domingo, 28 de dezembro de 2025

Brasil - 578 mil templos e 179 mil Escolas...

Por Wanderson Dutch

É inacreditável saber que neste país, nas favelas, existem mais igrejas do que escolas e hospitais. Não só nas favelas, mas também nas diversas capitais do Brasil. Isso é surreal. E talvez ajude a explicar por que o Brasil é um país tão violento. Historicamente, os países mais religiosos também aparecem entre os mais violentos. Isso não é acaso.

O cristianismo, como um sistema de poder, controle e dominaçao das massas,sempre operou pela culpa, pelo medo, pela hierarquia e pela obediência. Não é só fé. É disciplina social. É controle do corpo, da sexualidade, do pensamento e da política. Quando isso se torna dominante em territórios já atravessados por miséria, abandono estatal e violência estrutural, o resultado é uma população emocionalmente capturada e politicamente desarmada.

Em 2026, esse cenário impõe um desafio direto aos setores progressistas do movimento preto. Não basta produzir crítica. É preciso disputar poder. É preciso eleger pessoas comprometidas com educação pública forte, combate à violência policial, políticas de renda, moradia, saúde, cultura e justiça racial concreta. Sem isso, a engrenagem segue funcionando exatamente como foi desenhada.

A extrema direita entendeu cedo que política se faz com base, território, linguagem simples e presença constante. O campo progressista ainda fala muito para dentro e pouco para fora. Sem organização popular e disputa institucional, não há mudança possível.

2026 não é só uma eleição. É uma escolha entre continuar reproduzindo fé como anestesia social ou construir direitos como base de um país menos violento, menos desigual e mais digno.

Feliz 2026, gente!!.

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

"Isso é o que eu ainda me lembro"

Por Belarmino Mariano*

Seu nome de batismo é Maria do Carmo dos Santos, Dona Carminha para os íntimos e DoCarmo para os de fora da casa. Ela tem um apego muito grande ao Catolicismo Apostólico Romano que é quase inexplicável pelos santos das raízes das matas e das águas sagradas.

Seu maior apego era com o menino Jesus, talvez explicado pela reza que aprendeu sobre o "Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador". E nas horas de pensar imaginava porque aquele danadinho não era pretinho igualzinho a ela? 

Mas sempre lembrava das coisas dos milagres, da Santa Maria que foi acordada no meio da noite, por um Anjo do Senhor e de uma luz angelical das graças de Deus, ficou grávida e teve seu branquinho de olhos azuis. Ela disse que nunca entendeu aquele Jesus branco e de cabelos sedosos e loiros, mas assim ele era pintado.

Sempre gosta de vestir sua roupa branca com detalhes em azul, colocar seu lenço na cabeça e assistir às missas matinais de domingo, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem. Mesmo com dificuldades sobe os degraus com a ajuda de Ingrid, sua neta e companheira de todas as horas. Sempre leva um trocado para a "caixa das almas" e as oferendas ao altar do senhor crucificado.

Dona Carminha já é uma mulher velha e calejada pelo tempo e pelo trabalho duro, só saiu da roça quando já estava beirando os 65 anos de idade. Era mulher de cabo de enxada, enxadão, foice e machado. Limpava mato, arrancava toco e fazia coivara para esperar as chuvas e fazer a plantação.

Ele disse que uma das suas melhores lembranças era ir ao roçado em época de chuva fina para apanhar uma bacia de feijão de corda e um jerimum caboclo para almoçar com uma galinha de capoeira. Debulhar aquele feijão e colher o coentro e as outras verduras não tinha preço para ela.

De dentro da sua casinha de tijolos batidos, sentia muita falta do fogão de lenha, do seu moinho, pilão e da sua tábua acima da mesa da cozinha, presa com arames nos caibros da casa. Lá ela guardava caldeirão de coalhada, queijo de coalho, de manteiga e carne de sol, charque e defumados. 

Seus bichos eram como filhos. Criados em chiqueiros de galinhas, de porco, suas cabras e duas vaquinhas pé duro. Era um trabalho extra, mas gratificante, pois sempre tinha leite, ovos e vez ou outra, carne para o almoço do domingo. Criar animais sempre foi do seu agrado, nunca viu isso como serviço pesado.

De tudo ela sabia plantar, feijão de corda, feijão de arranca, maniva de macaxeira e de mandioca, fava, jerimum e melancia, fruteiras como jaca, caju e abacate, manga goiaba e laranja cravo. De tudo tinha um pouco naquela terrinha quilombola. Inhame, cará e batata doce eram seus serviços preferidos, pois em meio ao baixio dos alagados, também plantavam suas verduras e temperos.

Até umas touceiras de bananeiras e cana caiana ela cuidava de plantar. Ela plantava gergelim do preto e do branco, tinha coqueiro anão e gigante e até uns pé de café faziam o acero da mata da Nascente do riacho das pedrinhas. 

Touceiras de agave para sisal e algodão arbóreo figuravam em seu cenário de lembranças e lá eles sabiam fazer cordas e panelas de barro, pois a argila fina das baixadas era de excelente qualidade para as louceiras do lugar. Ela fazia tudo com as mãos e daquele barro mole nascia a sua arte ancestral, pois se lembra que aprendeu com sua bisavó.

Sua máquina velha de costura era manual, mas nas horas vagas e na luz de candeeiro, fazia as costuras dos filhos e da vizinhança. Lapinha, reisado, novenas para São Sebastião e festas juninas sempre pediam um corte de tecido para enfeitar as pastorinhas e moças do povoado. Ela se orgulhava em ver aquele tecido de chitas ganhando forma e se transformando em roupas coloridas.

Ela gostava de manter essas tradições e das festas juninas, eram as que ela mais gostava, em especial dos forró de pé calçada, com a fogueira acesa e a criançada queimando bombril em um cordão, fazia as girandas de fogo e luz que clareava a escuridão das noites frias do brejo.

Numa lateral da casa sempre cuidava de ter umas latadas com uns canteiros de coentro, cebolinha e pimentão e por onde escorria água de sua pia improvisada, escorria água e por lá nascia tomateiros e maracujá se estendia por cima das latadas e pelos pés de urucum e feijão guandu do oitão da casa. 

Até os mamoeiros e limoeiros ficavam cobertos pelas ramagens de maracujá. O cheiro das flores atraia as abelhas jataí, uruçu e até as abelhas africanas apareciam para colher o néctar das flores de suas plantações.

Isso agora era tudo lembranças dos tempos de juventude, de moça formosa e mulher trabalhadeira de um tempo farturas que não volta mais. Teve que ir pra cidade pois a cana-de-açúcar tomou conta de tudo, até mesmo nas terras acidentadas do brejo.

Dona Carminha, no elevado dos seus 87 anos de labuta, reclama muito das dores nas costas e do reumatismo, pressão alta, diabetes e colesterol. Ela mesmo se lamenta que hoje em dia parece um poço de doenças. Estava se lembrando que em 2020, a infeliz da COVID-19, quase lhe carregava para as terras do Senhor, mas havia escapado por muito pouco.

Agora não tem muito o que fazer, vive a depender de uma aposentadoria rural e da ajuda dos filhos e dos netos. Aos domingos a casa se enche de gente, as noras, cunhados, as bisnetas e bisnetos sempre aparecem para ouvir suas histórias da roça. 

Lhe ouvindo atentamente, ela segurou em meu braço e disse, "Hoje em dia a minha memória é fraca e o que eu conto é isso, mas sou muito orgulhosa e feliz em ser gente e em saber que deixei muitas sementes plantadas para honra e graça do Senhor". 

Ao acordar, vi que estava sonhando e que, não importa a cor ou credo, mas a fé enquanto esperança de viver. Minha Mãe Divina, minha, Petra Velha veio aos meus aposentos para relembrar que é véspera de Natal. 

*Por Belarmino Mariano. Imagem do autor. Um sonho que dedico a Emilia Moreira e a todas as mulheres que labutam em seus pedaços de chão. Paulo De Luna Freire e seu Sítio Utopia.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

"O Pequeno Príncipe e Clube de Adultos"

Por Belarmino Mariano* 

Sempre achei que "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, fosse um fabuloso tratado poético e filosófico sobre o quão simples é a vida, para perdermos tempo com vaidades ou coisas fúteis do mundo adulto.

Achei que fosse uma fábula sobre a amizade, o amor e o medo de perder as coisas mais importantes e simples do que somos feitos. Mas descobri que é na verdade, se trata de uma história sobre a solidão na qual todos estamos mergulhados, cada qual em seu próprio asteroide de egoísmo.

Essa semana vi um bar de "beiço de estrada", (Rodovia PB-057, Mamanguape/Guarabira), uma casa de luz vermelha na boca de noite e um letreiro reluzente com a seguinte frase: "Clube de Adultos". Na minha época de "pequeno príncipe", esses locais eram chamados de "Cabaré, Puteiro, ou Bordel". Como as coisas mudaram, depois dos celulares, automóveis acessíveis e dos motéis, também à beira de rodagens.

Os críticos literários afirmam que o "Pequeno Príncipe" é um livro com a capa infantil para reflexões da vida adulta. O "Clube de Adultos", me parece uma viagem de adultos pelo deserto da solidão, em busca de aventuras passageiras.

No "Pequeno Príncipe" temos uma rosa, uma raposa, um menino, um aviador e papos estranhos como desenhar um coelho em meio a uma tragédia, um desastre aéreo. Ainda rola um papo de astronauta e asteróide. Pelo menos não nos leva a imaginar que existissem personagens chapados, na areia do deserto, apanhando um táxi para a estação lunar.

No Clube dos adultos, uma vitrola toca músicas de amor e pegação, algo como a "raposa e as uvas", de Reginaldo Rossi, enquanto os lábios das "damas da noite", se enchem de batom vermelho carmim. Homens e mulheres em um clube proibido para menores de 18 anos, pelo menos é o que diz a placa iluminada em luz neon.

Nesse clube para adultos, talvez não caiba o sentimento de amor e amizade verdadeiros, apelos de "O Pequeno Príncipe", mas, em um jarro no centro da mesa, uma rosa vermelha e de plástico, não esconde a sua vaidade, como se estivesse em seu asteroide B-612. 

Ali predomina uma sensação de abafado e de calor, enquanto bebidas quentes como cachaça, drear, montilla e whisky barato, aquecem o coração frio dos homens sedentos por sexo e as raparigas secas por dinheiro para bancar as suas vidas e o dono do Clube. No mundo proibido dos adultos, o essencial não é invisível aos olhos.

Meu irmão! Que viagem é essa? Tu fumou maconha estragada? Risos, tive que responder que é a mesma viagem que alguns especuladores do suposto cometa interestelar 3I/Atlas, estão fazendo. A teoria da conspiração e da ficção é a mesma e imaginativa fábula dos bordéis, papai Noel, principes encantados e "carona calda de cometa pela via láctea".

*Por Belarmino Mariano. In Anacrônicas. Imagens das redes sociais.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Geopolítica e Soberania da China em "Terras Raras"

Via Blaut Ulian Junior*

Terras raras não são terras e tampouco tão raras: são 17 elementos químicos que passaram a impulsionar a geopolítica e quase todos os setores tecnológicos e energéticos. Produzir e refinar esses elementos é tão importante quanto conhecer onde estão as reservas - e, em ambos os aspectos, a China aparece como protagonista. Um mapa de reservas produzido pela Visual Capitalist com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mostra a vantagem chinesa: estimativas apontam 44 milhões de toneladas métricas para a China, 21 milhões para o Brasil e 6,9 milhões para a Índia.

Outros países com mais de um milhão de toneladas incluem Austrália (5,7 milhões), Rússia (3,8 milhões), Vietnã (3,5 milhões), Estados Unidos (1,9 milhão) e Groenlândia (1,5 milhão). No total, o planeta teria cerca de 92 milhões de toneladas métricas, com a China detendo aproximadamente metade. As terras raras estão em praticamente tudo - de peças em smartphones e ímãs de fones a telescópios espaciais, tecnologia aeroespacial, radares militares e armamentos avançados - e são essenciais para baterias de veículos elétricos, acumuladores para fontes renováveis e componentes internos de painéis solares e turbinas eólicas.

Porém, esses elementos aparecem combinados a outros minerais e exigem refino custoso e altamente poluente. Com regras ambientais mais rígidas no Ocidente, grande parte do refino foi terceirizada para a China, que por anos teve normas mais permissivas (embora isso esteja mudando). Donald Trump impôs tarifas que demonstraram como a China pôde tirar vantagem dessa posição; em resposta a tarifas, Pequim restringiu fornecimento de metais essenciais ao Ocidente. Por anos, o Ocidente financiou sua própria vulnerabilidade - até minas ocidentais, como a Mountain Pass, enviavam minério para refino na China.

Interrupções na cadeia já afetaram a indústria: a Suzuki parou a produção do Swift por falta de componentes, montadoras europeias relataram dificuldades e projetos como os robôs de Elon Musk enfrentam problemas de custo e disponibilidade. Em reação, países ocidentais buscam novos depósitos - com descobertas promissoras na Espanha, Noruega, Groenlândia e Japão - e estudam retomar a produção local, enfrentando desafios técnicos e limitações impostas por metas de emissões. Na Espanha, vários projetos enfrentam resistência local, como o caso de Torrenueva, no Campo de Montiel.

Muitos esforços priorizam a reciclagem de terras raras; a planta de Serra Verde, por exemplo, vende sua produção exclusivamente à China até 2027. Donald Trump é o atual presidente dos EUA.

*Fonte - https://www.facebook.com/share/1Gdxs1kxuc/

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Astronauta Ron Garan afirma que a humanidade está “vivendo uma mentira”

Via Maria Cristina Simões.

O astronauta da NASA Ron Garan, que passou 178 dias no espaço e deu mais de 2.800 voltas ao redor da Terra 🌎✨, afirma que a humanidade está “vivendo uma mentira” depois de testemunhar, com os próprios olhos, a fragilidade do nosso planeta e experimentar de forma profunda o poderoso Efeito Perspectiva — também conhecido como Overview Effect, um fenômeno emocional e cognitivo que transforma a maneira como muitos astronautas enxergam a vida e o mundo após verem a Terra do espaço.

Lá de cima, sem fronteiras, sem muros e sem barulho político, Garan percebeu o quão invertidas estão nossas prioridades como civilização. Ele conta que ao observar aquela fina camada azul envolvendo o planeta — uma atmosfera tão delicada que parece quase pintada — ficou claro que estamos colocando tudo na ordem errada: colocamos a economia em primeiro lugar, depois pensamos na sociedade e só por último lembramos do planeta 🌬️💔. Para ele, isso é uma falha gigantesca. A verdadeira ordem deveria ser justamente o contrário: Planeta → Sociedade → Economia, porque sem uma Terra saudável, não existe vida, não existe comunidade, não existe sistema financeiro que se sustente.

Quando diz que estamos “vivendo uma mentira”, Garan se refere à ilusão da separação — essa crença de que somos divididos por países, bandeiras, religiões, ideologias, times, fronteiras e muros imaginários. De cima, nada disso existe. Não há linhas dividindo continentes, não há inimigos, não há “nós contra eles”. O que há é apenas uma grande família humana compartilhando o mesmo e único lar possível 🫂💙.

Ele relata que, ao ver tempestades gigantes, florestas inteiras, oceanos brilhando e cidades piscando como pequenos pontos de luz, percebeu que tudo está interligado. As decisões de um lugar afetam o mundo inteiro. E a fragilidade da atmosfera — nossa única proteção contra o vazio mortal do espaço — mostra o quanto estamos brincando com o próprio futuro ao destruir ecossistemas, poluir e ignorar sinais cada vez mais claros de colapso ambiental ⚠️🔥.

A mensagem de Ron Garan é um alerta urgente, quase um pedido de socorro: precisamos acordar, repensar nossas prioridades e agir com mais união, consciência e sustentabilidade. Para ele, só quando entendermos de verdade que estamos todos no mesmo planeta-nave, viajando juntos pelo universo, é que teremos chance de garantir um futuro seguro e digno para as próximas gerações 🌍🚀💫.

#explorar #reels #fblifestyle
Fonte:  https://www.facebook.com/share/1C4dgMiKfb/