sábado, 7 de dezembro de 2024

TODO TATUADO - Fluxos de Escuridão, de uma Bactéria, as Bordas de uma Galáxia Inteira

Por Belarmino Mariano*

Sou de me aproximar das pessoas e de puxar conversa, mas dessa vez alguém se aproximou de mim. Era umas dez horas da manhã, estava na Praça Lima e Moura, centro de Guarabira, quando ele se apaixonou, um homem de meia idade, branco, com cerca de 1,70m e todo tatuado.

Pediu desculpas por antecipação, disse que estava limpo a uns 15 dias e me pediu uma ajuda para tomar um café. Puxei a carteira e lhe dei uma nota de 5 reais. 

Ele agradeceu fazendo gestos de Namastê, o que me surpreendeu e disse que daria um bom café. Acredito que um pão na chapa e uma xícara de pingado.

Foi quando lhe perguntei sobre as tatuagens e porque estava nas ruas. Ele respondeu que havia se separado da mulher e perdera o emprego por abandono e vícios.

Sobre as tatuagens são muitas histórias. Eram muitos detalhes, signos tribais que lembram as imagens dos povos dos oceanos, polinesios, filipinos e nativos australianos.

Ele contou que perdeu o pai desde muito jovem, em um acidente de carro e começou a trabalhar cedo demais. Com parte do dinheiro ganho, fazia tatuagens e assim ficou viciado em imagens.

Sobre ter se separado me contou que havia batido na mulher por conta de drogas e bebidas. Até insistiu em voltar e novamente foi agressivo com ela, então estragou tudo de vez.

Contou que tem uma filha e perdeu a guarda, além de não poder chegar perto delas, pois o juiz estabeleceu 200 metros de distância. Vê de muito longe e sente muita falta da família.

Disse que se arrependeu, mas não tem mais o quê fazer. Nem a própria família lhe apoia e com razão. Já se internou na Fazenda do Sol, perto de Campina Grande, já passou um bom tempo sem fumar, beber ou usar crack, mas nada disso é fácil de conseguir parar.

Ele disse que já havia saído daqui, que foi em São Paulo, no Rio de Janeiro, tinha trabalhado de servente de pedreiro, pintura e oficina de carro, mas a irresponsabilidade lhe fazia perder tudo o que conseguia.

A vida dele era como a vida de uma bactéria, quando estava limpo das drogas se sentia um esgoto, um Zé Ninguém e quando fazia uso de ilícitos, mergulhava em uma galáxia com gigantescos e pirotécnicos fluxos rodopiantes de luz.

Entendi porque era tão difícil, pois em meio aos fluxos de escuridão, sempre estamos em busca da luz, mesmo que seja apenas uma miragem que depende de estímulos.

Aí é onde mora o perigo, pois não estamos preparados para o que a vida nos reserva. Então, nos despedimos com um aperto de mãos e ele seguiu na direção da Panificadora Guarabirense, entrou e me certifiquei que estava querendo alimentar o corpo.

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

A Teoria da Estupidez Humana


Por Belarmino Mariano.

Hoje ouvi o prefeito Ricardo Nunes (SP), usando o argumento das mudanças climáticas para tentar justificar o caos urbano. Vejam bem, um negacionista climático, um negacionista da ciência e vacinas, tentando tirar proveito de uma situação.
Falsos líderes e controle midiático em redes sociais, com notícias falsas, aumentam uma sociedade desinformada e estúpida. A estupidez pode ser sentida cruelmente nessa guerra insana dos genocidas de Israel, no extremismo de Trump, ou nos superpoderes de Putin, colaboram com a estupidez humana.
Vendo a privatização das empresas estatais de energia e água em São Paulo, para empresas estatais italianas e de outros países, articulado por esse esquema político bolsonarista que, atualmente se encontra no comando do governo do Estado de São Paulo e da prefeitura da Capital paulista, começo a achar que a Teoria da Estupidez Humana do Teólogo alemão, Dietrich Bonhoeffer, em sua obra "Resistência e Submissão".
Aqui não se trata de um discurso de ódio ou uma crítica profunda ao nazismo, fascismo de extrema direita brasileira, aos moldes de Bonhoeffer contra esse mesmo extremismo na Europa da Segunda Guerra Mundial. Pois naquela época, existia um nacionalismo exacerbado que justificava tudo.
Bonhoeffer, argumenta que a estupidez ultrapassa os limites da inteligência, da racionalidade e da própria maldade, pois enquanto um fenômeno coletivo ou de massas, levar as pessoas a agirem assim.
Aqui no Brasil da era bolsonarista, quando em todo o mundo já o neoliberalismo havia fracassado em mais de 30 anos, eles conseguem chegar ao poder e reeditar os retrocessos do capitalismo, inclusive com políticas ultra neoliberais de desmontar empresas lucrativas e essenciais como energia, água, esgoto, transporte, etc.
A estupidez combinada com o entreguismo e o desmonte da coisa pública, começou a expor para a sociedade o seu pior lado. No capitalismo selvagem, apenas o lucro imediato e sorrateiro interessa.
Que o povo paulista aprenda, que esses políticos de extrema direita, ganham gordas comissões para desmontar o patrimônio público, mas não se responsabilizam com as consequências disso tudo.
Eles continuam aí, pedindo ou comprando seu voto, em meio ao caos, culpando a natureza, os ventos fortes e as tempestades. A grande mídia privatista, fazendo a mesma narrativa e escondendo os verdadeiros culpados.
Aprendam uma coisa, não seja mais estúpido ao ponto de reeleger esses estupidos, bandidos, criminosos. Nem a estupidez violenta justifica, botar nestes canalhas. Estamos diante do neoliberalismo desmascarado e só idiotas não querem enxergar.
Por Belarmino Mariano. Imagem do autor.

"Apagar o Professor é Apagar o Futuro"...


 Por Belarmino Mariano.

Quem tem medo dos professores e das professoras?
Monstruoso(a)? Assustador(a)? Perigoso(a)? Bicho(a) papão?
Me dar a impressão que para alguns a profissão de professor, professora é terrivelmente perigosa, mas não é perigosa como a dos(as) bombeiros (as), aqueles(as) que apagam o fogo e cessam o incêndio.
Quais são os motivos para tantos ataques à classe docente?
A desvalorização é o maior desrespeito contra a categoria dos que te ensina e te prepara para a vida.
O trabalho do(a) professor(a) é fora de série, por isso causa tanto medo. Muitos acham que o(a) professor(a) faz a consciência das pessoas e isso é um grande perigo.
Quando na verdade, a consciência não se faz num dia, mas no dia da consciência de cada um. Ensinar a pensar é o que diferencia a nossa espécie das demais.
Aí talvez resida o grande medo de alguns, pois quando a gente aprende a pensar, despertamos a nossa consciência, tanto para o bem quanto para o mal, saberemos distinguir o certo do errado. Então, o que há de perigoso nisso?
Na verdade, professores(as) só são monstruosos(as) para aqueles que pretendem manter as pessoas alienadas, desinformadas e obedientes a um sistema de exploração, concentração de riquezas e desigualdades.
Estes sabem que a educação transforma a compreensão de mundo das pessoas e revela os erros do sistema, as fraquezas e vulnerabilidades que só se sustentam, onde a educação é barrada, sucateada e limitada.
Por isso, tantos ataques, tanta desvalorização e até humilhação contra docentes.
Quer viver em um mundo melhor e mais digno invista na educação e em quem é a mola mestra para o saber. Professoras, professores, educadores, educadoras e todos(as) da educação, pois só assim seremos humanidade.
O grande medo da categoria docente é inversa a dos(as) bombeiro(as). Pois somos os(as) incendiários(as) e o fogo do despertar da consciência é muito difícil de apagar. Se tem fogo, chama os(as) bombeiros (as).
Se tem escola, alguns perguntam, daria pra vir sem professores? Numa tentativa de apagar a categoria docente, alimentam ódio e mentiras contra os professores.
Professores são seres de altíssima periculosidade, pois têm as armas para o despertar da consciência humana e a mente desperta expande a consciência ao infinito, ao insondável e ao imprevisível. Uma pessoa que desperta sua consciência poderá se tornar Hierofante.
Esse é o grande medo, o grande perigo, pois apagar o professor é apagar o futuro. Como disse o Professor Paulo Freire, "O sistema não tem medo do pobre que passa fome, teme o pobre que sabe pensar".
Por Belarmino Mariano.
Imagem adaptada do Sindicato dos professores da Paraíba. Artigo escrito em outubro de 2021.

Lição de Moral Cedo Demais

 


Por Belarmino Mariano.

Minha filha pré-adolescente acorda cedo demais. Quando levanta da cama ainda está escuro e ela acende uma luz atrás da outra para tomar banho, se arrumar e se produzir para ir ao Colégio estudar.
Esse cotidiano lhe faz bem responsável, autônoma e preocupada com a vida futura. Eu e sua mãe cobramos muito dela, exigimos e estamos vendo seu crescimento de perto.
Ela arruma sua bagagem, prepara seu próprio desjejum e o lanche para levar para a hora do recreio, pois aqui ainda somos do tempo de lancheira e alimentação saudável.
Na maioria das vezes a levo para a escola de motocicleta. É um momento importante, pois ela detesta chegar atrasada. Assim fazemos a nossa rotina matinal.
No caminho cruzamos com pessoas, nas portas, algumas mulheres já estão varrendo as calçadas, enquanto olham o dia amanhecer ensolarado.
Hoje não foi diferente, na rota escolar cruzamos com o caminhão do lixo, aquela caçamba compactadora que vai espremendo o lixo, enquanto o mau cheiro e a calda de chorume escorre para o calçamento.
Na parte de trás do caminhão estavam três homens fardados como trabalhadores braçais (agentes da limpeza pública), naquele serviço pesado e insalubre.
Quando cruzamos com a caçamba ela disse, "-que coisa fedorenta e podre!!" Aquilo foi a deixa, então continuei a conversa com o seguinte alerta: Tá vendo esses homens? as vezes não deram importância aos estudos, agora são obrigados ao trabalho braçal, pesado e tendo que aguentar esse fedor todos os dias.
De imediato ela retrucou, "-as vezes foi por falta de oportunidades, pobreza, aí eles não puderam estudar!" Me contive e concordei com ela, enquanto nos afastamos daquela cena com odor intenso.
De imediato lembrei dos discursos do presidente Lula sobre as oportunidades que os filhos da classe trabalhadora precisam ter para mudarem a realidade à sua volta.
Às vezes, a lição de moral vem cedo demais e até desnecessária, mas de uma coisa tive a certeza, minha garota está indo bem, na escola e na vida, pois a sua resposta foi comprometida com a compreensão da realidade em que vive.
Nem todo mundo percebe em detalhes e até certo ponto, se coloca no lugar do outro. Ela me deu uma importante lição de moral e fiquei feliz com o que ouvi logo cedo.
A minha bebezinha está virando uma mocinha e gosta de desafios argumentativos. Agora no começo de dezembro fará 13 aninhos e já luta como uma garota!!!
Por Belarmino Mariano/ Luisa Mariano

A composição Ezequiel 25:17 de Samuel L. Jackson e o Atual G3n0c1d10 Contra os Palestinos

Por Belarmino Mariano

 Muitos leigos e até pastores usam essa composição em púlpitos e em discursos religiosos, mas a ideia aqui é desmistificar o versículo 25:17 do Velho Testamento, atribuido a Ezequiel como um estado de vingança ódio contra os Filisteus, em nome de Deus.

A composição "Ezekiel 25:17" de
Samuel L. Jackson:
"(...) O caminho do homem justo está assolado por todos os lados
The path of the righteous man is beset on all sides
Pelas iniqüidades dos egoístas
By the inequities of the selfish
E pela tirania dos homens maus
And the tyranny of evil men
Bendito seja aquele que em nome da caridade e da boa vontade
Blessed is he who in the name of charity and good will
Pastoreia os fracos através do vale da escuridão
Shepherds the weak through the valley of darkness
Pois ele é, verdadeiramente, o guardião de seu irmão
For he is truly his brother's keeper
E o descobridor de crianças perdidas
And the finder of lost children
E eu os aniquilarei
And I will strike down upon thee
Com terrível vingança e furiosa ira
With great vengeance and furious anger
Aqueles que tentam envenenar e destruir meus irmãos
Those who attempt to poison and destroy my brothers
E saberão que o meu nome é o Senhor
And you will know my name is the Lord
Quando exercer contra eles a minha vingança
When I lay my vengeance upon thee" (...)
Agora vamos à passagem bíblica de fato, quando Ezequiel fala contra os Filisteus, que aparece nos versículos 25:16 e 17:
Em Ezequiel 25:16 "Portanto, assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estendo a minha mão contra os filisteus, e arrancarei os quereteus, e destruirei o restante do porto do mar"
Em Ezequiel 25:17: "Executarei neles grande vingança e os castigarei na minha ira. Então, quando eu me vingar deles, saberão que eu sou o Senhor".
Na passagem Ezequiel 25:32, os oráculos do profeta revelam a preocupação de Deus e de seus mensageiros por um mundo de paz e justiça.
A questão central dessa história de ódio, vingança e massacre de um povo contra outro, justificado como se fosse vontade de Deus, deveria nos deixar preocupados, pois o Deuses que muitos estão seguindo, parece raivoso e vingativo e muitos os venera até os dias atuais, quando a ciência dá conta em dizer que atingimos a evolução para homo sapiens sapiens (o homem que sabe que sabe).
Parece redundante, mas é isso mesmo, aquele homem que tem consciência de si mesmo, que sabe separar as coisas justas das injustas e prefere a paz e a misericórdia ao invés da guerra e da violência.
Então, que força da mente miserável é essa que em pleno século XXI, age como se estivéssemos em 2 mil anos antes de Cristo? Estão cegos para o g3n0cíd1o na Faixa de Gaza?
Se ao longo dos três últimos séculos, os últimos colonizadores dessa região (Britânicos e Franceses), produziram mapas delimitando todo esse território como Palestina, o que falta para reconhecimento da Palestina enquanto um Estado autônomo?

Os mapas são os melhores exemplos de que a Palestina precisa ser livre





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Por Belarmino Mariano. Letra Vagalumes, imagem das redes sociais.

A Velha História de Maconheiro - Preso por causa de uma seda de cigarro

Por Belarmino Mariano.

Aos 60 anos, começo a rememorar histórias engraçadas de minha juventude. Confesso que não sou maconheiro e nunca fumei os cigarros caretas. Em minha juventude era difícil não encontrar alguém que não fumasse, mas a minha experiência com cigarro veio do meu amado pai, Seu Mariano Belarmino. Painho era asmático e fumava o famoso "pé de burro", ou "fumo de rolo", como canta Sivuca e Glorinha Gadelha em "feira de mangaio".

Mas tenho um segredo que quase ninguém sabe. Meu pai para aliviar suas crises de asmas, que eram constantes, usava o fumo de rolo com flor de zabumba (Brugmansia suaveolens). Essa mistura de fumo e zabumba era uma santo remédio, pois abria os brônquios e ele conseguia dormir mais aliviado.

Quando a gente morava no Angico Torto e depois no Mocambo, terras de Itapetim/PE, nas nascentes do rio Pajeú, lembro que os cigarros do meu pai eram feitos com palha da espiga de milho. Ele escolhia as palhas mais fininhas e ficavam iguais a uma seda. Eu desconfio que essa experiência dava "um barato", pois meu pai sonhava alto, falava, cantava, aboiava e tresvariava.

Se você não sabe o que é tresvariar, é falar em línguas estranhas enquanto dorme. Lembro que depois das crises de asma, quando ele conseguia se acalmar, dormia suave e quando entrava em estado de sonho, conversava consigo mesmo, dizia coisas que a gente não entendia, mas a gente perguntava coisas pra ele e ele respondia.

Daí explicar os motivos de não ter me interessado por cigarro, numa época em que quase todo mundo fumava. Certa vez peguei uma piola do cigarro do meu pai, acendi e dei umas boas tragadas.
Pense numa tontura danada que me deu na cabeça. Confesso que aquela experiência me deixou bêbado, tonto e meio desatinado. Não quis mais provar fumo e me dava até embrulho no estômago.

Quando me tornei jovem, conheci uma moreninha chamada Rosa. Era linda e tinha lábios de mel, tal qual a Iracema do Zé de Alencar e, para completar, usava aquele sabonete Palmolive que cheirava a canela. Sabe aquela história de amor à primeira vista?

Confesso que rolou uma química, a gente começou a namorar, mas tinha um porém, nos lábios e no brilho dos olhos castanhos da danada da Rosa fez por outra rolava a fumaça de careta. Não tive dúvidas, não iria perder aquela moreninha por causa de cigarro. Comprei uma carteira de um cigarro fininho e com a seda cor de charuto da marca Charme. Um estilo de fumo suave e voltado para o público feminino. A ideia era dividir com Rosa e fazer um charme para a garota da vez.

Moral da história, depois de uns três cigarros fumados, vi que não tinha estômago para coisa. Ainda namorei um bom tempo com Rosa, mas os caminhos da vida nos separou. Depois disso, entre o trabalho, os estudos e as militâncias políticas e culturais, cheguei a universidade. Na visão ignorante de muitos, a universidade é um verdadeiro antro de maconheiros, veados e sapatões (expressões preconceituosas da época).

Nos anos de 1980 e 1990, entre universidade e política de esquerda, tinha muito rock nacional como Legião Urbana, Titãs e outros. Essa história de maconheiros, acho que era meio exclusivo de jovens das elites, pois na margem periférica a gente se dividia entre o estudo, o trabalho e as festas (assustado), com batida de maracujá, limão e tira gosto de azeitona, queijo e mortadela, pois maconha era um produto caro e difícil.

Eu tinha um cabelo grande e cara de maconheiro, assim como um monte de outros amigos e amigas que em nossa juventude, tínhamos esse estilo marginal de roqueiros. A gente andava com uma mochilas de couro ou de crochê em linha de algodão cru. Numa dessas, estávamos no famoso "Bar da Tapa" no bairro do Castelo Branco, ao lado da UFPB, para relembrar o velho amigo Beto Quirino
Do nada como farejando algo, chegou um grupo de três policiais em nossa mesa.

Nesse sacolejo eu fui a bola da vez. Eles me pediram para retirar os pertences da mochila. Meio nervoso fui tirando as coisas (um bloco de notas, um pacote de absorvente de minha namorada, um livro sobre escritos anarquistas e mais algumas bugigangas de universitário). Eles não encontraram a marijuana esperada e saíram meio frustrados do recinto. Um amigo num canto da mesa, cagado de medo disse, ainda bem que tu tem cara de maconheiro, pois se fosse eu, teria sido preso por causa de um pacote de seda para fumo de Arapiraca.

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Por Belarmino Mariano. Imagens pessoais e das redes sociais.

domingo, 1 de dezembro de 2024

Quem eram aquelas pessoas e que lugar era aquele?


Por Belarmino Mariano.

Inexplicável, como sonhamos com pessoas que não conhecemos e nem sabemos de onde são. Surpreso e ainda pensando em um sonho atemporal e em uma região montanhosa e fria, que lembro e nem tenho memória sobre nada dali.

O que estava fazendo lá? Quem eram aquelas pessoas que não lembro de conhecer, em nenhum momento da minha vida. Que sonho estranho, que sensação esquisita.

Tive a sensação de que estava na Ásia Central, era um lugar em que já estava em outros sonhos. Um pequeno povoado montanhoso e com casas em pedras caiadas.

Ao caminhar pelo local, cruzei com pessoas estranhas, como se eu fosse um viajante do tempo, mas estava bem agasalhado e familiarizado com trajes adaptados àquele ambiente.

Tentava encontrar um rosto conhecido, uma fisionomia familiar e em vão, ninguém me relembrava quem eram aquelas pessoas. Pareceia que estava naquele lugar pela primeira vez.

Estava anoitecendo e não tinha pousada alguma. Estava em um lugar desconhecido e interagindo com desconhecidos. Ao chegar em uma paragem, indaguei para um senhor de meia idade, onde poderia me hospedar.

Esse senhor nazareno e de pele bronzeada pelo sol me apontou na direção de uma praça e vi a uns 500 metros, uma pousada com características de prédio antigo feito em pedras. 

Finalmente encontrei um abrigo provisório, vi a fumaça escapando de um chaminé, agradeci e segui, observando nos rostos estranhos, se encontrava alguém conhecido, mas sem sucesso.

Ao colocar os pés nos batentes da hospedaria acorde, como quem estava em outro mundo. Estou pensando até agora, que lugar era aquele e o que estava fazendo ali, sem mesmo conhecer ninguém.
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Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais.