quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Fotografia

Por Belarmino Mariano. 
Eram duas mulheres magras e de meia idade sentadas em um banco da praça enquanto tabulavam conversas incidentais.
As peles maltratadas pelo sol de cada dia, revelam uma cor morena casca de canela da Índia. As vestimentas e endereços de uma delas, parecia sair de um filme de ficção popular. Um vestido brilhoso de seda sintética vermelho tomara que caia. Bonito e desproporcional para as dez horas da manhã. 
Na cabeça um chapéu de massa, redondo e de abas curtas, daqueles que lembram as mulheres camponesas peruanas ou bolivianas que vivem na Cordilheira dos Andes. O chapéu tinha um pequeno adereço de ramagens de flores artificiais, os brincos eram grandes e escorridos como as ramagens e em seus lábios, um batom vermelho ameixa madura, que combinava com exagero do vestido.
As sandálias rasteirinhas eram desproporcionais ao modelo tomara que caia. Mas não destoava tanto, pois puxava para um vinho avermelhado e em uma perna cruzada sobre a outra, realçaram a cor viva.
A outra mulher, também arrumada, contrastava com seu bege básico, apesar de também ter um corte com alças suaves sobre os ombros magros, também maquiada com tons do mesmo batom e blanche rosa escuro, enquanto tragava um cigarro de filtro apenas estético.
Quem eram elas, nunca tinha visto ou notado seus corpos e estilos? O que conversavam, parecia um pouco sobre amarguras, sobre sofrimentos e desamores.
Passei pela primeira vez e fui cordial com um bom dia, retribuído por ambas, enquanto também me observavam e, como eu estava caminhando, passei mais umas três ou quatro vezes, sempre tentando enquadrar melhor o ângulo daquela fotografia.
Por Belarmino Mariano. Arquivo de imagens do autor.

sábado, 24 de fevereiro de 2024

"Persona non grata e o paradoxo do Cristão desavisado"

Por Belarmino Mariano.

Espero não ser considerado um antisemita, mas por causa dos meus escritos, certamente "sou uma persona non grata em Israel". Mas o que escrevi agora são relatos que estão no Novo Testamento, livro sagrado para os cristãos.
No Brasil bolsonarista, surgiram muitos evangélicos se achando judeus. Quem os convenceu de tamanha barbaridade?
Será que tenho que alertar para essa galera que ninguém se torna Judeu assim. Para você ser Judeu, precisa nascer Judeu da barriga de uma mulher judia. 
Ou seja, ninguém se converte ao judaísmo, por mais que a tradição monoteístas se utilize da ideia de um único Deus. 
Para os judeus radicais e suas lideranças extremistas, cristão, mulçumano, árabe ou palestino são "personas non gratas" que usam a tradição dos patriarcas israelitas para justificar suas religiões. 
Você sabia que, se um homem Judeu se casar com uma brasileira não judia, seus filhos não serão judeus?
Você sabia que os judeus consideram  Jesus Cristo como um falsário ou falso profeta, motivo de sua prisão e crucificação?
Você sabia que os judeus radicais cospem, xingam e agridem cristãos que visitam Jerusalém?
Você sabia que Jesus Cristo e todos os seus apóstolos eram "personas non gratas em Israel"?
Você sabia que para os judeus, o Novo Testamento não é e nunca foi um livro sagrado?
Você sabia que os palestinos consideram Jesus Cristo um Profeta anterior a Maomé?
Você sabia que segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo nasceu em Belém, território palestino da Cisjordânia?
Você sabia que Jesus Cristo falava Aramaico, uma língua comum ao povo palestino e a outros povos e tribos de todos aqueles territórios palestinos?
Você sabia que líderes religiosos judeus perseguiram Jesus Cristo, seus apóstolos e seguidores, assim como perseguem os palestinos há séculos. 
Você sabia que os religiosos de Israel convenceram os governantes romanos em Jerusalém que Jesus era um impostor, um falso profeta, então pediram a sua prisão, tortura e a pena capital de morte por crucificação?
Você sabia que os primeiros manuscritos do Novo Testamento foram escritos em aramaico, a língua de Jesus e não em hebreu, a língua dos judeus?
Então, você que é crente, que se diz evangélico, que enche o peito para dizer que é Cristão, se liga, leia a Bíblia, pois se Jesus Cristo voltasse hoje e chegasse nas terras onde nasceu, encontraria o massacre de Israel contra o povo palestino.
Se Jesus voltasse nesse momento, ficaria chocado com mais de dez mil crianças palestinas mortas em bombardeios israelenses. 
Jesus poderia ser um homem morto por bombardeio ou asfixiado por fósforo branco entre os cerca de 30 mil mortos e mais de 70 mil feridos, amontoados em escombros, além de cerca de 1,5 milhões de desabrigados, refugiados em desertos ao Sul de Gaza. 
Você que diz ser um crente em Jesus, que defende a Bíblia ao pé da letra e passa pano para o genocídio de Israel na Faixa de Gaza, precisa acordar, pois nada disso condiz com um Cristão de verdade.
Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Israel, Território Ocupado e Paradoxo Bíblico.

Por Belarmino Mariano.

Em Gênesis (12:7), Deus diz: "-Abrão, a sua descendência darei esta terra. (...) Saia de sua terra, do meio dos seus parentes e da casa do seu pai, e vá para a terra que lhe mostrei."
É interessante observar que a famosa Terra Prometida por Deus a Abrão, renovada a Isaque e depois a Jacó, já era um território de outros povos. Quem falhou nessa escolha e promessa da terra onde jorrará leite e mel? 
Deus o onipresente, onipotente e onisciente, não percebeu que esta terra já era historicamente ocupada por vários outros povos?
Que problema sério esse. Deus deu aos israelitas, uma terra já ocupada, com cidades, culturas próprias, religiões e deuses distintos?
Esse é um grande paradoxo, pois desde então, os hebreus ou israelitas, entraram em guerras milenares e seculares, contra seus vizinhos, sempre tentando impor a suposta vontade do seu Deus. 
Basta ler o antigo testamento, dos primeiros patriarcas e profetas até os dias atuais e esse povo escolhido por Deus já entrou em todos os tipos de guerras e tragédias para justificar a ideia de ser um povo escolhido que recebeu uma terra prometida. 
No mínimo esse Deus é cruel e inconsequente, pois em mais de 5 mil anos, os israelitas matam e morrem em nome de Deus. 
No Velho Testamento, já ocorreram grandes massacres e genocídios, contra povos que já estavam nessa suposta Terra Santa, bem antes dos judeus.
Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Lilith e os Paradoxos do Velho Testamento

Por Belarmino Mariano.

É preciso ter muita fé.
Deus veio do Nada, 
Criou o mundo em sete dias.
Fez o homem do pó da Terra, 
Fez a mulher da Costela do homem do pó da Terra.
Depois precisou de uma virgem para gerar seu filho primogênito.
Antes da mulher da costela do homem, Deus criou Lilith, que foi a primeira mulher. Lilith não foi criada, nem de barro e nem de costela. De qual matéria Lilith foi gerada? 
Uma coisa é certa, Deus não gostou de sua criação e expulsou lilith do Éden.
Deus criou a cobra, que conversou com a mulher da costela a comer do fruto da árvore do conhecimento, que convenceu o homem feito de barro a comer do fruto da árvore da vida.
Deus não deu consciência ao homem de Barro e nem à mulher da costela, ambos conseguiram com a dica da cobra.
Deus ficou irado com a consciência humana, por isso os condenou e os expulsou do paraíso.
Lilith que também foi expulsa do paraíso, passou a viver com as bestas e feras dos campos. Será que a mulher que Cain encontrou, quando foi expulso do Éden era Lilith? 
Por Belarmino Mariano, imagem das redes.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

O Devorador do Dízimo

Por Belarmino Mariano.

Quem será o verdadeiro Devorador do Dízimo? O pastor empolgado e quase berrando para as ovelhas assustadas, dizia que não adintava esconder o dízimo pois o devorador tinha mil olhos e via tudo.
O devorador que todo o dízimo que estava reservado para Deus, e quem não entregava o dízimo no altar do Senhor, poderia ser devorado pelo demônio de mil olhos.
Muitos irmãos, nem lêem a Bíblia pessoalmente, preferem andar com o livro sagrado no sovaco, como se fosse em amuleto contra o satanás e nem percebem que o terror e o medo advindo de alguns púlpitos são verdadeira profanação da palavra, em especial, naquele momento de coleta de doações, ofertas e do dízimo. 
Muitos nem imaginam que dízimo, doações, donativos ou ofertas, na Bíblia não têm bada haver com dinheiro ou com 10% do seu salário.
A expressão dizimo  (Gênese 14),  quer dizer colheita, oferecida voluntariamente aos necessitados, idosis, viúvas, órfão e estrangeiros (migrantes). Em outras passagens biblicas, Abrão, Jacó e outros doavam cereais aos necessitados, em especial a tribo dos levíticos que eram mais pobres que as outras tribos hebraicas.
O Dízimo nunca signicou dinheiro e segundo a Lei de Moises (Lv 27, 30, 32); (Malaquias 3:10); (Hb 7:5). O dizimo era dado exclusivamente aos levitas (1 Cr 15:2) (Hb 7.5), (Hb 7.11), pois as tribos mais abastadas não deveriam acumular, então a vontsde de Deus era a ajuda ao próximo, a compaixão e a comunhão tão tratada por Jesus em seus sermões, nunca foi dibre dinheiro.
Até mesmo os levitas não deveriam guardar tudo para elas mesmas, pois significaria acumular tesouro o que é terminantemente proibido por Deus, a tribo de Levi por sua vez também ofertava a viúvas órfãos e necessitados (Dt 26:12) repartiam com os estrangeiros, já que Israel no passado também já foi estrangeira, significando assim amor ao próximo.
Onde surge a ideia atual dos devoradores? No Velho Testamento, os devoradores sai as pragas de gafanhotos ou insetos migratórios que se deslocavam pelos desertos em busca de vegetação, nuvens de gafanhotos, conseguiam destruir toda uma plantação em questão de dias e eram um grande problema para os campinenses da época.
Na bíblia são claramente insetos que prejuficam a plantação e consequentemente as colheitas e até mesmo o dízimo que era recolhido para a tribo de Levi.
Na atualidade, pastores ou líderes religiosos usam a ideia de recolhem o dizimo em dinheiro, oferta ou doação, mesmo  não sendo da tribo de Levi, sem ser judeus e sem fazer parte da Lei de Moisés. 
Por isso muitos pastores tentam confundir os cristãos, dizendo que Jesus e o Cristianismo é a mesma coisa do judaísmo e justificam isso para cobrar o dízimo como se fosse um imposto obrigatório de cada cristão.
O dízimo foi uma tradição que existiu de Abraão, até Levi (Hb 7:9). O apóstolo cristão Paulo explicou que, o dizimo terminou em Levi. 
De acordo com Paulo afirma, em carta aos Hebreus (Hb 7, 1 - 28), Jesus Cristo aboliu as obrigações levíticas e todas as suas as leis, dízimos e costumes.
Em diferentes passagens do Novo Testamento, essa passagem bíblica se repete:  (Hb 7.18). E ainda: "O mandamento precedente é, na verdade, ab-rogado pela sua fraqueza e inutilidade" (Hb 7, 18); (2 Co 3:14), até o momento em que Jesus faz duras críticas aos Escribas e Fariseus sobre a cobrança de dízimo, como se fosse um imposto (Mt 23:23).
Jesus aboliu a ideia de dízimo e pregava a ideia da caridade e amor  ao próximo, da comunhão e da compaixão para os que precisam, necessitam (Is 1:17), (Tg 1:27).
Esse pessoal transvestido de pastor, bispo ou coisa parecida, usam o púlpito das igrejas, misturam as ideias e leis do Velho Testamento e até confundem os fiéis para serem obrigados a doação obrigatória do dízimo, como se fossem judeus. 
Para tanto, usam o temor a Deus e mentem ao afirmar que os gafanhotos são diabos Devoradores. Como afirma Chico Cesar, " Essa gente é o fiabo e faz a vida de Deus um inferno".
Belarmino Mariano, imagens das redes sociais.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Prometeu Acorrentado

Por Belarmino Mariano 
Acho que existem duas questões em jogo, a primeira é relacionada aos elementos apalavrados e a outra diz respeito ao uso das palavras, pois a palavra é possuidora de muitas forças forjadas nos recônditos de nossa mente, elas expressam pensamentos, expressam sentimentos e, expressam vontades. Este trivium é minha maneira de viver e ver o mundo do qual sou participante.

Todas as palavras são de um potencial sacro fantástico. Elas são imantadas de significados e interesses tão divinos que podem ser encontradas no mitológico mundo de Hesíodo em “os trabalhos e os dias” e esclareço a escolha deste filosofo grego, pois nele encontramos o mito de “Prometeu e Pandora” que começa dizendo: “oculto retêm os deuses o vital para os homens; senão comodamente em um só dia trabalharias para teres por um ano, podendo em ócio ficar; acima da fumaça logo o leme alojarias; trabalhos de bois e incansáveis mulas se perderiam” (HESÍODO, 2006, p.23).

A escolha do fragmento de idéias gregas, tão primitivas e civilizadas encosta nos nossos dias de trabalho e de ócio. Temos muitas alegorias como: a “Caixa de Pandora”, enviada por “Júpiter” para castigar todos os homens mortais de um lugar. Percebam que ainda não estou querendo chegar à idéia instituída como Caos, nem a perspectiva de Nix ou de Eire. Figuras “erradas” e “iradas” que vivem surfando nas ondas olímpicas de nossa tradição filosófica e mitológica. Até porque, gosto por demais do Caos, da Noite e da Discórdia, pois é da deusa da Discórdia que nos alimentamos com os trabalhos e os dias.

Gosto da ideia de ser uma pessoa mortal e de ver meus dias consumidos pela vida, pela imprevisibilidade, assim me sinto tão divino quanto às crianças que brincam despreocupadas do amanhã, mas sei das minhas correntes e assumo a "condição prometeica” de ter que trabalhar os dias, de planejar meus sonhos e de fazer acontecer.

Nesse sentido, todos os argumentos e sentimentos de pertencimento ao lugar possuem a mais fiel validade, todos os medos e atropelos na maneira de conduções das idéias são naturalmente aceitáveis por todos, mas a engrandecida e catastrófica idéia de que tudo vai acabar não ajudam na configuração das melhores argumentações para o presente.

Claro que o cérebro, processa necessidade imediata, reação instintiva e o frio na espinha quando se é surpreendido pelo latido do cão nas pernas. Mas passado o susto, recomposto o estado da racionalidade pura, será possível dialogar com as três maiores e invisíveis forças da natureza: Cronos (o tempo), Cosmo (o espaço) Caos (aqui traduzido com a incerteza). Falo do tempo, pois ele é o grande Senhor que a todos consome. No nosso caso, o tempo urge e precisamos ter clareza disso em nossas ações, pois depois que a areia escorre pelo fino gargalo da ampulheta, pouco se tem a fazer.

Acredito que nessa relação espaço-tempo, a “Intercomunicação dos Sentidos”, Sobre a incerteza, acredito demais nela, é o corpo teórico com o qual gosto de trabalhar. Defendo inclusive que a vida é imprevisível, que “só há um ponto fixo, que é nossa insuficiência”, como afirma Kafka e, é daí que precisamos partir. Não acredito que o cérebro funcione apenas para transmitir e dividir o movimento das ondas neurais. Algo mais que motricidade e mecânica físico-química acontecem nesse órgão de seleção e ação. Meio que discordando de Bérgson citado por Meyer (2002), somos possuidores de memória pura antecedente e o que chamo de essência dos titãs que somos. Assim, justifico o tão emaranhado texto de mitos, homens, mulheres e divindades. 

Por isso, somos (i)mortais e sem culpas, nesse caso, conscientes dos papéis por nós assumidos, entre “os trabalhos e os dias”, temos um poder reconhecido enquanto “lembrança pura”, transformada em “lembrança-imagem” (MAYER, 2002, p.24), e o conhecimento que podemos utilizar servirão para como Hercules, libertamos prometeu das correntes, pois sua luta foi conquistar o fogo para os humanos e por tal façanha foi acorrentado.
O lugar como um detalhe abre espaço-tempo para o uso da inteligência coletiva (LÉVY, 2000) e para a constituição de laços sociais e relações com o saber dos quais temos profundo censo de justiça, ética e mais uma vez inteligência coletiva. 
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Por Belarmino Mariano. Imagem das redes. Link do original nos comentários.

REFERÊNCIAS

HESÍODO. Os trabalhos e os dias. (Traduz. LAFER, M. C. N.). São Paulo: Iluminuras, 2006.
LÉVY, Pierre. A Inteligência coletiva – por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
MEYER, Philippe. O olho e o cérebro – biofilosofia da percepção visual. São Paulo: Ed. Unesp, 2002.

domingo, 28 de janeiro de 2024

Universo Paralelo

Por Belarmino Mariano.
Em uma jornada profunda ao encontro da alma, mergulhei nas águas profundas do mar negro. Os sentimentos borbulhavam dentro de mim.
Me senti um animal marinho de eras geológicas distantes, adaptado às águas profundas.
Nunca senti tanto medo desse mergulho, pois nas profundezas a água era cada vez mais fria até que a luz desapareceu completamente.
Nesse momento, as profundezas do mar me arrebataram para um universo desconhecido. Uma velha embarcação despertou minhas entranhas do passado. 
No fundo do mar, naquela região da Terra, me vi pela primeira vez e ali, como em um portal circular, desapareci para sempre.
O mar Negro não é uma metáfora é um estado de mim mesmo, o outro lado da minha existência e sempre me encontro em suas margens, em seus portos, em suas praias e profundezas.
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Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais.