segunda-feira, 27 de maio de 2024

ALTAR

Por: Irmão Chagas Freitas.

Em hebraico, a palavra altar significa “lugar de matança”. Em grego, significa “lugar de sacrifício”. Em latim, vem de altare, de altus, que significa “plataforma elevada”.

O primeiro altar hebraico que encontramos na história bíblica foi construído por Noé depois que ele saiu da barca (Gênesis 8,20). 

A Bíblia nos diz mais: os primeiros homens fizeram sacrifícios de animais e oferecimentos de frutos a Deus Criador sobre altares.

Com o passar do tempo, como vemos no livro Levítico, o povo de Israel oferecia cordeiros e outros animais como sacrifícios a Deus, como forma de reconhecer a sua divindade e expiação pelos pecados.

Em outras culturas (pagãs), no Altar se sacrificavam crianças em homenagem ao seus deuses.

No 'cristianismo Católico' no ALTAR consagram-se hóstias e elementos eucarísticos.
No 'cristianismo evangélico' eles chamam púlpito de ALTAR, oferecem todo tipo de objetos e dinheiro como 'sacrifício' á Deus. Lá apresentam recém nascidos, e colocam objetos para serem consagrados pois para eles o Altar é santo.
Fazendo um comparativo, a ideia de ALTAR é a mesma!
Como discípulos sabemos que os sacrifícios da Antiga Lei eram uma prefiguração do sacrifício de Jesus no altar da cruz. Na Nova e Eterna Aliança, Cristo se fez sacrifício, reconciliou definitivamente o homem com Deus, ao oferecer-se em sacrifício.

Portanto não existe mais Altar físico na nova aliança, nosso altar é nosso coração, Qualquer outra coisa praticada e chamada de ALTAR é HERESIA!!
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Fonte: Irmão Chagas Freitas. Grupo Facebook Desmascarado o Sistema Religioso.

domingo, 12 de maio de 2024

Dona Gessi Costa do Bonfim - Minha Mãe Raíz .

Por Belarmino Mariano.
Mãe é mãe, a minha é divina, pois teve 21 partos, dos quais sobreviveram 13 filhos e filhas.
Uma leonina de 1.50 m, brava e determinada. Não alisava preguiçoso e com ela, se escrevesse e não lesse, o pau comia. Melhor, um cinturão de couro que ela deixava sempre ao alcance da vista em um armador de rede.
Minha mãe era de 1918, natural de cabaceiras, no Cariri paraibano e casou muito cedo. Com isso teve filhos muito cedo também. Sem terras próprias para trabalhar, se casou com seu Mariano Belarmino, vaqueiro e camponês também sem terra. Sempre trabalhando em terras alheias, migraram para o vale do Pajeú e lá em Pernambuco viveram em diferentes propriedade, entre São José do Egito e Itapetim.
Como teve 7 filhos cegos, a duras penas trouxe a família para o Instuto dos Cegos em João Pessoa. Então vivemos em João Pessoa, Conde e Bayeux.
A vida de minha mãe não foi fácil e muitos dos seus filhos mais velhos acabaram migrando para o sudeste e por lá ficaram, vindo aos seu encontro em raros períodos de férias e quando lhes sobrava dinheiro, sempre lhe enviavam alguma coisa dentro de cartas e pelos os correios.
Dona Gessi era temente a Deus e quando as coisas estavam difíceis ela dizia "- isso é o comunismo do fim do mundo". Criou 13 filhos, além umas sobrinhas que passaram bons tempos em nossa casa.
Quando ela não conseguia ir para a Igreja de São Sebastião, assistia a missa no rádio mesmo e aí de quem atrapalhasse. Com certeza, depois da missa em ela dava uns esbregue daqueles.
Ela adora plantas, roseiras e muitas vezes, ficava escondida no jardim, pois quando o jogo de bola era na frente de casa e a bola quebrava suas plantas ela cortava em duas bandas e jogava de volta. Essa era Dona Gessi e não tinha conversa.
Se a gente arrumasse briga no meio da rua e chegasse aos seus ouvidos, levava umas peias. As vezes a gente apanhava na rua e em casa.
Se a gente levasse uma namorada em casa, minha mãe abria logo o jogo e entregava a nossa paçoca. Dizia na cara, é um preguiçoso, deixa a zorba feito um 8 no meio do quarto e as roupas tudo espalhadas, mentiroso, safado e enrolão, você é uma das duas ou três que ele já trouxe aqui em casa. 
Com minhas irmãs não era diferente, quando não contava, ela sempre ameaçava contar os podres delas, principalmente quanto a preguiças, que era a coisa que ela mais detestava.
Ela sempre dava boa noite ao repórter ao final do Jornal Nacional e na segunda parte da novela das nove já estava cochilando na frente de um TV amarela de 12 polegadas com tela preto e branco e um bombril na antena para diminuir o chuvisco na imagem.
Lembro que gostava de comprar sandálias para ela no dia das mães e lembro que ela usava para ir à missa aos domingos. Às vezes a gente juntava os dinheiros dos irmãos que trabalhavam e comprava um presente maior, que sempre era algo para a nossa casa.
Quando tinha jogo do Brasil ela se empolgava e dizia, vai meu fi, vai meu fi dos outros. Se o Brasil fizesse um gol, era uma alegria muito grande.
Minha mãe era semi analfabeta, mas tinha uma letra linda. Ela sabia escrever e ler bem pouco, era uma coisa rara ter mães alfabetizadas na classe trabalhadora.
Limpeza era uma das coisas que ela mais levava a sério. Lembro das muitas vezes que ela puxava a gente já grande pela orelha, pegava um pedaço de telha e uma bucha natural, uma bola de sabão de sebo e só nos soltava quando nossos couros estavam limpos.
Nosso banheiro tinha um tanque e a água era de cacimbão, aquela água era gelada e não tinha esse negócio de alisar ninguém.
Quando a gente reclamava, vez por outra, vinha um tabefe e um esbravejo tipo, "mucunã rasteira" seguido de um "infiliz das costas ocas", "cão coxo", "respeita tua mãe, que ela não é tua parecera não", "sai fora cavalo batizado", e muitos outros bons dizeres.
Nunca esqueço quando ela resolvia tirar o sábado para fazer uma geral. Lavar a casa, era com muita água e sabão em pó. A geladeira era desligada na sexta -feira e a lavagem era com muita água e detergente.
Minha mãe não era uma peça, mas sua vida daria um romance, como ela mesma dizia.
Ela era fuxiqueira, mas sempre dizia, Deus me livre, nem de fofoca eu gosto, mas em seguida dizia, conta, conta, sempre rindo das nossas histórias.
Comida lá em casa era para um batalhão e quase sempre comia-mos todos juntos e quando alguém estava fora, ela fazia logo um prato, cobria com outro e guardava enrolando em um pano de prato.
Nunca me esqueço de sua lata de biscoito São Luiz, que tinha um mapa do Brasil ilustrado. Nessa lata ela guardava suas linhas, agulhas, dedal, cartas dos familiares e fotografia em papel e binóculos.
Dona Gessi era uma mãe raíz, aos domingos ela gostava de fazer um pirão com um braço de boi e farinhyde mandioca. Hum como era gostoso. 
Sempre criou galinha e no quintal tinha um canteiro de coentro, cebolinha e pimentão, nas águas que escorriam da pia para um sumidouro no quintal, sempre se formavam touceiras de tomates.
Minha mãe fazia cangica, pamonha, milho cozido, mungunzá salgado e com torcinho. 
Ela fazia picadinho, buchada de bode e suas galinhas do próprio quintal eram imbatíveis, aquela gracinha com farinha e o feijão verde. Aí meus deuses!!!
Ele mesma fazia tapioca, beiju e quando a gente ficava doente, ela fazia cabeça de galo (um caldinho com piydo reino, ovo cozido e outros temperos). Se a doença fosse forte e a gente ficasse acamado, ela servia guará com bolacha creme cracker ou biscoito maria.
Na minha casa, minha mãe sempre mantinha uma garrafa de café e im pote com bolachas secas. Ninguém chegava lá em casa que saísse sem tomar uma xícara de café.
Minha mãe era uma baixinha linda e tinha um cabelo bem fininho. Quando ela partiu eu me perdi por uns dois anos inteiros, trabalhava, estudava e sentia muito a sua falta. Eu era o caçula dos meninos e sei o quanto uma mãe é significativa.
Essa é uma das poucas fotografias de Dona Gessi e Seu Mariano sentados no cacimbão da nossa casa. Te amo, minha mãe divina! 
Agradeço a Ierecê Lucena pela melhoria na fotografia.

domingo, 5 de maio de 2024

Ao final de contas, porque sonhamos?

Por Belarmino Mariano.
Jesus Cristo é um Deus ou um Semideus? Por ser filho de Deus, Jesus seria um Deus, mas ao ter sido gerado por uma mulher humana, Maria a mãe de Jesus, ele seria uma espécie de híbrido?
A pergunta não é apenas retórica, pois de acordo com Mateus (1, 18), Maria estava prometida em casamento ao carpinteiro José, e, antes casarem e viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo”.
Será que a psicologia analítica explicaria isso? Será que os textos bíblicos sejam apenas metáforas e arranjos da arcaica psiquê humana?
Meus sonhos às vezes me levam para essas searas sem saídas. Essa noite sonhei que era convidado por um contato para uma confraternização religiosa. Digo contato pois a pessoa me parecia muito conhecida e fazia anos que não às via.
Fiz uma viagem de ônibus, mas era claramente astral e apesar de não conhecer o trajeto, me parecia familiar e periférico, no sentido urbano do termo.
Eu fui até a casa de alguém que acreditava ser um conhecido da vida real e era um local muito humilde, com algumas famílias ou pessoas já presentes.
Falei com o anfitrião, lhe dei um abraço estranho, pois não o conhecia e saí cumprimentando os demais.
Era uma casa grande, confesso que com dezenas de cômodos e eu estava lá me sentindo um intruso, enquanto as pessoas ao me cumprimentarem, depois se olhavam e se interrogavam sobre quem eu era?
Pela áurea do ambiente, parecia com uma casa de espíritos, com móveis bem simples e até certo ponto, com baixa iluminação. Eram cerca de 20 pessoas ou um pouco mais. As roupas ou trajes estavam fora de moda, meio como as roupas de mulheres evangélicas do meio popular.
A esposa do anfitrião me levou até a cozinha e me serviu um chá e um caldinho quente, mas não identifiquei os sabores. 
Na mesa, estavam outras pessoas conversando e lhe confessei que achava que seu esposo havia me confundido com outra pessoa.
Lhe disse que não estava conhecendo ninguém e que era a primeira vez que estava tendo contato com aquele grupo.
A mulher me disse que também estavam estranhando a minha pessoa, mas que eu era bem vindo e que parecia estar perdido.
Enquanto bebia aquele chá, fui tentando encontrar respostas e onde estaria o desencontro, pois tinha viajando até alí.
Cheguei a pensar que fosse uma comunidade espiritual de origem pobre, em uma quinta dimensão da Terra, em algum umbral, mas não estava me sentindo desencarnado, nem sentia que fossem almas em uma colônia espiritual.
Então me senti com coragem e perguntei a um senhor idoso que estava na mesa, se ele acreditava em espírito, se eram cristãos e se acreditavam em juízo final?
Mas nessa hora, quando ele se preparava para me responder, chegou um homem branco, com roupa bem alinhada e seu filho para me cumprimentar, o garoto estava com um curativo de gesso em uma de suas faces, como se não fosse possível identificar sua imagem, aí indaguei se tinha sido coisas do futebol e ele acenou que sim.
Estranhamente, perdi o contato visual com o velhinho, sem as respostas e fui acordando e saindo daquele transe inconsciente de sonhador. 
Confesso que ninguém conseguiu me explicar sobre o fato de sonharmos e apesar das tentativas, nem Sigmund Freud me explicou, apesar de gostar das suas teorias sobre egos.
Não me sinto um freudiano, pois prefiro as teorias de Jung sobre inconsciente coletivo e entre as profundezas do que achamos que somos, residem as sombras para a nossa selfie.
Acredito que Carl Jung esteve mergulhado em um mundo parental profundamente religioso e místico, daí as suas "memórias, sonhos e reflexões", que lhe permitiram ir aos arquétipos e as profundezas do inconsciente coletivo.
Acho que os valores religiosos interferem profundamente em nossa realidade e até mesmo em nosso inconsciente, nos deparamos com essas situações e nossos fragmentos de sonhos, exigem explicações, que não conseguimos responder.
Confesso que sou muito cético para os fundamentos religiosos, até porque, os escritos contradizem os fatos e as práticas, em especial a ideia de vida após a morte, de ficarmos mortos até a volta de Jesus para um juízo final. Além das ideias de crime e castigo pelos "pecados" e/ou sentimentos de culpas.
Sei que na Bíblia, assim como nos escritos das tabuletas de argila suméria, existiram as situações em que os filhos dos deuses tomavam as filhas dos homens e geravam filhos e filhas com elas.
Se Jesus se encaixa nessas histórias não sei bem, pois segundo a Bíblia, foi o próprio Deus que engravidou Maria, mas ele estava em espírito de Anjo.
Mas nada disso me convence, pois, Deus estaria sendo muito humano e desonesto, para na calada da noite, engravidar uma das suas virgens servas e ainda deixar seu unigênito para ser criado por outro homem.
Ao final de contas, que Deus seria esse, capaz de abusar sexualmente da própria filha, para justificar essa escolha e ligação com os humanos?
Ao final de contas, será que os ateus, agnósticos e céticos, sonham com essas coisas?

Por Belarmino Mariano, imagem das redes sociais.