonhos e de fazer acontecer. Claro que o cérebro, processa necessidade imediata, reação instintiva e o frio na espinha quando se é surpreendido pelo latido do cão nas pernas. Mas passado o susto, recomposto o estado da racionalidade pura, será possível dialogar com as três maiores e invisíveis forças da natureza: Cronos (o tempo), Cosmo (o espaço) Caos (aqui traduzido com a incerteza). Falo do tempo, pois ele é o grande senhor que a todos consome. No nosso caso, o tempo urge e precisamos ter clareza disso em nossas ações, pois depois que a areia escorre pelo fino gargalo da ampulheta, pouco se tem a fazer ou a espacializar de fato Sobre a incerteza, acredito demais nela, é o corpo teórico com o qual gosto de trabalhar. Defendo inclusive que a vida é imprevisível, que “só há um ponto fixo”, como afirma Kafka e que é daí que precisamos partir. Não acredito que o cérebro funcione apenas para transmitir e dividir o movimento das ondas neurais. Algo mais que motricidade e mecânica físico-química acontecem nesse órgão de seleção e ação. Meio que discordando de Bérgson citado por Meyer (2002), somos possuidores de memória pura antecedente e o que chamo de essência espiritual dos titãs. Assim justifico tão enfronhado texto de mitos, homens, mulheres e divindades. Por isso, somos homens e mulheres mortais e sem culpas, nesse caso, conscientes dos papeis por nós assumidos entre “os trabalhos e os dias”, temos um poder reconhecido enquanto “lembrança pura”, transformada em “lembrança-imagem” (MAYER, 2002, p.24), e o conhecimento que podemos utilizar servirão para como Hercules, libertamos prometeu das correntes, pois sua luta foi conquistar o fogo para os humanos e por tal façanha foi acorrentado. O lugar como um detalhe abre espaço-tempo para o uso da inteligência coletiva (LÉVY, 2000) e para a constituição de laços sociais e relações com o saber dos quais temos profundo censo de justiça, ética e mais uma vez inteligência coletiva. Esse é o espaço que precisamos geograficamente refletir. 

* Belarmino Mariano Neto. Prof. da UEPB.

 Referências: HESÍODO. Os trabalhos e os dias. (Traduz. LAFER, M. C. N.). São Paulo: Iluminuras, 2006. LÉVY, Pierre. A Inteligência coletiva – por uma antropologia o ciberespaço. São Paulo: Edições Loyola, 2000. MEYER, Philippe. O olho e o cérebro – biofilosofia da percepção visual. São Paulo: Ed. Unesp, 2002. às janeiro 20, 2011

A BIBLIOTECA DE TITÃ

.  Por Joana Belarmino*

Futucando as redes sociais e conversando com minha irmã Joana Belarmino, estava procurando um conto que ela escreveu por volta de 2008. Queria presentear minha filha, Brenda Mariano, pelo décimo oitavo ano de vida e em especial, pela sua escolha acadêmica em iniciar o Curso de FÍSICA pela UFCG. Sua escolha por "uma ciência dura", tanto a física teórica, quanto a experimental, a fisica astronomica, quântica, de materiais escuras e buracos negros ou quasares. Pensei, ela também merece navegar pela literatura de sua amada tia joaninha 🐞. Então finalmente encontrei "A Biblioteca de Titã". Espero que faça uma boa viagem de volta a Terra.
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"A Biblioteca de Titã"

Diário de bordo, ano 2237, mês 9.
O disco desliza suavemente, vencendo os confins do espaço interestelar, percorrendo com tranqüilidade as primeiras horas da minha viagem de volta à Terra. Escrevo esse diário ao modo dos meus antepassados longínquos, traçando as letras nesse fino e perfumado papel reciclado, deliciando-me com esse diálogo entre a mão e o cérebro, esse trabalho artesanal de construir os pensamentos em molduras de letras curvilíneas,esse trabalho surpreendente de pensar e dizer, tarefa tão pouco comum em nossa era maquínica. 

Há calma e silêncio por aqui. Mas o silêncio, nesta pequena nave executiva de porte doméstico, é pleno de ocupação. Enquanto estou aqui, confortavelmente sentada à minha mesinha de trabalho, diante de uma xícara de chá que o pequeno Rad me preparou,enquanto traço as linhas da minha última experiência nesse meu diário, uma turba de sensores invisíveis e infatigáveis rastreiam o acontecer da nave... digo, o acontecer na nave. Minuto a minuto, examinam o chá, medem as quantidades já bebidas, enviam em cópia para o cérebro central, as primeiras linhas escritas. 
Daqui a meia hora, quando o primeiro relatório pulsar, como um pequeno peixe trêmulo, no ponto de contato mais próximo da estação de comonicações geoespaciais, quando em segundos, o relatório for despachado para os outros pontos de contato, centenas de bilhões de pessoas saberão que, as 17/10 min de hoje, na nave Pandora, a pesquisadora de línguas galácticas Ana Falcão parou de escrever em seu diário reciclado para coçar o pé, com sua própria mão, dispensando os estímulos elétricos do seu sapato espacial. 
Teimo em escrever um diário pessoal, quando as normas pedem um relato objetivo e sucinto. Cada gole de chá toca sem molhar, uma quase angústia, uma senssação de não pertencimento a esse mundo de agora. Síndrome degenerativa do par de genes 2050, diz-me a genética. Tratamento indispensável ao retornar, diz-me a agenda do plano médico. Não pensar nisso. Voltar no tempo. Traçar a narrativa da minha experiência na estranha biblioteca de Titã. 

Diário de bordo, ano 2237, mês 2. 
A alegria que superexcitava meus neurônios, naquela manhã de fevereiro, devia estar a transbordar em cada um dos pontos de contato dos mais de quatrocentos bilhões de sóis conectados. 
Recebera a notícia de que o meu trabalho sobre o fracasso da língua unitária nos subplanetas do sistema solar me valera o prêmio Titã. Para terem uma idéia da importância do prêmio Titã, saibam que ele só é editado uma vez, a cada dez anos. Com a rubrica da Inteligentsia galáctica, o prêmio assegura ao vencedor, a posse de uma pequena nave executiva de porte doméstico, para uma viagem de três meses de visita à biblioteca Titã. 
Na volta, o premiado ganha a cátedra da disciplina de Exobiologia lingüística, das universidades reunidas do sistema solar, pólo da terra. Nada havia me preparado para a experiência surpreendente que foram aqueles três meses, na biblioteca que era, ao mesmo tempo, a menor do universo, e, entretanto, a mais rica de todas em conhecimento. 
Quando cessaram as perturbações próprias à aterrisagem, quando deixou de se ouvir o zumbido intenso do reator central, o pequeno Rad já estava pronto para o desembarque, com sua roupa inteligente bojuda dos seus apetrechos de cozinha e todos os equipamentos indispensáveis à nossa estada na biblioteca. Checou e equilibrou os pesos do meu traje, a fim de minimizar os efeitos da gravidade de Titã.
Experimentou sorrir-me, e, na sua voz quase infantil, modulada de acordo com minhas preferências, disse, “Bem vinda ao mundo cinzento de Titã, Ana. Já podemos desembarcar. E orientou-me para a entrada da pequena cápsula de transporte que a nave Pandora havia estendido para nós, de uma das suas laterais.
Tínhamos aterrisado na face norte de Titã, e os múltiplos olhos do pequeno Rad iam me transmitindo as primeiras informações, enquanto a cápsula de transportes conduzia-nos para rocha firme. “Chuva recente de metano. Temperatura ambiente, -94 graus.” 
 Outros instrumentos inteligentes também despegavam-se da nave pandora, trabalhando numa pista que nos permitisse entrar na biblioteca, único edifício existente naquele satélite, encravado no topo de uma colina, e até agora invisível, mesmo para os meus artefatos ópticos. Uma suspensão brusca de movimento indicou-nos que a cápsula tinha chegado ao fim da sua curta viagem. 
Acostumada às viagens galácticas, impressionou-me entretanto o rugido dos ventos solares, a fustigarem implacavelmente aqele pequeno mundo gelado. Hora de voltar à nave mãe, cápsula e instrumentos inteligentes atracados, fugindo do vento solar. Uma pista inclinava-se diante de nós, Rad na frente, eu a seguir o seu pequeno rastro luminescente. 
Não precisávamos fazer grande esforço. Uma força magnética impulsionava-nos para o topo, onde pude ver uma passagem circular, e, antes que formasse alguma impressão, fui tragada. A descida para dentro das entranhas de Titã não era de todo agradável. Eu e Rad ricocheteávamos entre paredes estreitas de gelo rochoso, descendo sempre. Já me perguntava quando aquilo acabaria, quando meu sapato espacial finalmente impactou com solo duro e plano. “bem vinda à biblioteca de Titã”, disse-me Rad, numa voz cristalina onde não havia qualquer traço de cansaço. 
Ajustei meus instrumentos ópticos e vi. Vi um edifício hexagonal minúsculo, que entretanto parecia reproduzir-se a si mesmo, minuto a minuto, como uma divisão multicelular pulsante, a crescer e encolher-se, aumentar e retornar ao seu tamanho inicial, pura dança a exibir as letras da sua arquitetura. 
Estava eu, diante da réplica da biblioteca de Babel, imaginada por Borges, e que agora me pertenceria, por três exatos meses do tempo cosmológico. A pequena porta abriu para nós, um mundo silencioso e antigo, com cheiro de livros. Um mundo quente e quieto, como se fora um ninho aconchegante a nos pedir desculpa pela hostilidade gelada e barulhenta do exterior de Titã.
Um mundo onde o tempo não existia senão, como um traçado permanente de linhas hexagonais que se afunilavam, se bifurcavam em pontos tênues de encontro, alastravam-se em picadas imprevisíveis, interrompidas aqui e além, sem nenhum aviso, para recomeço de outro oceano hexagonal de linhas.
Olhei à minha volta, auxiliada por uma luz calma a brilhar de pequenas esferas, pendentes do teto. Embora tudo ali transpirasse a livros, embora tresandasse ali, uma narrativa subterrânea de todas as escrituras do mundo, nada indicava que houvesse estantes, nem livros. 
As paredes, à primeira vista lisas, de um tom cinza claro, aos poucos ganhavam pequenas nervuras, que se estriavam em delicados matizes de cinza, irizavam-se em pequenas bolhas, como se aprontassem, por conta própria, uma estrutura à prova de som, semelhante a cascas de ovos. 
A meu lado, pareceu-me que o pequeno Rad exultava de uma alegria nova, a percutir em todas as suas engrenagens. “Vou lhe mostrar a biblioteca, venha”. Seguí-o intrigada pelo primeiro pavimento, ouvindo seu menu de explicações, na voz que ganhava em qualidade estereofônica naquele lugar estranho, feito de pequenez e de grandeza. 
“Já deve ter percebido que o designer da biblioteca é de inspiração Borgeana”, disse-me ele enquanto fitávamos o rebentar de mais uma pequena bolha, ao lado da escada que dava acesso ao segundo pavimento hexagonal. E prosseguiu enquanto subíamos a escada: “A teoria das cordas, em suas mais recentes descobertas, forneceu à biblioteca, a sua estrutura física”.
Lembrava-me vagamente das hipóteses fundamentais da teoria das cordas. O universo em dez dimensões, a teoria dos buracos de minhoca, dimensões de espaço encolhidas numa dimensão qualquer do tempo.
“Andaríamos por aqui ad infinitum”, disse-me ele com voz quase nostálgica. “entretanto nossa visita é datada, e assim urge que lhe explique o que são os nodos centrais da biblioteca”.
Paramos a meio do segundo pavimento, e materializou-se a meus pés, um pequeno círculo vermelho no chão. “Isto é um nodo central”, disse-me ele. Vasculhei a memória à procura de alguma materialidade para aquele conceito. Rad veio em meu socorro.
“Um nodo central é um ponto vazio, que entretanto comunica-se com a mente do mundo, e traz para cá todos os livros. Os que já foram escritos, os que nunca se concluíram, aqueles por escrever, os livros imaginados e sonhados”. 
Mirou o pequeno círculo com quase reverência e continuou: “Temos aqui a comprovação prática de uma teoria antiga, esboçada no século XX, pelo inventivo teórico David Bohn, que pressupôs a existência de uma mente no mundo, apta a conectar-se ou ser conectada por cada mente individual”. É por via dessa mente do mundo, que capturamos os livros, e todo o seu entorno”. 
A pergunta que inchava dentro de mim, ganhou corpo e ribombou para dentro do círculo vermelho, produzindo um eco fantasmagórico. “E onde estão os livros Rad? Onde estão os livros nesse buraco de minhoca?” O riso da máquina adquiriu um tom surprendentemente humano. Extraiu de um dos seus múltiplos enclaves, uma espécie de varinha mágica, uma caneta sem ponta, cor de madeira que me entregou.
 “Apresento-lhe a sua caneta quântica, forjada para um único fim, investigar a biblioteca de Titã e pronta a destruir-se minutos antes de ultrapassarmos a porta de saída. toque em qualquer uma dessas bolhas.” Fiz o gesto indicado. A bolha contactada como que tremeluziu, alargou-se e explodiu libertando um bicho. Sim, um bichinho escamado e pulsante, ínfima sílaba do universo hexagonal que a continha.
Toquei novamente no minúsculo ser e suas escamas abriram-se em frases brilhantes. Ajustei meus instrumentos ópticos e li “a Divina Comédia”. Sim, ali em escamas, a magistral obra da angústia do ser, em toda a sua plenitude. Toquei novamente no livro, e a obrazinha mostrou-me a enfiada dos homens e mulheres que a haviam lido ao longo dos tempos. Outro toque, e vi outras obras de enlace, ensaios críticos, artigos jornalísticos, enfim, tudo o que já se produzira acerca da narrativa de Dante Alighière. E de posse daquela caneta quântica, conheci assombrada os prodígios da biblioteca de Titã. 
Vi os livros inacabados, vi o capítulo da arte produzida pelos robôs, vi a cápsula das produções extra terrestres, vi os livros futuros, pulsando uma linguagem desconhecida, como aquela grafia que espantara Borges, escrita homogênea das letras “ M C V perversamente repetidas da primeira linha até à última.” 
Vi os livros, os antigos e os novos, antes de serem escritos, vi os livros escrevendo-se, a mão de cada escritor, no momento exato de traçar o ponto final. Os livros ali podiam estar vivos, atualizando-se, para depois fecharem-se em suas pequenas crostas, não ocupando senão um pequeno entalhe quase invisível na parede da biblioteca.
Os três meses vividos na biblioteca de Titã, foram para mim, meses de aprendizado, fascinação, medo e angústia. Desejei um mistério, um lugar escuro, um útero, uma regressão absoluta, e a crônica da minha angústia amanheceu em bolha marrom escura, num livro de crônicas do futuro.
Quis parar de pensar, e a biblioteca mostrou-me as múltiplas formas de morte, asssim como as páginas e páginas escritas num tempo infantil em que os homens forjaram a narrativa da vida eterna. Aspirei por um livro branco, sem qualquer letra escrita, e a biblioteca ofertou-me a quota do meu desejo, em páginas e páginas limpas e escorreitas, sem qualquer ranhura, páginas que o meu imaginário doente preenchia com sílabas indecifráveis forjadas pelos meus genes defeituosos.
Cerrei os olhos, ocultei-me para além dos escaninhos da memória, e mesmo ali, ainda havia uma híbrida narrativa animal do meu desespero. Volto para casa com a saliva íntima de todas as línguas vivas. Volto para casa com um entalhe novo na minha angústia velha, bolha marrom que vive e pulsa em diapasão, os ecos de uma biblioteca total. 
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*Joana Belarmino de Sousa é jornalista, Bel. em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal da Paraíba, 1981; Mestra em Ciências Sociais pela mesma universidade, 1996; Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2004. É professora Titular do Curso de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba, tendo iniciado a docência em 1994. Foi a primeira coordenadora do Programa de Pós-graduação em Jornalismo da UFPB. Desenvolve pesquisas nas áreas de acessibilidade à comunicação e ao jornalismo, ciberativismo, cegueira e percepção tátil, arte, literatura e comunicação. 
Mantém o blog Barrados no Braille 
Fonte: SOUSA, Joana Belarmino de . A biblioteca de Titã. Rio de Janeiro: Corifeu, 2008 (Conto).
Imagem da Nasa.