A coisa mais inusitada que vi recentemente nas redes sociais, em um pequeno vídeo de menos de um minuto, sobre uma cena doméstica e noturna, uma criança de aproximadamente 4 aninhos, com uma pequena sandália havaiana na mão, apontando para uma barata e gritando: "Morri!!! Morri!!!! Morri!!!
De repente ele se volta para a mãe e indaga: "Ela tem filhos?" E a mãe enquanto ria, encantada com a indagação do filho, respondeu que sim. Imediatamente, ele baixou a guarda e percebeu que estava ameaçando de morte uma mãe barata, que amava seus filhos e precisava se manter viva a todo custo.
Que fantástico, que lindo, que lição incrível, em tempos de ódio e de guerra, esse pequeno soldado de carne, ossos e coração, pensamentos e sentimentos, diante do seu suposto inimigo mortal, lembrou da sua condição de filho diante de uma mãe.
Lembrou desse amor incondicional e da responsabilidade e cuidado amoroso de uma mãe para com seus filhotes. Ele empático a si mesmo, primeiro se colocou no lugar de um ser que não estava na cena da batalha, o filho da barata.
Depois ele argumentou sobre aquela mãe na mira de sua arma mortal. Em sua segunda ação cognitiva, se colocou no lugar da própria mãe, que caso morresse, estaria fadada a complexa quebra de contato com seus entes queridos, familiares e os amados filhos, que ficariam desprovidos do amor, carinho e cuidadilos maternais.
Esse história não é apenas moral, ele esta carreda de ética, empatia, compaixão. Primeiras aprendizagens de um filho com a sua mãe sobre amor. Ele começou a entender que a vida é dura, que os perigos estão por toda parte, mas em algumas situações, é preciso usar a cabeça, pensar bem e ser rápido em tomar decisões difíceis, em especial, quando se trata de uma situação de vida ou morte.
Ele ainda é muito criança e não tem ideia do real perigo em termos baratas em nossa casa, se esmagar é a melhor escolha, mas a lição, antes de mais nada, foi aprender que a barata é uma mãe, que tem filhos e sua morte poderia representar um desastre e o sofrimento real para seus filhos.
Ele ponderou que "a barata é alguém que ama", provavelmente espelhou a sua própria experiência de amor, ele não apenas se colocou no lugar da barata, mas também a colocou no lugar de sua própria mãe.
Agora imagine a barata aflita, diante de um gigante bípede, com uma gigantesca e mortal arma de borracha em punho? Ela mesma já assistiu o pânico e trágico fim de sua irmã, sendo estraçalha na garagem da casa vizinha.
Era dia claro e outra criança de arma em punho, talvez do mesmo tamanho e idade, atacou sua jovem irmã, que ficou completamente esbagaçada em uma lateral da garagem.
Enquanto o menino gritava: "Morri!!! Morri!!!! Morri!!! Ela entrou em pânico, pensou na irmã completamente destruída por três chineladas, lembrou que ela ainda tentou escapar, mais uma quarta e uma quinta chinelada destruiu por completo aquele frágil corpo de barata, todas suas entranhas eram uma passoca nelequenta esparramada pelo chão.
Logo lembrou dos filhos, em crescimento e da sua última ooteca (cápsula protetora), com 20 ovos prestes a eclodir. Inexperientes, sem a proteção maternal, terão que enfrentar sozinhos esse mundo hostil e perigoso, entre os esgotos e as cozinhas humanas, ratos, gatos, sapos, escorpiões, além de inseticidas, vassouras e sandálias havaianas no espinhaço.
Felizmente, não teve o infeliz destino de sua irmã, percebeu que o inimigo perdeu o time do ataque, vacilou e rapidamente ela fugiu para debaixo da cama, enquanto planejava uma nova rota de fulga. Foi por pouco, escapou fedendo...
*Por Belarmino Mariano. Crônicas da vida comum. Imagem das redes sociais (Observa+).
Sugestão de Leitura - Metamorfose de Frans Kafka.
Nenhum comentário:
Postar um comentário