Não sou crítico de artes, nem tão pouco algum conhecedor de obras, apenas um curioso, um pitaqueiro e gosto de relacionar absurdos que passam pela minha cabeça pequena e de "paraíba nordestino". É assim que os lá de baixo, com seus preconceitos de lugares, gostam de nos chamar?
Pesquisando sobre as copas suspeitas da Argentina (1978, 1986 e 2022), independente das teorias conspiratórias, descobri que o quadro original "Abaporu" se encontra na Argentina. Foi comprado por cerca de US$ 1 milhão e atualmente é avaliado em cerca de por US$ 40 milhões de dólares ou R$ 200 milhões de reais.
Hoje de manhã vi no noticiário que Eduardo Bolsonaro, condenado no Brasil e fugitivo nos EUA, disse em live que o presidente da Argentina Javier Milei virá ao Brasil dia 25 de julho para declarar apoio a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente do Brasil e, também pretende se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. Será que irá pedir permissão ao ministro Alexandre de Moraes (STF)?
Fiquei com a orelha coçando, pois a Argentina de Milei, vem dando apoio a vários grupos e governos de extrema direita na América Latina, mesmo com o seu país vivendo sua pior crise política e econômica da história recente e seu completo viralatismo ao governo de Donald Trump, tipo: "Vai meu cachorrinho a sua dona está mandando!" (Kelly Key).
Mas isso não é problema, pois o excêntrico Milei, já conversa até com espírito ou alma do seu cachorro morto e enterrado. Mas o que tudo isso tem haver com o Aboporu de Tarsila do Amaral?
Abaporu! Adoro essa obra, acho magnífica e confesso em minha pouca cultura que não sabia que o Abaporu, símbolo do canibalismo Tupi, havia sido comprada e por mais de 30 anos é da Argentina.
A Obra Abaporu de Tarsila do Amaral (1928)
De acordo com Gomes (2026), em as aventuras na história, o Abaporu se encontra prestes a completar um século e se tornou o ponto chave para o "movimiento antropofagista" e mordenista das primeras décadas do século XX.
Dentro os vocábulos tupis de tradição oral, Abaporu significa uma mistura de aba (homem), pora (gente) e ú (comer). Quando interpretamos para o português brasileiro, ganha o sentido de "homem que come gente". Em espanhol ou castelhano: "hombre que se come a la gente". Será que na interpretação da artista modernista Tarsila do Amaral e do poeta Oswald de Andrade: "homem antropófago" ganhou o mesmo sentido para los hermanos?
De acordo com Aidar (s/d), no Abaporu retrata uma figura humana sentada numa posição pensativa em uma paisagem árida e ensolarada. Entretanto, o que se sobressai na obra é justamente a ênfase dada ao tamanho agigantado dos membros, em detrimento do tamanho inferiorizado da cabeça.
Se na cabeça residem os pensamentos, sentimentos e desejos. O pensamento, a memória, a ideia, a inteligência e as vontades humanas. Tarsila talvez estivesse nos alertando sobre ressentimentos humanos que, em muitos momentos, pensam pouco, ao ponto de a espécie querer se alimentar de si própria, apenas como forma de tentar sobreviver as forças e selvagerias da própria natureza humana.
Em 1929, o marido de Tarsila, poeta Oswald de Andrade, publicou o "Manifesto Antropófago", que se tornou uma tendência dentro do movimento modernista brasileiro. Uma profunda reflexão sobre a existência e a experiência humana e suas contradições, para superarmos a nossa dependência colonialista.
Viagens intelectuais a parte, Oswald de Andrade fez uma profunda crítica a cultura estrangeira, despertando o interesse contra o colonialismo e pela ideia de um Brasil livre e soberano. Tarsila pintou o Abaporu na perspectiva do canibalismo, baseada em rituais indígenas Tupi, mas parece que o espírito nacional já havia sido consumido por interesses completamente externos, tanto é que a obra não foi valorizada na época
De acordo com site da Fundação de Arte (Funarte), e Ministério da Cultura do Brasil, Tarsila do Amaral pintou o Abaporu como presente de aniversário ao marido Oswald de Andrade. Infelizmente, esse homem a traiu e, com o fim do casamento, ele vendeu a obra a um colecionador brasileiro, que a revendeu a outro e, ao final, o Abaporu foi parar na casa de leilões Christie's, em Nova York (EUA), sendo arrebatada por cerca de US$ 1,3 milhão.
Tarsila do Amaral faleceu em 1973 e sua obra foi leiloada em 1995, por mais de US$ 1,3 milhões de dólares, foi comprada pelo bilionário e colecionador argentino Eduardo Costantini de origem italiana. Atualmente o quadro está exposto no Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires (MALBA), Museu criado pelo próprio Constatini.
A Argentina possuí uma das mais importantes obras de uma brasileira. Isso mesmo, o Abaporu é dos argentinos. Se o Abaporu não foi valorizado por aqui, os Argentinos o quiseram e hoje possuem um pequeno tesouro. Nessa transação, talvez esteja projetada a cabeça pequena dos que "devoram a si próprios" em uma antropofagia reversa, em que, vestidos de falsos patriotas, querem entregar as coisas raras do nosso país aos estrangeiros, como se não tivesse nenhum valor.
Hoje em dia, mesmo não estando a venda, a obra Abaporu é avaliada entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões. Cerca de R$ 200 milhões e R$ 250 milhões de reais. Isso mesmo, um dos símbolos críticos que alinentou milhares de intelectuais a superar os limites culturais, políticos e socioeconômicos do Brasil e um original em domínio dos argentinos.
Como Tarsila do Amaral fez estudos de Bellas artes na Espanha, e também acompanhou Oswald Andrade a Fraça,certamente visitou as obras de Rodin e pode ter sido influenciada pela escultura "O Pensador" (Le Penseur), obra de bronze, criada pelo artista francês Auguste Rodin (1880/1904).
De acordo com Nehr (s/d), existem cerca de 27 copias em tamanho original de "o pensador" e uma delas se encontra na Praça do Congresso de Buenos Aires, capital argentina. Parece que os Argentinos estão bem em seus investimentos culturais, independente de ser original ou cópia.
Talvez seja apenas uma viagem de minha cabeça pequena, mas o Abaporu e "o Pensador" de Rodin se encontrarem no território argentino, no centro de Buenos Aires, diz alguma coisa sobre arte e poder. Sobre a valorização ou a desvalorização de coisas belas como a arte.
Como afirma o cantor, compositor e antropofagista Caetano Veloso: "da força da grana que ergue e destrói coisas belas", crítica ao poder do capital financeiro sobre a paisagem e a cultura da metrópole paulistana. Os empresários da Faria Lima que nos contem essa história.
Mas voltando aos humanos reflexivos de Tarsila e Rodin, ambos são homens sentados em pedras. O Abaporu, pintura a óleo sobre tela, se encontra diante de um cenário de clima seminárido e de um sol escaldante. A desproporção proposital e o gigantismo dos seus membros inferiores em relação ao cérebro diminutivo, embaçam a realidade nos obrigam a forçar à mente, comprimida pela caixa craniana.
"O Pensador de Rodin, obra escultural em bronze, de acordo com o próprio Auguste Rodin, foi construído para ficar na "Porta do Inferno", sendo a representação do próprio Dante Alighieri, contemplando os círculos do inferno descritos na obra "A Divina Comédia", fiel representação do sofrimento da humanidade em seus conflitos.
Na atualidade uma cópia fiel de "o Pensador" de Rodin se encontra na porta do famigerado Congresso da Argentina, local com uma maioria de deputados da extrema direita, inimigos do povo argentino e a 6 km de distância do Museu onde está o Abaporu que era de Tarsila e do Brasil.
Agora quero saber quanto vai custar essa vinda e esse apoio do presidente argentino Javier Milei para o lançamento do nome de Flávio Bolsonaro (PL), para presidente do Brasil? Será que já foram transferidos alguns dos R$: 134 milhões de reais do filme Dark Horse (O Azarão), esse drama biográfico, sobre um golpista que se apresentou como o mito salvador da pátria, e que segue com os filhos bolsonarentos, fazendo acordos estrangeiros espúrios e tramando contra a soberania brasileira?
Javier Milei é o amiguinho de Trump e dos Bolsonarentos. Ele colocou a Argentina na pior recessão do país e o povo de lá está sendo massacrado pelos baixos salários, desemprego e inflação galopante. O Flávio daqui, quer adotar a mesma política do Milei, mas todo e qualquer apoio entre os extremistas da direita, tem um custo muito elevado.
Se a Polícia Federal (PF) brasileira seguir os passos labirinticos do dinheiro, do Daniel Vorcaro, repassados para o Flávio e o Eduardo Bolsonaro, quem sabe, poderá encontrar alguns milhões em território de "los hermanos" do Milei?
*Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais e uma pitada de teoria da conspiração para o estado da arte.
Fontes:
https://www.gov.br/funarte/pt-br/assuntos/noticias/todas-noticias/voce-conhece-o-abaporu
AIDAR, Laura. Abaporu: pintura de Tarsila do Amaral. Disponível em -
https://www.todamateria.com.br/abaporu/
NEHR, Laura. O Pensador de Rodin no mundo, versoes autenticas ou cópias? Disponível em -
https://lauranehr.com/o-pensador-de-rodin-no-mundo-versoes-autenticas-ou-copias/
GOMES, Giovanna. Tarsila do Amaral, a artista que pintou o ‘Abaporu’, dando origem ao Movimento Antropofágico (2026). Disponível em -https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/tarsila-do-amaral-a-artista-que-pintou-o-abaporu-dando-origem-ao-movimento-antropofagico.phtml
Nenhum comentário:
Postar um comentário