segunda-feira, 29 de junho de 2026

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NÃO É OPINIÃO. É VIOLAÇÃO DE DIREITOS.

.  Por Jornal Grande Axé*

Mais uma vez, um terreiro de matriz africana se torna alvo de uma ação que ultrapassa os limites da fiscalização e atinge diretamente a liberdade religiosa.

 A apreensão de tambores, objetos sagrados e instrumentos de culto não representa apenas a retirada de bens materiais. É um ataque à história, à ancestralidade e à identidade de um povo que, há séculos, luta para exercer sua fé com dignidade.

Enquanto igrejas e templos de outras religiões são, em regra, tratados com respeito às suas práticas e símbolos sagrados, os terreiros continuam enfrentando abordagens marcadas pelo preconceito, pela falta de preparo e, muitas vezes, pela intolerância. Essa desigualdade precisa ser denunciada.

O Brasil é um Estado laico. A Constituição Federal garante a liberdade de crença e protege os locais de culto e suas liturgias. Quando um terreiro é desrespeitado por causa de sua religião, não é apenas uma casa que sofre: é toda uma comunidade que vê seus direitos fundamentais ameaçados.

Não se trata de pedir privilégios. Trata-se de exigir o que a lei já garante: respeito, igualdade e liberdade para todas as religiões.

É urgente que as forças de segurança recebam formação adequada sobre diversidade religiosa e direitos humanos, para que ações policiais ocorram dentro da legalidade, sem reproduzir preconceitos históricos contra as religiões de matrizes africanas.

O silêncio fortalece a intolerância. A denúncia fortalece a democracia.

Respeitar o tambor é respeitar a Constituição. Respeitar o terreiro é respeitar a liberdade. Intolerância religiosa é crime e precisa ser combatida com firmeza, justiça e união.

*Jornal Grande Axé.

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