Por Belarmino Mariano*
7º Festival Internacional de Arte Naif. Arte Naif pela Emergência Climática e o Aquecimento Global. Abertura dia 28 de maio, quinta-feira, no Casarão de Cultura, Centro de Guarabira, as 19:00 horas. A secretária de Cultura e Turismo convida tidas e todos. A Exposição ficará no Casarão até o mês de julho.
Desafios aos artistas naif
Os artistas plásticos envolvidos com a Arte Naif receberam um grande desafio artístico e cultural, pintarem quadros abordando a temática das mudanças climáticas e o processo de aquecimento global, a partir de quatro linhas ou direções artísticas e ambientais: “a natureza intocada, o início da degradação, a cara do culpado e sementes da esperança”. Vendo os desafios colocados, os artistas puseram mãos à obra e o grande detalhe foi observar que a arte naif é um movimento engajado e comprometido com as grandes preocupações tanto da ciência, quanto dos impactos provocados contra o meio ambiente em escala global.
Se as grandes revoluções industriais, seguidas pela crescente queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás) e o desmatamento aumentam gases de efeito estufa, causando aquecimento global, eventos extremos, elevação do nível do mar e riscos à saúde humana e ecossistemas destruídos ao longo dos últimos três séculos, estão demonstrando que o Planeta já está em meio a uma crise ambiental, é incontestável dizer que todos precisam fazer alguma coisa para repensar os atuais padrões de desenvolvimento tecnológicos, para substituirmos práticas degradadoras por experiências puramente ecológicas.
A Arte Naif tem um forte característica, pintar o mundo com tons multi ou hiper coloridos, em especial quando estão pintando a natureza em sua dimensão mais natural, ou com menos interferência humana. Na arte a natureza inocente e pura ganha contornos especiais, quase místicos ou sagrados. O artista Naif, consegue expor as paisagens deslumbrantes, a beleza pura que a natureza selvagem e permite percebermos, em pinceladas suaves que ganham um sentido de natureza viva e dinâmica.
A presença humana e comunitária na arte naif é outro tema recorrente, em especial quando falamos da perspectiva antropológica e cultural, com as tradições e festas, em muitos momentos, marcadas pelo encontro do sagrado e do profano. A vida dos camponeses, o trabalho na roça, a produção dos alimentos e os festejos. Um quadro ou outro explora situações de degradação, poluição e desastres ambientais. Daí o grande desafio dessa exposição, em que as forças da natureza e as marcas da destruição, impostas pela lógica do poder econômico e a ganância do mundo capitalista, são quase sempre, marcados pela exploração e pelo lucro a qualquer custo.
A natureza sempre foi tema para a arte naif, num padrão natural de cores que imitam a inocência da natureza e sua explosão de vida, em jatos de incertezas e imperfeições que servem como puros desenhos em arranjos e relações humanas. A arte da simplicidade, dos traços imperfeitos e das cores vivas e cintilantes. A natureza intocada, a vida selvagem, o mundo dos biomas, habitats e ecossistemas naturais, sempre estiveram na ponta do pincel naif. Agora o desafio é bem maior, trazer para as pinturas, elementos de uma natureza morta, semi-morta, às vezes no leito de morte de um rio, na destruição por exploração mineral, com crateras a céu aberto, poluição do ar ou lixo acumulado nos quatro cantos do mundo.
O artista naif busca em sua arte, maneiras de expressar os arranjos naturais, a natureza e a sua força descomunal. Mas quando é sobre a natureza morta, a natureza em cheque? Para os que só pensam em dinheiro e em lucro, a natureza é apenas mercadoria, não importa se petróleo, gás ou outros minérios raros. Eles só pensam nas margens de lucros. Se vai destruir as margens dos rios, se vai assorear seus leitos, ou contaminar suas águas, pouco importa. Escavar, prender ou barrar. Sangrar, esfolar e queimar até o último hectare de vida. Extrair, poluir e contaminar são máximas para alterar o ritmo e a pulsação dos ecossistemas. Estamos diante da degradação, e diante da cara dos culpados.
Apesar de existirem negacionistas da ciência, grupos políticos e econômicos que atacam o real conhecimento sobre a degradação ambiental, com o excesso de gases de efeito estufa na natureza, provocando processos de aquecimento global em décadas e com a destruição de ecossistemas, contaminação da biosfera em suas massas sólidas, líquidas e gasosas, nas quais já estão sendo sentidos como efeito de uma emergência climática, esse quadro de destruição, quando ocorre em um padrão gigantesco, começamos a sentir os descompassos da natureza e a resposta ambiental é catastrófica e em alguns casos, irreparável e irreversível.
Estamos diante de um mundo globalizado, dinâmico e tecnológico, um mundo dominado pelos mercados financeiros e pelas grandes corporações, que se interessam apenas pela exploração e pelo lucro desenfreado. Até acreditam que podem degradar a natureza o quanto quiserem e depois conseguem restituir os ambientes degradados, mas não é tão simples assim. pois em alguns pontos do Planeta Terra, o meio ambiente não está conseguindo se regenerar, em especial quando observamos o fenômeno das mudanças climáticas, os efeitos estufas e o aquecimento global, todos em uma situação irreversível.
O desafio dessa exposição, também foi pintar a utopia representada pelas “sementes da esperança”. Esse mundo em que estamos vivendo, ainda segue padrões naturais, ainda se mantém firme e forte. Resta saber, até quando? Daí a importância da consciência ambiental para além do bom senso, pois como afirma o compositor brasileiro Guilherme Arantes: "vamos precisar de todo mundo pra varrer do mundo a opressão".
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*Por Belarmino Mariano Neto. Professor de Teoria da Geografia, Geopolítica e Estudos Integrados do Meio Ambiente. Departamento de Geografia da UEPB. Doutorado em Sociologia Ambiental e Mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento (UFPB/UFCG/UEPB).
Fonte dos Dados - Klemylsson França, Adriano Dias e Curadoria do 7º Festival Internacional de Arte Naif, 2026.
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