Estamos diante de um mundo ocidental que em milhares de anos alimenta ódios, tensões, conflitos e guerras, em muitos casos, alimentados por ideologias e dogmas religiosos. O Catolicismo romano, o cristianismo ortodoxo, o cristianismo protestante, o judaísmo e o islamismo vivem em guerras seculares, mas todos acreditam na volta de um messias que colocará ordem nesse mundo caótico.
As religiões, congregações e seitas religiosas se estruturam em dogmas e doutrinas e para o cristianismo, existe uma doutrina sobre a volta de Jesus, baseada nas escrituras, aguardada como um evento real. Uma espera que já ultrapassa mais de 5 mil anos no judaísmo e há cerca de 2025 anos no cristianismo, mas com uma data de retorno ainda desconhecida, enfatizando a necessidade de fé e vigilância dos fiéis.
De acordo com (João 14:2-3) Jesus prometeu aos discípulos que voltaria para buscá-los.
De acordo com (Mateus 24:36), Jesus afirmou que ninguém sabe o dia ou a hora, nem os anjos, apenas o Pai.
Essa crença de uma segunda vinda de Jesus é um dos principais fundamentos doutrinários do cristianismo, pois assim como ele foi julgado, condenado à morte por crucificação e descendo a mansão dos mortos, mas ao terceiro dia ressuscitou. Os cristãos crêem que bele voltará para julgar os pecadores, recompensar e levar seus seguidores para a "casa do Pai".
Vejamos que esse retorno de Jesus é um acontecimento esperado ou aguardado para os que têm fé e prontidão espiritual para serem salvos por serem justos.
Em versículos como (Apocalipse 1:7; Mateus 16:27). O evento do retorno de Jesus, "será visível, glorioso, com as nuvens, e todo olho o verá". Também existem relatos sobre os sinais dessa vinda de Jesus como: "guerras, desastres naturais, perseguições e caos generalizado por toda a Terra".
Feitos estes resgates bíblicos, começaram a imaginar que a primeira vinda de Jesus, foi extremamente conturbada. Primeiro, ele nasceu em um berço pobre, em uma manjedoura de capim, em meio a um establo de animais.
Nessa época, os hebreus, judeus ou israelitas também aguardavam a vinda do filho de Deus, que de acordo com relatos da Bíblia (Velho Testamento), seria em um berço de ouro resplandecente, justamente para salvar o povo escolhido por Deus. Mas eles não reconheceram Jesus como esse Messias. Em diferentes trechos do Velho Testamento, iremos encontrar trechos de livros como:
- Isaías (profecias sobre o reinado de paz e o Servo Sofredor em capítulos como 9, 11, 53);
- Zacarias (revelações sobre a primeira e segunda vinda, o Rei que chega montado em um jumento em Zc 9:9);
- Miquéias (nascimento em Belém em Mq 5:2);
- Daniel (as 70 semanas e o "Filho do Homem" em Dn 7:13-14) e;
- Salmos (expectativa da ressurreição em Sl 16:10), que descrevem um líder para restaurar Israel e trazer a redenção, com a expectativa de um rei justo e um reino eterno.
Quem quer que tenha tentado misturar trechos do Velho Testamento, com o Novo Testamento, pode ter feito uma confusão quando a ideia do Messias que viria, faria justiça espiritual e conduziria o mundo a paz e a glória eterna.
Se os Judeus aguardavam a vinda de um Messias, filho de Deus; se Jesus veio e eles não o reconheceram como o verdadeiro messias, passando a lhe tratar como um impostor, um falso profeta, inclusive lhe condenando a morte por crucificação; mesmo que Jesus tenha ressuscitado, qual seria o sentido de ele retornar, não se sabe quando?
Vejam bem, Jesus esteve entre nós, nos ensinou a pescar, fez milagres com vinho, peixe e pão. Fez sermões pesados, ajudou aos doentes, leprosos, cegos, aleijados e prostitutas, protestou contra os vendilhões do Templo e pregou a comunhão, a paz e amor ao próximo, mesmo assim, foi traído, foi ignorado e os líderes religiosos da época pediram a sua crucificação!?
O que Jesus viria fazer aqui mais uma vez? O que mudou, desde que Jesus partiu para a casa do seu pai? Homens em guerra, humanos destruindo a grande criação de Deus, humanos vivendo em pecados carnais e alimentando o ódio e o rancor ao próximo. Será que seria preciso uma nova vinda de Jesus à Terra?
Para concluir essa reflexão, ainda indago uma última coisa. Depois que Jesus partiu, os Judeus continuaram negando que ele fosse o filho de Deus que eles ainda hoje esperam.
Depois que Jesus se foi, grandes impérios continuaram em guerra e o maior deles, o Império Romano, que ajudou na condenação e execução e na morte de Jesus, passou a usar seu nome para justificar mais guerras e mais domínios.
Os Romanos e depois os reinos que se originaram da ordem imperialista romana, por toda a Europa, adoram a religião oficial do Cristianismo Apostólico Romano e através dos seus dogmas e doutrinas, continuaram usando da violência e da força para dominar, escravizar e explorar outros povos.
Em nome de Jesus Cristo, da Santa Igreja e de Deus, massacraram povos inocentes, lhe impuseram a religião cristã, colocaram mulheres e homens nas fogueiras santas da inquisição, torturaram e mataram pessoas em nome de Cristo.
Será que Jesus deveria retornar para tentar salvar alguns desses cristãos? Milhares de guerras foram praticadas pelos cristãos, inclusive dentre eles, pois em diferentes momentos da história, os cristãos se dividiram, em católicos, ortodoxos, luteranos, calvinistas, anglicanos, batistas, metodistas, pentecostais, etc.
E nesse meio tempo, continuaram matando uns aos outros, continuaram escravizando e violentando povos não cristãos. Na Terra Santa de Jerusalém, os judeus, continuam apedrejando cuspindo na cara dos cristãos que visitam a região onde Jesus Nasceu.
A pergunta é simples, o que Jesus viria fazer em meio a tanta intolerância, violência, pecados e muitos casos, praticados e justificados em seu nome? Se ouve um mal entendido na vinda de Jesus, não poderia acontecer o mesmo, caso ele volte?
*Por Belarmino Mariano (Jan/2026 DC). Imagem das redes sociais.