domingo, 28 de dezembro de 2025

Brasil - 578 mil templos e 179 mil Escolas...

Por Wanderson Dutch

É inacreditável saber que neste país, nas favelas, existem mais igrejas do que escolas e hospitais. Não só nas favelas, mas também nas diversas capitais do Brasil. Isso é surreal. E talvez ajude a explicar por que o Brasil é um país tão violento. Historicamente, os países mais religiosos também aparecem entre os mais violentos. Isso não é acaso.

O cristianismo, como um sistema de poder, controle e dominaçao das massas,sempre operou pela culpa, pelo medo, pela hierarquia e pela obediência. Não é só fé. É disciplina social. É controle do corpo, da sexualidade, do pensamento e da política. Quando isso se torna dominante em territórios já atravessados por miséria, abandono estatal e violência estrutural, o resultado é uma população emocionalmente capturada e politicamente desarmada.

Em 2026, esse cenário impõe um desafio direto aos setores progressistas do movimento preto. Não basta produzir crítica. É preciso disputar poder. É preciso eleger pessoas comprometidas com educação pública forte, combate à violência policial, políticas de renda, moradia, saúde, cultura e justiça racial concreta. Sem isso, a engrenagem segue funcionando exatamente como foi desenhada.

A extrema direita entendeu cedo que política se faz com base, território, linguagem simples e presença constante. O campo progressista ainda fala muito para dentro e pouco para fora. Sem organização popular e disputa institucional, não há mudança possível.

2026 não é só uma eleição. É uma escolha entre continuar reproduzindo fé como anestesia social ou construir direitos como base de um país menos violento, menos desigual e mais digno.

Feliz 2026, gente!!.

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

"Isso é o que eu ainda me lembro"

Por Belarmino Mariano*

Seu nome de batismo é Maria do Carmo dos Santos, Dona Carminha para os íntimos e DoCarmo para os de fora da casa. Ela tem um apego muito grande ao Catolicismo Apostólico Romano que é quase inexplicável pelos santos das raízes das matas e das águas sagradas.

Seu maior apego era com o menino Jesus, talvez explicado pela reza que aprendeu sobre o "Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador". E nas horas de pensar imaginava porque aquele danadinho não era pretinho igualzinho a ela? 

Mas sempre lembrava das coisas dos milagres, da Santa Maria que foi acordada no meio da noite, por um Anjo do Senhor e de uma luz angelical das graças de Deus, ficou grávida e teve seu branquinho de olhos azuis. Ela disse que nunca entendeu aquele Jesus branco e de cabelos sedosos e loiros, mas assim ele era pintado.

Sempre gosta de vestir sua roupa branca com detalhes em azul, colocar seu lenço na cabeça e assistir às missas matinais de domingo, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem. Mesmo com dificuldades sobe os degraus com a ajuda de Ingrid, sua neta e companheira de todas as horas. Sempre leva um trocado para a "caixa das almas" e as oferendas ao altar do senhor crucificado.

Dona Carminha já é uma mulher velha e calejada pelo tempo e pelo trabalho duro, só saiu da roça quando já estava beirando os 65 anos de idade. Era mulher de cabo de enxada, enxadão, foice e machado. Limpava mato, arrancava toco e fazia coivara para esperar as chuvas e fazer a plantação.

Ele disse que uma das suas melhores lembranças era ir ao roçado em época de chuva fina para apanhar uma bacia de feijão de corda e um jerimum caboclo para almoçar com uma galinha de capoeira. Debulhar aquele feijão e colher o coentro e as outras verduras não tinha preço para ela.

De dentro da sua casinha de tijolos batidos, sentia muita falta do fogão de lenha, do seu moinho, pilão e da sua tábua acima da mesa da cozinha, presa com arames nos caibros da casa. Lá ela guardava caldeirão de coalhada, queijo de coalho, de manteiga e carne de sol, charque e defumados. 

Seus bichos eram como filhos. Criados em chiqueiros de galinhas, de porco, suas cabras e duas vaquinhas pé duro. Era um trabalho extra, mas gratificante, pois sempre tinha leite, ovos e vez ou outra, carne para o almoço do domingo. Criar animais sempre foi do seu agrado, nunca viu isso como serviço pesado.

De tudo ela sabia plantar, feijão de corda, feijão de arranca, maniva de macaxeira e de mandioca, fava, jerimum e melancia, fruteiras como jaca, caju e abacate, manga goiaba e laranja cravo. De tudo tinha um pouco naquela terrinha quilombola. Inhame, cará e batata doce eram seus serviços preferidos, pois em meio ao baixio dos alagados, também plantavam suas verduras e temperos.

Até umas touceiras de bananeiras e cana caiana ela cuidava de plantar. Ela plantava gergelim do preto e do branco, tinha coqueiro anão e gigante e até uns pé de café faziam o acero da mata da Nascente do riacho das pedrinhas. 

Touceiras de agave para sisal e algodão arbóreo figuravam em seu cenário de lembranças e lá eles sabiam fazer cordas e panelas de barro, pois a argila fina das baixadas era de excelente qualidade para as louceiras do lugar. Ela fazia tudo com as mãos e daquele barro mole nascia a sua arte ancestral, pois se lembra que aprendeu com sua bisavó.

Sua máquina velha de costura era manual, mas nas horas vagas e na luz de candeeiro, fazia as costuras dos filhos e da vizinhança. Lapinha, reisado, novenas para São Sebastião e festas juninas sempre pediam um corte de tecido para enfeitar as pastorinhas e moças do povoado. Ela se orgulhava em ver aquele tecido de chitas ganhando forma e se transformando em roupas coloridas.

Ela gostava de manter essas tradições e das festas juninas, eram as que ela mais gostava, em especial dos forró de pé calçada, com a fogueira acesa e a criançada queimando bombril em um cordão, fazia as girandas de fogo e luz que clareava a escuridão das noites frias do brejo.

Numa lateral da casa sempre cuidava de ter umas latadas com uns canteiros de coentro, cebolinha e pimentão e por onde escorria água de sua pia improvisada, escorria água e por lá nascia tomateiros e maracujá se estendia por cima das latadas e pelos pés de urucum e feijão guandu do oitão da casa. 

Até os mamoeiros e limoeiros ficavam cobertos pelas ramagens de maracujá. O cheiro das flores atraia as abelhas jataí, uruçu e até as abelhas africanas apareciam para colher o néctar das flores de suas plantações.

Isso agora era tudo lembranças dos tempos de juventude, de moça formosa e mulher trabalhadeira de um tempo farturas que não volta mais. Teve que ir pra cidade pois a cana-de-açúcar tomou conta de tudo, até mesmo nas terras acidentadas do brejo.

Dona Carminha, no elevado dos seus 87 anos de labuta, reclama muito das dores nas costas e do reumatismo, pressão alta, diabetes e colesterol. Ela mesmo se lamenta que hoje em dia parece um poço de doenças. Estava se lembrando que em 2020, a infeliz da COVID-19, quase lhe carregava para as terras do Senhor, mas havia escapado por muito pouco.

Agora não tem muito o que fazer, vive a depender de uma aposentadoria rural e da ajuda dos filhos e dos netos. Aos domingos a casa se enche de gente, as noras, cunhados, as bisnetas e bisnetos sempre aparecem para ouvir suas histórias da roça. 

Lhe ouvindo atentamente, ela segurou em meu braço e disse, "Hoje em dia a minha memória é fraca e o que eu conto é isso, mas sou muito orgulhosa e feliz em ser gente e em saber que deixei muitas sementes plantadas para honra e graça do Senhor". 

Ao acordar, vi que estava sonhando e que, não importa a cor ou credo, mas a fé enquanto esperança de viver. Minha Mãe Divina, minha, Petra Velha veio aos meus aposentos para relembrar que é véspera de Natal. 

*Por Belarmino Mariano. Imagem do autor. Um sonho que dedico a Emilia Moreira e a todas as mulheres que labutam em seus pedaços de chão. Paulo De Luna Freire e seu Sítio Utopia.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

"O Pequeno Príncipe e Clube de Adultos"

Por Belarmino Mariano* 

Sempre achei que "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, fosse um fabuloso tratado poético e filosófico sobre o quão simples é a vida, para perdermos tempo com vaidades ou coisas fúteis do mundo adulto.

Achei que fosse uma fábula sobre a amizade, o amor e o medo de perder as coisas mais importantes e simples do que somos feitos. Mas descobri que é na verdade, se trata de uma história sobre a solidão na qual todos estamos mergulhados, cada qual em seu próprio asteroide de egoísmo.

Essa semana vi um bar de "beiço de estrada", (Rodovia PB-057, Mamanguape/Guarabira), uma casa de luz vermelha na boca de noite e um letreiro reluzente com a seguinte frase: "Clube de Adultos". Na minha época de "pequeno príncipe", esses locais eram chamados de "Cabaré, Puteiro, ou Bordel". Como as coisas mudaram, depois dos celulares, automóveis acessíveis e dos motéis, também à beira de rodagens.

Os críticos literários afirmam que o "Pequeno Príncipe" é um livro com a capa infantil para reflexões da vida adulta. O "Clube de Adultos", me parece uma viagem de adultos pelo deserto da solidão, em busca de aventuras passageiras.

No "Pequeno Príncipe" temos uma rosa, uma raposa, um menino, um aviador e papos estranhos como desenhar um coelho em meio a uma tragédia, um desastre aéreo. Ainda rola um papo de astronauta e asteróide. Pelo menos não nos leva a imaginar que existissem personagens chapados, na areia do deserto, apanhando um táxi para a estação lunar.

No Clube dos adultos, uma vitrola toca músicas de amor e pegação, algo como a "raposa e as uvas", de Reginaldo Rossi, enquanto os lábios das "damas da noite", se enchem de batom vermelho carmim. Homens e mulheres em um clube proibido para menores de 18 anos, pelo menos é o que diz a placa iluminada em luz neon.

Nesse clube para adultos, talvez não caiba o sentimento de amor e amizade verdadeiros, apelos de "O Pequeno Príncipe", mas, em um jarro no centro da mesa, uma rosa vermelha e de plástico, não esconde a sua vaidade, como se estivesse em seu asteroide B-612. 

Ali predomina uma sensação de abafado e de calor, enquanto bebidas quentes como cachaça, drear, montilla e whisky barato, aquecem o coração frio dos homens sedentos por sexo e as raparigas secas por dinheiro para bancar as suas vidas e o dono do Clube. No mundo proibido dos adultos, o essencial não é invisível aos olhos.

Meu irmão! Que viagem é essa? Tu fumou maconha estragada? Risos, tive que responder que é a mesma viagem que alguns especuladores do suposto cometa interestelar 3I/Atlas, estão fazendo. A teoria da conspiração e da ficção é a mesma e imaginativa fábula dos bordéis, papai Noel, principes encantados e "carona calda de cometa pela via láctea".

*Por Belarmino Mariano. In Anacrônicas. Imagens das redes sociais.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Geopolítica e Soberania da China em "Terras Raras"

Via Blaut Ulian Junior*

Terras raras não são terras e tampouco tão raras: são 17 elementos químicos que passaram a impulsionar a geopolítica e quase todos os setores tecnológicos e energéticos. Produzir e refinar esses elementos é tão importante quanto conhecer onde estão as reservas - e, em ambos os aspectos, a China aparece como protagonista. Um mapa de reservas produzido pela Visual Capitalist com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mostra a vantagem chinesa: estimativas apontam 44 milhões de toneladas métricas para a China, 21 milhões para o Brasil e 6,9 milhões para a Índia.

Outros países com mais de um milhão de toneladas incluem Austrália (5,7 milhões), Rússia (3,8 milhões), Vietnã (3,5 milhões), Estados Unidos (1,9 milhão) e Groenlândia (1,5 milhão). No total, o planeta teria cerca de 92 milhões de toneladas métricas, com a China detendo aproximadamente metade. As terras raras estão em praticamente tudo - de peças em smartphones e ímãs de fones a telescópios espaciais, tecnologia aeroespacial, radares militares e armamentos avançados - e são essenciais para baterias de veículos elétricos, acumuladores para fontes renováveis e componentes internos de painéis solares e turbinas eólicas.

Porém, esses elementos aparecem combinados a outros minerais e exigem refino custoso e altamente poluente. Com regras ambientais mais rígidas no Ocidente, grande parte do refino foi terceirizada para a China, que por anos teve normas mais permissivas (embora isso esteja mudando). Donald Trump impôs tarifas que demonstraram como a China pôde tirar vantagem dessa posição; em resposta a tarifas, Pequim restringiu fornecimento de metais essenciais ao Ocidente. Por anos, o Ocidente financiou sua própria vulnerabilidade - até minas ocidentais, como a Mountain Pass, enviavam minério para refino na China.

Interrupções na cadeia já afetaram a indústria: a Suzuki parou a produção do Swift por falta de componentes, montadoras europeias relataram dificuldades e projetos como os robôs de Elon Musk enfrentam problemas de custo e disponibilidade. Em reação, países ocidentais buscam novos depósitos - com descobertas promissoras na Espanha, Noruega, Groenlândia e Japão - e estudam retomar a produção local, enfrentando desafios técnicos e limitações impostas por metas de emissões. Na Espanha, vários projetos enfrentam resistência local, como o caso de Torrenueva, no Campo de Montiel.

Muitos esforços priorizam a reciclagem de terras raras; a planta de Serra Verde, por exemplo, vende sua produção exclusivamente à China até 2027. Donald Trump é o atual presidente dos EUA.

*Fonte - https://www.facebook.com/share/1Gdxs1kxuc/

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Astronauta Ron Garan afirma que a humanidade está “vivendo uma mentira”

Via Maria Cristina Simões.

O astronauta da NASA Ron Garan, que passou 178 dias no espaço e deu mais de 2.800 voltas ao redor da Terra 🌎✨, afirma que a humanidade está “vivendo uma mentira” depois de testemunhar, com os próprios olhos, a fragilidade do nosso planeta e experimentar de forma profunda o poderoso Efeito Perspectiva — também conhecido como Overview Effect, um fenômeno emocional e cognitivo que transforma a maneira como muitos astronautas enxergam a vida e o mundo após verem a Terra do espaço.

Lá de cima, sem fronteiras, sem muros e sem barulho político, Garan percebeu o quão invertidas estão nossas prioridades como civilização. Ele conta que ao observar aquela fina camada azul envolvendo o planeta — uma atmosfera tão delicada que parece quase pintada — ficou claro que estamos colocando tudo na ordem errada: colocamos a economia em primeiro lugar, depois pensamos na sociedade e só por último lembramos do planeta 🌬️💔. Para ele, isso é uma falha gigantesca. A verdadeira ordem deveria ser justamente o contrário: Planeta → Sociedade → Economia, porque sem uma Terra saudável, não existe vida, não existe comunidade, não existe sistema financeiro que se sustente.

Quando diz que estamos “vivendo uma mentira”, Garan se refere à ilusão da separação — essa crença de que somos divididos por países, bandeiras, religiões, ideologias, times, fronteiras e muros imaginários. De cima, nada disso existe. Não há linhas dividindo continentes, não há inimigos, não há “nós contra eles”. O que há é apenas uma grande família humana compartilhando o mesmo e único lar possível 🫂💙.

Ele relata que, ao ver tempestades gigantes, florestas inteiras, oceanos brilhando e cidades piscando como pequenos pontos de luz, percebeu que tudo está interligado. As decisões de um lugar afetam o mundo inteiro. E a fragilidade da atmosfera — nossa única proteção contra o vazio mortal do espaço — mostra o quanto estamos brincando com o próprio futuro ao destruir ecossistemas, poluir e ignorar sinais cada vez mais claros de colapso ambiental ⚠️🔥.

A mensagem de Ron Garan é um alerta urgente, quase um pedido de socorro: precisamos acordar, repensar nossas prioridades e agir com mais união, consciência e sustentabilidade. Para ele, só quando entendermos de verdade que estamos todos no mesmo planeta-nave, viajando juntos pelo universo, é que teremos chance de garantir um futuro seguro e digno para as próximas gerações 🌍🚀💫.

#explorar #reels #fblifestyle
Fonte:  https://www.facebook.com/share/1C4dgMiKfb/

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

"O CABARÉ DAS MANGUEIRAS"

Por Cleudimar Ferreira*
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Cabaré das Mangueiras não era e, nunca foi, o letreiro principal em destaque na sua fachada. 
O nome oficial do peixe vendido por Lília era Dallas Motel - escrito em letras grandes, fonte areal, com formato itálico, acrescido de singelo sombreamento, comum em equipamentos desse gênero nos beiços das estradas. 
Eclético, a área de lazer e entretenimento masculino, contava com atração feminina de livre escolha; quartos equipados - adaptados para relaxamento das tenções; serviço de bar completo com música ambientada; pousada multiuso e outros atrativos conforme imaginação do cliente. 
Um espaço que ainda está no subconsciente da população de Cajazeiras. 
Suas lembranças foram regadas até aqui e, o seu crescimento popular entre todos, se tornaram evidentes, através das histórias vividas e, outras, através da oralidade de quem viveu certa vez, o dia a dia desse local. 
Hoje, sua imagem nos remete ao passado, já que as suas ruinas é o que espelha no memento, a razão do que foi e sua função, que perdeu paulatinamente, seus espaços preciosos para as redes sociais, depois do avento da Internet e os aplicativos para smartphones.
Agora não é mais ponto fixo ou via Sedex, é telepaticamente virtual. 
Lembro muito bem, que certa vez a convite de amigos, meu pai foi uma pescaria em um açude que ficava nas imediações dessas instalações e, me levou junto com ele. 
Nem eu, nem ele, sabia que para chegar no local da pescaria teria que passa ao lado da estalagem de Lilia.
Em direção a pescaria, quando íamos passando de lado desse mundo de prazer e amor, um gaiato do grupo sugeriu que parasse no local para tomar uma cervejinha. 
A tenção já foi logo se apoderando de mim. 
Meu pai tentou evitar essa parada, mas a maioria como sempre, é sempre a vencedora.
Paramos no lugar, apoderamos de duas mesas conjugadas.
Logo um grupo de mulheres prestativas e educadas vieram a nós para nos atender
Depois de umas três cervejas, começou o atiramento de alguns do grupo e, as meninas com suas cordialidades naturais de sempre, reciprocamente, deram seus ares das graças, começaram a fazer colo nas coxas de todos que estavam naquela mesa.
Para mim um adolescente, tudo aquilo era estranho e novidade, até que uma veio e sentou no colo de meu pai e começou brincar com meu pai fazendo cafuné na cabeça dela e dando alguns beijos no rosto.
Vige maria, eu saí de perto cheio de remoço e com a consciência pesada
Meu pai ficou encabulado e, aí, a moça deixou o seu colo.
Daí veio a piada: Zé, tu também... para onde vai tem que trazer esse teu filho! 
Meu pai: E eu lá sabia que ia passar no Cabaré de Lilia!
Logo em seguida desfizeram a mesa, pagaram as despesas e, seguimos direto para a tal pecaria.

*cleudimarferreira. Foto: Celismar Alves.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Parte da água da Terra pode ser mais antiga que o próprio Sol

Por Mente de Curioso*

Pesquisas em astroquímica sugerem que uma fração da água presente na Terra e no restante do Sistema Solar pode ter se formado antes mesmo do nascimento do Sol, há mais de 4,6 bilhões de anos. Essa hipótese é sustentada por estudos publicados na revista Nature e por observações de telescópios como o ALMA.

Os cientistas investigam essa origem por meio da análise da razão D/H (deutério/hidrogênio) encontrada na água de meteoritos, cometas e discos protoplanetários. Essa assinatura química mostra que parte da água que hoje existe em planetas, luas e objetos gelados do Sistema Solar tem características compatíveis com a água formada em nuvens interestelares frias, muito antes da formação do Sol.

Embora não exista um consenso sobre a porcentagem exata, estimativas científicas sugerem que uma parcela significativa dessa água pode ter origem pré-solar. Isso significa que parte da água que compõe oceanos, rios e até mesmo a que bebemos não nasceu aqui: ela foi herdada da grande nuvem de gás e poeira que deu origem ao nosso sistema planetário.

Essa descoberta fortalece a ideia de que a água é um composto abundante no cosmos, o que aumenta a possibilidade de ambientes favoráveis à vida em outros sistemas estelares.

#Ciência #Astronomia #Universo #OrigemDaÁgua #PlanetaTerra #Cosmos #ArquivoDoCurioso
Fonte: https://www.facebook.com/share/p/1RdPN1nFmC/

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Memórias de Eliseu sobre os Quatro Elementos

Por Belarmino Mariano*

Desde crianças eles cresceram juntos na periferia favelada de Salvador, Moinho do Tucum. Até foram para a escola, mas estudar que é bom, foi muito pouco. Íam para o colégio em busca da merenda e sempre provocavam confusão com os outros colegas .

Eram quatro moleques de rua, viviam livres e soltos, entre o Mercado Publico do bairro e a feira livre. Entre pedir e fazer pequenos furtos foram crescendo e sendo educados pela vida. Sempre que estavam em perigo, se transformavam em "Pedros Corredores" e disparavam entre becos e ruelas, que nem bala os pegavam.

Eram tão ligados, tão próximos que pareciam irmãos univitelinos. O grude deles era tão grande que o Sr. Chico do Carvão, os comparava com os "quatro elementos": Terra, Fogo, Água e Ar. Quando passavam correndo, ele falava: "Esses meninos são Terra quente!" 

Eram assim, tão misturados que, fizesse chuva ou Sol, trovão e relâmpago, eles continuavam juntos e se protegiam das intempéries da vida. Eram tão unidos que o dava para um dava para todos e enfrentavam qualquer perrengue juntos.

Seus nomes de nascimento eram: Jordão, Raimundo, Eliseu e Baltazar. Mas ninguém sabia quem era quem, pois os nomes eram o que menos importava. Entre pipa, pião, bola de gude, roda de capoeira e carro de mão, foram crescendo e entrando nas guerras de meninos de rua. Eles eram os da rua de cima, pois moravam no ponto culminante do Moinho do Tucum. 

A vista privilegiada aumentava seu poder de domínio territorial. Como eram quatro e sempre estavam juntos, tinham uma força descomunal e se as lutas fossem em campo aberto, enfrentavam dez facilmente. Capoeiristas regionais eram temidos até pelos mestres. Capoeira de rua, com desconhecidos, não era brincadeira para qualquer um.

Os outros moleques do morro, evitavam enfrentamentos e a imposição deles era respeitada e temida. Os "donos das bocas do morro", contavam com eles para os serviços sujos, em troca do vil metal. Entre o levar e o trazer, a cooperação era garantida e a menor idade era uma arma importante para os maiores de idade, a estratégia funcionava como uma luva.

A adolescência e juventude foi marcada pela entrada na organização criminosa e no comando de parte da boca que ligava o Morro ao centro de Salvador. O domínio era absoluto, os cordões de ouro, a grana fácil e as noites na roda de samba, do cabaré e botiquín, até as sextas no terreiro de candomblé eram itinerários certos.

Eles riam e brincavam com a ideia de serem os quatro elementos e nunca sabiam ao certo quem era a Terra, o Fogo, a Água e o Ar. Mas a sua Mãe de Santo, essa sim, sabia com certeza. Esses meninos moleques viraram homens e hoje são velhos guerreiros que, tomaram tento e vivaram comerciantes formais. Eles lembram que nem sabem como escaparam de todos os perigos do mundo, mas a sua Mãe de Santo, sempre soube dos poderes dos seus Orixás.

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes. Crônica para Novembro.

O Buda da Compaixão

Por Belarmino Mariano*

No meio de um lago das montanhas do Himalaia, flutuava uma estátua do Buda da Compaixão em posição de Ioga como se estivesse flutuando em uma flor de lótus.

Era fim de tarde e das montanhas do Oeste o pôr do sol em seu brilho laranja avermelhado com tons dourados também flutuava a sua luz por sobre a água e o Buda. 

Os ventos das montanhas lançavam jatos de ar em diferentes direções e faziam ondulações na superfície do lago, provocando um balé suave e vibrante, como se tirasse som da água fria e da luz solar irradiada por todos os lados.

Na medida em que os ventos tocavam o fino tecido da água, parecia até que a luz tremulava e lentamente, movia o Buda da Compaixão em um suave círculo, que ora tocava a reta de luz, interferindo as particulares e ondas energéticas que tocavam sua pele de madeira e bronze.

Aos poucos, o anel solar foi engolido lentamente pela curvatura da Terra em suas camadas de montanhas pontiagudas. Ao longe, a linha do horizonte virava uma pintura cósmica em tons quentes e suaves. 

Era outono e as cores ocres se misturavam ao vermelho, amarelo e laranja. Nuvens distantes criavam um degradê de cores, até que a ausência de luz gerasse uma escuridão suave, enquanto pingos de estrelas, um a um, ocupassem as trevas do universo.

Agora o lago refletia a escuridão do prelúdio e o vento suave trazia o esfriamento do ambiente suavemente prateado. O Buda da Compaixão contemplava o vazio e o silêncio como se tivesse atingido o Nirvana, em que, matéria e energia era uma só coisa.

Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

A Saga Moleque e o Desafio da Bunda de Tanajura

Por Belarmino Mariano*

"Cai cai tajura que é tempo de gordura! Cai cai tajura que é tempo de gordura!" Essa era a gritaria no meio das ruas de terra batida e dos terrenos baldios da nossa infância nordestina.

Eu tinha uns 12 anos e nunca tinha beijado a boca de uma menina. "A brincadeira de maçã, pêra e salada mista", em que , tínhamos nossos olhos vendados, a gente escolhia as frutas e a salada mista era beijo na boca, maçã abraço e pêra beijo no rosto.

Na casa ao lado da minha, tínhamos cinco amigos, sendo três meninos e duas meninas. Nunca imaginei que no futuro uma delas seria minha namorada. Mas nessa época, Rita de Cássia, com uns 14 anos, fez um grande desafio para os garotos da rua.
Aquele que consegui comer um punhado de bunda de tanajura crua, vai ganhar um beijo na boca e de língua. Aquela garota linda, olhos negros, lábios carnudos, cabelos negros encaracolados e pele cor de canela e jeito de índia era uma deusa dos nossos sonhos adolescentes.

Quando ela disse que tava valendo, saímos feitos doido, gritando e como guerreiros Tapuias: "Cai cai tajura que é tempo de gordura! Cai cai tajura que é tempo de gordura!" Eu não contava história, era uma questão de vida ou morte e Zé de Dona Nicinha, ainda me deu uns empurrões pois era apaixonado por Ritinha. 

O trabalho era simples, pegar as tanajuras, degolar as suas cabeças e asas e ir juntando as bundas das tanajuras na palma da mão. Quando noitei que a mãe já estava cheia, corri para onde as meninas estavam em grande risadeira e mostrei o punhado de bundas de tanajura para que testemunhassem minha coragem.

Naquela hora, criei coragem e coloquei cerca de dez a dose bundas na boca e comecei a mastigar tidas de uma só vez. Is meninos com suas mãos cheias, ficaram me observando, enquanto, meus dentes trituravam aqueles restos de formigas cheias de gordura.

Quando já escorria pelos cantos da boca, aquela manteiga de formiga gelatinosa, abri a boca e engoli tudo, como se tivesse participando de um ritual de masculinidade e bravura . Lambi os beiços e disse, pronto, tarefa cumprida, agora quero o meu beijo.

No mesmo instante, Rita de Cássia disse: "Ecaaaa! Eu que não vou beijar essa boca sebosa!" Ela era um pouco maior e mais forte, mas não contei história, disse que ela fez o desefio, ia ter que cumprir. No mesmo momento parti para cima dela, segurei seu rosto e lhe roubei um beijo, mesmo na boca!!!
Confusão danada, risadas e empurrões. Ela me empurrou, me deu um tapa no rosto e disse com muita raiva: "Seu fresco safado!!!"

Naquele momento, já estava me sentindo na vantagem, pois tinha lhe tacado um beijo, mas chamar um menino de fresco era o prenúncio de uma guerra. Como ela maior e mais forte, paru para um golpe baixo, até demais.

Naquela época, a gente andava no osso, feito cavalo de índio. Ainda não existiam os copos de jorbas. Então a gente andava sem cueca. Com uns calções de elástico e cordão para amarrar. 

Não contei história, entre ouvir o fresco de propagando no ar, enquanto ela cuspia aquela saliva creme de bunda de tanajura, arrastei o calção para baixo e balancei o bilau para ela, dizendo: olha aqui o fresco!!!
Nessa hora, as meninas e os meninos começaram a rir descontrolados. Aquela ação gerou uma revolta e Ritinha colou as duas mãos no rosto e começou a chorar e, aos soluços saiu correndo para casa. As amigas lhe seguiram e, naquele momento entendi que havia pegado pesado.

A confusão chegou aos ouvidos de minha mãe e o cacete comeu no meu lombo. A noitinha, Zé e os outros colegas , chegaram lá em xasa e me disseram que Seu Dunda, pai de Rita, estava querendo me ver. Nessa hora pensei, agora eu me lasquei!?!?

Como já tinha feito a merda, fui lá. Ele estava na varanda e entrei calado e cabisbaixo. Os meninos ficaram no portão e na escuta. Seu Dunda era marceneiro, um homem grande e forte. Rita, sua irmã e seus irmãos estavam na porta, como testemunhas de um crime grave.

Seu Dunda disse: "Mas Belo, fiquei sabendo que você andou mostrando o pinto para Ritinha? O que aconteceu? Eu já estava lascado, então pedi desculpas e contei a minha versão da história: disse que Rita inha feito um desafio para a gente comer as bundas cruas das tanajuras e que iria dá um beijo de língua em quem começe. Aí eu comi, todos viram e ela não cumpriu a promessa. Então em beijei ela a força. Aí ela me chamou de fresco e eu perdi o controle, baixei o calção e mostrei o bilau pra ela.Foi isso que aconteceu.

Seu Dunda se dirigiu para Rita e disse, "Mas Ritinha, você não pode chamar um rapaz de fresco e nem sair por aí oferecendo beijos!". Ele disse, dessa vez vai passar, mas não quero mais saber desse tipo de comportamento! Pedi desculpas mas uma vez e saí mais desconfiado do que cachorro vira-lata e nunca mais quis saber de desafios malucos.

Uns 3 ou 4 anos depois, comecei a namorar com Sueli, sua irmã mais nova, mas foi um namoro escondido, pois fiquei morrendo de medo de Seu Dunda e dos irmãos de Ritinha, pois mesmo me dando razão, poderia ter sido da boca pra fora.
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Por Belarmino Mariano. Imagem Vaqueiro Postou nas Redes Sociais

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Juntando os Cacos

Por Belarmino Mariano*

Isso é apenas memória ruim de passado distante. Lembranças de um raio de luz em um olho 
roxo violeta, explicava a tatuagem de violência no rosto daquela mulher. 

Em seu espírito lilás, exaltava raios violetas e a flor da vida em tons ultravioleta. Enquanto homens brutos praticavam violência, ultra violência até deixar o lençol da cama todo ensanguentado.

Nos escombros de tua poesia crua, restos de tapera, sem portas e janelas. Casebre abandonado à beira da estrada de chão batido. Ali uma tragédia aconteceu e agora em noites de lua cheia é uma tapera assombrada. 

Ruinas da Morada do rio das pedras, nos quintos das secas do Sertão. A morada do velho Argemiro, Maria Eudocia e seus 13 filhos. Agora é lugar nenhum, lembranças perdidas, nas bandas de Angicos, nas gargantas do Velho Chico.

Nas carcaças de tua poesia fúnebre a cabeça de uma vaca enfiada na estaca da porteira do velho curral, assusta a seca e as ventanias de noites de lua cheia.

No oitão da casa em escombros, um Juazeiro velho faz sombra e aninha casacas de couro e outros pássaros do Sertão. Na baixada do rio das pedras não resta mais nada. 

Apenas as ferragens das engrenagens da tua poesia do abandono, as moendas e prensas em profunda oxidação, presas pela entropia, testemunham o fogo morto desse velho engenho de cana-de-açúcar que era fabrica de rapadura aguardente.

Os Netos escutam as histórias de felicidades e de tristezas, onde homens brutos construiram e destruíram suas vidas e amaldiçoaram aquele lugar para a eternidade.

*Por Belarmino Mariano, imagens das redes sociais.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Congreso Brasileiro - Os inimigos do Clima Estão no Poder


Por ClimaInfor*

Em uma manobra macabra e interesseira, o Congresso brasileiro inseriu disfarçadamente emendas que beneficiam usinas a gás e carvão (combustíveis fósseis, energia cara e suja) no projeto de lei que pretende viabilizar a geração de energia eólica no ambiente marinho, as Eólicas Offshore (energia limpa). 

Há duas semanas, parlamentares derrubaram vetos favorecendo pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA), obrigando a contratação da energia dessas usinas.

⚠️A conta de luz dos brasileiros deve subir cerca de 3,5%
💸 São R$ 197 bilhões a mais na conta dos consumidores em 25 anos
📈 Um impacto de até 9% de aumento na conta de famílias de baixa renda
🔥 A ação pressiona para o aumento da inflação
⚡ Risco de acionamento de termelétricas, mais caras e poluentes

Segundo a Frente Nacional dos Consumidores de Energia, a decisão pode ser inconstitucional — e já há ameaça de ação no STF.

👎 A manobra favorece interesses fósseis e joga a conta nas costas da população.

📢 Compartilhe este post para que mais gente saiba quem está travando a transição energética, e cobrando caro por isso. (Para o nosso bolso e para o nosso futuro, insustentável).

Marque-os aqui: @daviacolumbre @hugomottapb @ruicostaoficial

Fonte: Climafor

sábado, 25 de outubro de 2025

VERGONHA Alheia - Não se realizará a entrega do Prêmio Nobel da Paz 2025 a María Corina

Por Opera Mundi*

O Conselho Norueguês da Paz emitiu um comunicado nesta sexta-feira (24/10) informando que não realizará a entrega do Prêmio Nobel da Paz 2025, concedido à líder da oposição e acusada denunciada por várias tentativas de golpe, María Corina Machado.

A organização “decidiu não organizar a tradicional procissão de tochas para o laureado com o Prêmio da Paz deste ano”, informa o documento, detalhando que a decisão foi tomada “após um rigoroso processo de consulta entre nossas 17 organizações membros”.

A organização justificou a medida por não considerar que “a vencedora do Prêmio da Paz deste ano esteja alinhada com os valores do Conselho Norueguês da Paz ou de nossas organizações-membro”, sem mencionar diretamente o nome de Corina.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Quem Foi Melquisedeque?

Por Contato Imediato 

Melquisedeque é um personagem bíblico do livro de Gênesis e antigo rei de Salém (Oriente Médio), que interagiu com Abraão no retorno vitorioso da batalha de Sidim. A história atribui-lhe características sobrehumanas e divinas, demonstrado ser pessoa de enorme valor, que instruiu os povos e lhes deu a civilização.

Melquisedeque é venerado pelo catolicismo, sendo celebrado no dia 26 de agosto na Igreja Católica.
Bíblia.

As raras referências a ele na Bíblia, informam que Melquisedeque foi um sábio rei de uma terra chamada Salém e também sacerdote de Deus (Gênesis 14:18). Além de ter características sobrehumanas e divinas, foi comparado a Jesus, quando Deus diz «Tu (Jesus) és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque.» (Salmo 110:4) e «Homem (Melquisedeque) sem início de dias ou fim de vida, assemelhando-se ao filho de Deus» (Hebreus 7 7:1-3.) 

Segundo o texto do Pentateuco, Melquisedeque foi o rei da cidade de Salém (que significa "paz"), a qual se acredita ter sido a cidade posteriormente conhecida por Jerusalém. 

Melquisedeque teria tido importância no direcionamento de Abraão. Abraão e Melquisedeque seriam, portanto, contemporâneos, de acordo com as narrações bíblicas.

Destaca-se na sua história a ausência de menções (comuns nos registros bíblicos) a seus antepassados. Como se pode interpretar de alguns versos (Hebreus 7:3), Melquisedeque fora um homem sem genealogia, sem filhos ou parentes conhecidos. O lugar onde seu corpo jaz também é ignorado. Estas características, para a teologia, significam que Melquisedeque seria uma figura do próprio Cristo, contudo, não se sabe se isto seria uma espécie de tipologia ou, até mesmo, teofania, que é um termo teológico para quando Deus assume uma forma humana.

Ao nome Melquisedeque pode ainda ser atribuído o significado "Rei de Justiça" em função de ser uma possível junção de mais de uma palavra do idioma hebraico.

Seu nome já foi usado nas denominadas "Índias", que se referiam à atual Etiópia, Índia e Himalaia. Nessas 3 culturas havia referências a um "Rei da Terra", que seria o próprio Melquisedeque.

A associação ou identificação de Melquisedeque com o Messias é anterior ao cristianismo, desenvolvendo-se no messianismo judaico do período do Segundo Templo.

Uma coleção de antigos scripts gnósticos datados do século IV ou anteriores, descobertos em 1945 e conhecidos como a biblioteca de Nag Hammadi, contém um tratado pertencente a Melquisedeque. Aqui é proposto que Melquisedeque é Jesus Cristo. Melquisedeque, como Jesus Cristo, vive, prega, morre e ressuscita, numa perspectiva gnóstica. A Vinda do Filho de Deus Melquisedeque fala de seu retorno para trazer a paz, apoiado por Deus, e ele é um rei-sacerdote que faz justiça.
 
A associação com Cristo é explicitada pelo autor da Epístola aos Hebreus, onde Melquisedeque o "rei da justiça" e "rei da paz" é explicitamente associado ao "sacerdócio eterno" do Filho de Deus. A interpretação cristológica deste personagem do Antigo Testamento sendo uma prefiguração ou protótipo do Cristo variou entre as denominações cristãs. 

Alguns teólogos cristãos acreditam que Melquisedeque teria sido uma aparição do Messias antes de seu nascimento carnal, humano.

No Antigo Testamento há várias menções ao Anjo do SENHOR que muitos acreditam terem sido aparições de Cristo antes de encarnar. No entanto, Melquisedeque poderia ter sido o aspecto terreno da pré-encarnação de Cristo em uma forma corpórea temporária.

Outros teólogos, no entanto, acreditam que Melquisedeque teria sido apenas uma tipologia de Cristo, tratando-se, pois, de um acontecimento ou de um ensinamento que se relaciona com as realizações de Jesus.

Na epístola aos Hebreus, o autor leciona que Melquisedeque não teve nem pai e nem mãe, nem ascendência e nem descendência:
Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou; a quem Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça e depois também é rei de Salém, que é rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo semelhante ao filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. (Hebreus 7:1-3)

*Fonte: https://www.facebook.com/share/p/17WRTUAs8H/

os Furos nas Rochas da Cidade Sagrada de Cusco/Peru.

Por Contato Imediato*

Na cidade de Cusco, Peru, foi descoberta uma rocha de granito com uma perfuração precisa que gerou grande interesse e debate entre os especialistas em arqueologia. A perfuração, que se estima ter cerca de 1.000 a 1.500 anos, mostra um nível de engenharia avançada que desafia as explicações convencionais.

A datação da perfuração é baseada na análise da rocha e na comparação com outras estruturas e artefatos da região, que remontam à época pré-incaica ou incaica. No entanto, a precisão e complexidade da perfuração sugerem que os antigos construtores utilizaram técnicas e métodos que ainda não são totalmente compreendidos.

O que chama a atenção é que essa perfuração foi feita sem o uso de ferramentas modernas como brocas, sugerindo que os antigos construtores utilizaram técnicas e métodos que ainda não são totalmente compreendidos. A precisão e complexidade da perfuração são tais que não podem ser replicadas com as técnicas da época pré-hispânica conhecidas até agora.

Pesquisadores ainda estão procurando respostas sobre como essa façanha foi alcançada e quais métodos os antigos construtores usaram para realizá-la. A descoberta desta rocha de granito com uma perfuração precisa é um lembrete de que ainda há muito a aprender sobre civilizações antigas e suas conquistas tecnológicas.

*Fonte: Contato imediato - https://www.facebook.com/share/p/1CivydeAjg/

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Voyager 1 Completará 50 anos no Espaço

Por Via Láctea e Além 

Pela primeira vez em toda a história da humanidade, um objeto feito pelo homem em breve alcançará um ponto no espaço a um dia-luz da Terra — cerca de 26 bilhões de quilômetros de distância.

Este momento inovador acontecerá em novembro de 2026, e o objeto que fará esta jornada épica é ninguém menos que a Voyager 1 da NASA.

Lançada em 1977, a Voyager 1 navega silenciosamente pelo vazio há quase cinco décadas, carregando consigo o Disco de Ouro — uma mensagem para qualquer vida inteligente que um dia a encontre.

Para colocar em perspectiva: a luz viaja a 300.000 quilômetros por segundo. E esta pequena nave espacial, construída com tecnologia da década de 1970, passou 49 anos cruzando o sistema solar apenas para se igualar ao que a luz faz em um único dia.

🌌 É um lembrete impressionante de quão vasto o espaço realmente é — e de quão longe nosso alcance se tornou.

Agora deixamos a vizinhança.
Fonte: https://www.facebook.com/share/p/1691LiLZvd/

sábado, 18 de outubro de 2025

Uma Onça Pintada ...

Por Belarmino Mariano*

O poeta imerso em um universo de palavras difíceis e rebuscadas, alimentava seus escritos em orações e rimas com tramas inigualáveis. 

Sempre encontrava um paradoxo e um complexo jeito de escrever sobre o tempo e os fenômenos da vida e do amor com o esmero de um carpinteiro que talha perfeições na madeira bruta.

Em sua poesia nada de vulgaridades ou coisas comuns, pois seu apreso era pelo requinte dos encontros e desencontros que a língua portuguesa lhe permitia, sempre em imersão profunda.

A sua poesia usava palavras mágicas e misturavam amor e paixão por entre montanhas e linhas do horizonte, enquanto o sol tingia de amarelo alaranjado um firmamento distante.

Sempre lhe aparecia uma neblina em meio às brumas da manhã, enquanto os pássaros do reino encantado entoavam cantigas celestiais.

Mas lhe faltavam palavras, quando a sua vizinha saia à rua, ainda de manhãzinha, com aquele seu baibidor de oncinha, só para colocar o lixo no gradil e depois varrer a calçada tranquilamente. 

Ali ele se escondia por entre as ramagens do jardim e, como um bom caçador de sonhos, ficava paralisado, em profundo silêncio, a espreita, imaginando coisas e coisas.

Ela era a sua musa inspiradora, uma mulher perfeita, uma mulher provocante, simplesmente uma mulher comum que residia as duas casas além da sua. Era alguém da sua realidade e dos seus contatos visuais.

Mas nunca lhe dirigiu um afago, um olhar provocante, nem mesmo um sorriso maroto. Lhe faltavam palavras-chave para a poesia de um amor de verdade. Lhe faltava coragem para enfrentar aquela onça pintada dos poemas musicados por Alceu Valença.

*Por Belarmino Mariano. Imagem dascredes sociais.

Entre a Existência do Nada e o Niilismo.

Por Belarmino Mariano*

Entre a Existência do Nada e o Niilismo, entre os diferentes princípios filosóficos, os atomistas buscaram a menor particula da matéria, entre eles: Demócrito e Leucipo, filósofos gregos que, se debruçaram sobre a dissolução dos elementos da natureza até a possibilidade de sua menor partícula. 

Então chegaram aos átomos como sendo as menores particulas da matéria. Também chegaram ao espaço como sendo o vazio, onde as moléculas atômicas se movimentam, se agregam e se desagregam, dando estrutura, forma e função aos elementos. 

Foram fundamentais para a Física Quântica e poderemos está chegando a mais profunda teoria do caos e da incerteza que é a ideia de um universo que surgiu do nada, preenchido por gigantescas ondas de materia escura e quase que absolutamente vazia.

O vazio também ganhou o sentido do "Nada". Parmênides pode ser considerado o "filósofo grego do nada". Daí algumas teorias cósmicas e reflexões acerca da ideia do nada e do vazio como um sentido para as coisas.

Em um koan budista ou taoísta nos deparamos com esse fundamento: "Se o nada existe, o que existe onde nada existe"? Vejam que essa indagação é nitidamente, encontrar algo aonde nada existe. Parmênides se debruçou sobre o princípio de que "do nada, nada se faz" (ex, nihilo, nihil fit), algo como, nada pode surgir do nada. 

O filosofo alemão Heidegger, preferiu a busca da experiência a partir da existência, permanência e imanência dos seres e das coisas. Entre o ser e o seu tempo, entre o ser e o estar no mundo. Foi a partir da existência das coisas que se interessou em desvendar a ideia do nada como questão puramente filosófica.

Para Heidegger, reflexões sobre a não existência das coisas era uma ilusão cognitiva que sempre nos levava a lugar nenhum e para ele, o conceito de nada era relativo ou relacionado a ausência de significados ou valores.

Esse debate filosófico entre o que existe e o que não existe, foi travado com muita força ao longo dos séculos XIX e XX e os melhores exemplos são o existencialismo e o niilismo, tendo em Nietzsche a melhor experiência sobre o conceito de "nada" (nihilo, nihil, niilis), em que, a ausência de significado, propósito ou valores intrínsecos, nos permite pensar sobre razões negacionistas ou que só existem na imaginação ilusória da mente humana.

Esse debate profícuo entre Heidegger e Nietzsche, deve ser considerado em meio ao mundo europeu, cheio de conflitos, guerras coloniais, disputas territoriais e expansão do capitalismo industrial de super exploração do proletariado. 

As guerras, a ganância humana, a pobreza extrema de miseráveis que formavam "lumpemproletariado urbano" (desempregados, na extrema pobreza, aos farrapos e sem abrigos), contrastando com a riqueza, o esplendor e o luxo da burguesia e das carcomidas monarquías absolutistas em declínio.

Quando Nietzsche afirmou que "Deus está morto e nós o matamos", criou um gigante vácuo nos valores religiosos e filosóficos ocidentais, pois apontou para ausência absoluta dos mais valiosos sentidos de espiritualidade, um estado de falta de sentido na vida.

Esse mundo caótico e confuso é destruído, pois a não existência de Deus e a destruição de qualquer tipo de esperança em dias melhores, em salvação ou paz de espírito. O niilismo se fortalece quando estamos diante do caos e das incertezas, por isso nos apegamos aos novos messias, aos restos de deuses e mitos que estão completamente fora da realidade.

Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais.

domingo, 12 de outubro de 2025

"Tudo veio da África!"

Por Belarmino Mariano*

Só precisa ouvir a história contada pelos colonizadores. Basta adicionar o paradigma indiciário e nos mínimos detalhes, nos contextos e nos pretextos, nas entrelinhas verás a verdade revelada em cada traço de cultura e de sonhos que foram apagados, a química e a alquimia, o livro dos mortos, a geometria e a geografia, a matemática e a arquitetura, a medicina e a estética, o monoteísmo e o politeísmo, a astronomia e a escrita.

A África para os gregos era a poeira e a areia sem fim. A própria ideia de tempo infindável. A África nada mais era do que o deserto insondável. Mas os gregos só conheceram e dominaram um pedacinho do Nordeste civilizado da África e se apoderaram do que alcançaram e viram. A África Gigante que chegava até o Egito era engolida pelos herdeiros de "Alexandre o Grande", depois pelas suas castas de generais como a dinastia dos Ptolomeus, em mais de 30 gerações, como foram as 19 Cleópatra's, seus antecessores e sucessores.

Foram mais de 2.000 anos no mínimo. Esse foi o tempo necessário para embranquecimento das civilização negra do Egito, tempo mais que suficiente para o apagamento a destruição e vandalização das feições como narinas, orelhas, queixos e frontes das gigantescas estátuas dos verdadeiros criadores da civilização africana.

Os gregos não se aprofundaram na África profunda, pois encontraram muita resistência das outras civilizações, então do Egito dominavam apenas as bordas do Saara, além de ter que lutar contra os árabes, turcos, otomanos, assírios e sumérios. Até que perderam o controle de muitas áreas para os romanos e daí para a frente, dos imperadores romanos até a sua completa decadência e queda, lhes sobraram fragmentos políticos de reinos cristãos obscurantistas que destruíram Alexandria e muitas outras potentosas cidades.

Muitos séculos depois, esses reinos cristãos europeus, navegaram pelo atlântico e foram encurralando outros reinos e civilizações africanas. Tráfico negreiro, comércio humano e imposição violenta de um Deus cruel e um homem pendurado em uma cruz. A violência das correntes, os maus tratos e os povos da África escravizados parecem ser a verdadeira história, mas não é.

Na África banhada pelo oceano Atlântico, foram registrados dezeydevreinos e impérios, onde riqueza naturais como ouro, prata, diamante, bronze e outros minerais e pedrarias ergueram grandes civilizações. 

Os principais destaque foram: oReino de Mali, império de Benin (Nigéria), Império de Gana, Reino do Congo, Reino de Cuxe, Reino da Angola, entre tantos outros povos, reinos e domínios em constantes disputas territoriais étnicas ou alianças tribais.

A África é o grande berço da humanidade e, mesmo com toda a destruição e apagamento dos povos africanos, com a escravização e colonização por dominação, a África continua sendo a origem de tudo o que se considera humanidade civilizada. A África ainda luta pela sua libertação e pela soberania doa seus povos e essa é também a nossa luta, pois somos de origem africana.

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais.
Fonte: História da África que não te contaram. African Drumming.

sábado, 11 de outubro de 2025

Bicho Esquisito e de Pensamentos Estranhos


Por Belarmino Mariano*

Em minhas esquisitices, alimento meus medos e traumas. Como bicho do mato em noite de lua cheia, rondo pensamentos estranhos ao ponto de me desesperar. 

Sou um caçador de ilusões no breu da noite. Enquanto instalo armadilhas de ferro bruto, negros espíritos de homens violentados pela escravidão dos meus antepassados, arrastam suas correntes invisíveis por sobre as pedras no meio do caminho.

São os malunguinhos, os caboclos da mata fechada, tocando o terror nas mentes fracas de homem inseguro. O medo da morte, medo da solidão e muito medo dos atormentados pensamentos de pecado e culpa.

Nessas horas difíceis de um despertador do sonho, faço um pequeno exercício mental de projetar minhas sombras nos outros, só ao ponto de encontrar erro de pensamentos, distorção cognitiva, drama, catástrofe e destruição do aceitável.

Na mente começa a aparecer a longa vivência social, preenchida por rótulos e preconceitos como se fosse uma grande construção de negatividades. Inútil, incompetente, fracassado e imbecil. Esse seu mundo é uma mentira deslavada.

Enquanto vejo realizações positivas, conquistas materiais e, mesmo na dificuldade, o estabelecimento da realidade, a gigantesca manipulação da realidade me deixa em adoecimento mental. Isso vira um efeito borboleta, marcado pelo comportamento de erros mentais e das crenças em falsos profetas e agora, colts de facilidades aparentes.

Cérebro sem razão, sem criticidade e credibilidade de si, segue abalado por diferentes grupos. A autoestima na lata do lixo e tudo se transforma em caos cognitivo e negatividade.

Bicho esquisito que se esqueceu de si mesmo e agora prega irrealidades como de fosse um profeta do caos, creditando ao mundo, seitas e sistemas desumanos.

Bicho bruto de mente fraca, manipulado por interesses ideológicos do mercado e tecnologias da aceitação distópica. Esse é o teu fim, mas antes que acabe e dê cabo desse estrago mental em que se tornou, a corda, acorda!

Sai dessa, vai a praia, faz uma caminhada na mata, cansa teu velho corpo e depois descansa debaixo de uma árvore frondosa. Escuta o barulho do vento, o cantar dos pássaros e o barulho da água do riacho sobre as pedras desequilibradas.

Tira a bicicleta velha do quarto de despejos, limpa esse engenho de metal e borracha, enche os pneus e regula os freios. Coloca graxa na corrente e nos cabos e começa com um pedal curto. Sai da cena urbana e do barulho da cidade e entra em uma estrada barreada e pedala sem saber ao certo para onde estás indo e verás que a brisa, por si só, vai te fazer bem melhor.

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Os Efeitos Cascata, Borboleta e Dominó da Pobreza Urbana

Por Belarmino Mariano*

Confesso que foi difícil escolher um título para essa crônica urbana noturna. Fiquei entre os efeitos cascata, dominó e borboleta. Na verdade eram 20:35 horas e a noite estava em sua Super Lua, em seu periélio (menor distância Terra/Lua/Sol). A imagem é um paradoxo e não tem nenhuma relação com a realidade. 

 Estava caminhando , enquanto ouvia um mix de Zé Ramalho e outros da MPB. Nos primeiros 500 metros de minha caminhada, me deparei com uma família passeando descontraída, enquanto o garotinho com seus dois anos, praticava suas primeiras corridas em terreno irregular, sua irmãzinha corria atrás e, não deu outra, no primeiro tropeço do garoto, ocorreu aquele choque inevitável e os dois, levaram um baque daqueles.

Em passos lentos, vi aquela queda, em quadro a quadro. Enquanto a garotinha levantava chorando e na direção dos pais, o menino ainda atordoado, correu na mesma direção. O choro incontido era acalmado pelos pais e deu para notar que a pintura dos joelhos estava completamente arranhada e as manchas de sangue infantil, indicavam o estrago das primeiras peles de duas vidas infantis.

Segui a caminhada e pensei o quanto a vida é assim mesmo, imprevisível e cheia de baques ou tombos. Na minha frente estavam dois jovens franzinos, entre os 18 e 20 anos de idade. Caminhavam de braços dados e mão na mão. Um par perfeito em meio a uma praça de caminhada, cheia de olhares preconceituosos. Mas eles estavam desafiando estes limites e em meio a homofobia e conservadorismo faziam sua própria história. 

Quando cruzei com eles, cumprimentei-os e pude observar que ambos usavam óculos de grau e despertaram um certo ar de jovens intelectuais, talvez universitários, ou estudantes de cursinho pré-vestibular, que como os Anarquistas do século XIX, acreditavam e defendiam os próprios corpos, o amor libertário.

Ao longo dessa passarela ou passeio público, canteiros com plantas, bancos e muitas árvores violentamente mutiladas por agentes públicos de limpeza urbana. A violência contra as arbóreas lembravam uma batalha sangrenta de motoserra e covardia humana, contra aqueles seres presos as suas próprias raízes.

Essa via pública no centro da cidade, corresponde a cerca de 500 metros e em uma ida e vinda, se percorre em média 1 Km. Minha meta era percorrer 10 voltas e ao final consegui 11. Meta cumprida com sucesso. Por volta da sexta volta, quatro jovens com blusas brancas do curso técnico em infermagem estavam fazendo um lanche de meio de rua, enquanto riam descontraídas e esperavam o micro-ônibus ou transporte escolar.

A mulher do pula pula, incensava o ar com uma panela de pipocas, enquanto três crianças se divertiam em pulos e acrobacias de meninos maluquinhos. Enquanto isso, o cheiro de batatinha frita em óleo hiper saturado também se espalhava pela via pública. 

Casais conversavam em banquinhos enquanto aguardavam que a moça do açaí preparasse seus pedidos dessa delícia da Amazônia. Do outro lado da caminhada, o rapaz dos sanduíches na chapa, fritava ovos com bacon e carne de hambúrguer. O cheiro forte de cebola com as misturas fritas, despertava a freguesia ansiosa. E a mocinha dos churros, mexia no celular e aguardava sua freguesia incerta.

Nos três pontos de moto táxi, cada um com sua TV de rua ligada, esperavam pelos últimos clientes da noite, enquanto discutiam futebol e alguns estavam revoltados com a derrota do Flamengo para Bahia, enquanto outros discutiam o roubo da arbitragem no jogo do São Paulo contra o Palmeiras.

Esses três pontos de moto táxi são reveladores de uma população invisível e maltrapilha que se encosta para assistir alguma programação de TV. São moradores de ruas em farrapos, alguns muito magros e sujos, dão a impressão de famintos e viciados em algum tipo de droga.

É uma imagem recorrente, em um efeito dominó, alguns desses seres humanos em situação de rua, vão até os pontos de lanches, e pedem para as pessoas paguem um sanduíche, outros nem pedem mais, apenas sentam nos bancos e cochilam diante de uma TV velha. Alguns moto taxistas mexem em seus celulares e vez ou outra chega alguém para fazer uma corrida.

No grupo do dominó, velhos discutem quem perdeu ou jogou errado, enquanto uns jogam, outros aguardam suas vezes, então ficam peruando e rindo das burradas, uns dos outros. É um vai e vem danado e aí temos literalmente, o efeito dominó. Esse talvez seja o grupo mais barulhento da praça.

Em um cantinho da via de pedestre, três membros religiosos "Testemunhas de Jeová" distribuem cartilhas sobre a salvação e o retorno de Jeová. Sorridente, cumprimentam os transeuntes enquanto abordam os interessados.

Nesse vai e vem percorri 5,5 Km e como a noite estava fria, nem senti aquele calor típico que 90 minutos de caminhada permite sentir. Depois desse percurso, pude perceber que a nossa vida é um vai e vem danado, mas depois das 23 horas, aqueles moradores de rua e usuários de drogas, humanos iguais a nós, ficarão por ali mesmo, irão se dirigir para os bancos da feira livre ou ficarão em camas de papelão nas marquises de algumas lojas. A pobreza urbana é assustadora e mesmo em cidades pequenas como a nossa, já é possível perceber esse efeito borboleta se repetindo. 

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes.

Che Guevara Vive!

Por Blaut Ulian Junior.

Os últimos momentos do comandante revolucionário Che Guevara q em 9/10/1967 era covardemente metralhado por um militar boliviano a mando da Cia, do Império criminoso dos EUA, das forças extrema-direita do capitalismo fascista.
Morto pelo capital mas sua história passou a ser admirada mundo afora, conquistando corações e mentes. É hoje mais vivo q morto e um líder comunista considerado herói pra milhões, como não queria seus algozes
"Mire bem, atire, irá matar um homem!", disse Che ao seu assassino mijutos antes de ser fuzilado barbaramente. 
Che vive!

O grande líder da Revolução Cubana Fidel Castro, escreveu sobre Che:

"Porque Che reunia, em sua extraordinária personalidade, virtudes que raramente aparecem juntas. Ele descolou como um homem de ação intransponível, mas Che não era apenas um homem de ação insuperável: Che era um homem de pensamento profundo, de inteligência visionária, um homem de profunda cultura. Ou seja, reunia pessoalmente o homem de ideias e o homem de ação.
Mas não que reunisse essa dupla característica de ser homem de ideias, e de ideias profundas, a de ser homem de ação, mas que Che reunia como revolucionário as virtudes que podem ser definidas como a mais cabal expressão das virtudes de um revolucionário: homem íntegro à carta cabal, homem de honestidade suprema, de sinceridade absoluta, homem de vida estoica e espartana, homem a quem praticamente na sua conduta não se consegue encontrar uma única mancha. Constituiu pelas suas virtudes o que pode ser chamado de um verdadeiro modelo de revolucionário.
Costuma, na hora da morte dos homens, fazer discursos, geralmente se destaca virtudes, mas poucas vezes como nesta ocasião se pode dizer com mais justiça, com mais precisão de um homem o que dizemos do Che: Que constituiu um verdadeiro exemplo de virtudes revolucionárias!
Mas além disso acrescentava outra qualidade, que não é uma qualidade do intelecto, que não é a qualidade da vontade, que não é qualidade derivada da experiência, da luta, mas sim uma qualidade do coração, porque era um homem extraordinariamente humano, Extraordináriamente sensível!
É por isso que dizemos, quando pensamos na sua vida, quando pensamos no seu comportamento, que constituiu o caso singular de um homem raríssimo assim que foi capaz de conjugar na sua personalidade não só as características de homem de ação, mas também de homem de pensamento, de homem de imaculadas virtudes revolucionárias e de extraordinária sensibilidade humana, ligadas a um caráter de ferro, a uma vontade de aço, a uma tenacidade indomável.
E por isso ele legou às gerações futuras não só a sua experiência, os seus conhecimentos como soldado de destaque, mas também as obras de sua inteligência. Escrevia com a virtuosidade de um clássico da língua. Suas narrações da guerra são insuperáveis. A profundidade do seu pensamento é incrível. Nunca escreveu sobre nada absolutamente que não o fizesse com extraordinária seriedade, com extraordinária profundidade; e alguns dos seus escritos não duvidamos de que passarão à posteridade como documentos clássicos do pensamento revolucionário.
E assim, como fruto dessa inteligência vigorosa e profunda, nos deixou infinidade de memórias, infinidades de relatos que, sem o seu trabalho, sem o seu esforço, poderiam talvez ser esquecidos para sempre.
Trabalhador infatigável, nos anos que esteve ao serviço da nossa pátria não conheceu um único dia de descanso. Foram muitas as responsabilidades que lhe foram atribuídas: como Presidente do Banco Nacional, como diretor do Conselho de Planejamento, como ministro das Indústrias, como comandante das regiões militares, como chefe de delegações de tipo político, ou de tipo económico, ou de tipo fraternal.
Sua inteligência multifacetada era capaz de empreender com o máximo de segurança qualquer tarefa em qualquer ordem, em qualquer sentido. E assim, ele representou de forma brilhante a nossa pátria em inúmeras conferências internacionais, da mesma forma que dirigiu brilhantemente os soldados no combate, da mesma maneira que foi um modelo de trabalhador na frente de quaisquer das instituições que lhe foram atribuídas , e para ele não teve dias de descanso, para ele não teve horas de descanso! E se olhássemos para as janelas dos escritórios deles, as luzes estavam acesas até altas horas da noite, estudando, ou melhor, trabalhando ou estudando. Porque ele era estudioso de todos os problemas, era um leitor infatigável. Sua sede de abarcar conhecimento humano era praticamente insaciável, e as horas que tirava do sono as dedicava ao estudo; e os dias de repouso os dedicavam ao trabalho voluntário.
Foi ele o inspirador e o máximo impulsionador desse trabalho que hoje é atividade de centenas de milhares de pessoas em todo o país, o impulsionador dessa atividade que cada dia cobra nas massas do nosso povo maior força.
E como revolucionário, como revolucionária comunista, verdadeiramente comunista, tinha uma infinita fé nos valores morais, tinha uma infinidade de fé na consciência dos homens. E devemos dizer que, na sua concepção, viu claramente nas molas morais a alavanca fundamental da construção do comunismo na sociedade humana.
Muita coisa pensou, desenvolveu e escreveu. E há algo que deve ser dito um dia como hoje, e é que os escritos do Che, o pensamento político e revolucionário do Che terão um valor permanente no processo revolucionário cubano e no processo revolucionado na América Latina. E não duvidamos que o valor das suas ideias, das suas ideias tanto como homem de ação, como homem de pensamento, como homem de acrisoladas virtudes morais, como homem de insuperável sensibilidade humana, como homem de conduta irrepreensível, têm e terão um valor universal. "... (Fidel Castro).

Fonte: https://www.facebook.com/share/1A4b2jxVvU/

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Sonho ou déjà vu


Por Belarmino Mariano*

Em nada parecia um sonho, era como se fosse um fragmento existencial fora de contexto temporal em lugar nenhum, uma espécie de 'déjà vu', combinando a vida fora do lugar.

Quando cheguei em casa em uma manhã nublada do final de setembro. Tinha tomado banho e em seu leito, se preparava para almoçar. Cheguei vagarosamente e lhe cumprimentei com um sorriso no rosto e segurando em suas duas mãos com carinho.

Com 91 anos de idade, me observou como se fosse um enigma a decifrar. Quem é? Essa interrogação fez eco no quarto em penumbra. Eu estava com 61 anos e existiam 30 anos nos separando. Esse lapso de existência me confundiu completamente e fiz a mesma pergunta em minha mente.

Parecia um koan budista ecoando em nossas mentes. Não havia consciência declarada e a dúvida ou desespero tomou conta de mim mesmo. O que estava fazendo ali? Quem era aquela pessoa, naquele cenário familiar?

Tudo era puro enigma e suas memórias estavam perdendo vigor e, igual aos refugiados, aquela pessoa enfrentava dificuldades em relembrar nomes, pessoas e lugares. Sua acompanhante explicou que estava tudo bem e que aqueles lapsos de memórias eram comuns.

Lhe perguntei o que eu estava fazendo ali? Quem era? Onde eu estava? A jovem enfermeira me respondeu bem simples. Sou sua primeira neta, ele acordou cedo e contou que havia sonhado com você, vindo lhe visitar só agora. 

Não soube explicar, mas disse que você era um homem confuso, era um péssimo poeta e escrevia textos marginais e repugnantes. Parecia até o profeta Oséas e seus duros versículos contra os próprios judeus em declínio da fé. Disse que estava relembrando dos seus escritos rebeldes sobre a obscuridade e limites do seu tempo.

Suas rugas e sua fisionomia familiar, seu traços e seus olhos castanhos claros e distantes, despertou a minha consciência e acordei como se tivesse feito uma viagem astral de trinta anos. Lembrei de meus dias e acredito ter me encontrado em meu próprio leito de morte.

Por Belarmino Mariano. Imagem do autor.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Amor in Ficção


Por Belarmino Mariano*

Em um piscar de olhos e tudo acabou, mesmo não tendo sido um ponto final e nem a seta exata de uma bússola quabrada em um naufrágio universal. Aqui eu nasci, cresci, me criei e morri. Assim como em uma utopia, lugar nenhum, terra de ninguém. 

Solo e vegetação ressecados, sol castigando e na linha do horizonte o vale das lamentações, como as nove esferas de Dant Halighier delimitam as profundezas da calma, da alma e da alegria. Aqui o sal guarda o sabor; o doce agrada ao paladar; o azedo aumenta a salivação e o apimentado queima e arde como fogo em brasa, mas o que é saborear a vida, sem saber dosar todas essas coisascom o amargo?

O tempo aqui não existe, o que há é ventania e tempestade enfurecidas pelo princípio do caos e incertezas ao acaso. Os deuses estão mortos e o amor é coisa para amadores e lunáticos.

Aqui a vida é assim, sem bagagem e nem peso para carregar.
Se você quiser, me leve, livre e sem peso que lute, pois a vida é assim, meio sem sentido, cheia de subidas e descidas. Maneira, leve e suave, mas, em um piscar de olhos e tudo pode acabar.

Pesada igual pedra de construção, é difícil demais não ter bagagens nessa vida e, em minhas lembranças mais distantes, ainda penso em você. Mas nessa caminhada sigo em silêncio, a vida vai me levando, sem saber aonde vai chegar, como se fosse um navio cheio de crecas, ancorado em destroços de quebra mares.

Um dia desses, fiz as nossas antigas rotas, me olhei por dentro e nos vi desenhando sonhos, fazendo arranjos de incertezas. Foi uma experiência solitária e triste, mas percorri distâncias e senti que viver de ilusões é um destino terrivelmente incerto.

Te olhei cinco passos à frente, tinha soltado tua mão e, enquanto amarrava o cadarço do tênis, você parou e olhou para trás. Ali fiz a besteira de te pedir em amor para sempre. Te assustei muito mais do que podia imaginar e nas profundezas do teu ser, saíste assustada para nunca mais voltar.

Era amor pra dar e sonhar, mas foi tudo um mau entendido, pois aquela aliança não te servia tanto assim. Afinal de contas, ainda eram frutas verdes e achei que estavam maduras. A pressa foi inimiga ou quem sabe era isso mesmo, te perder e me perder de te encontrar por séculos sem fim.

Esses nossos passos se desencontraram e os sonhos se perderam em meio a fumaça e fuligem da cidade. Até tentei entender, busquei lugares tranquilos, beira de mar, por-do-sol e caminhos de terra, em matas e cachoeiras. 

Eu até te esperei, fiquei horas contemplando paisagens, observando formigas apressadas em trilhas de folhas cortadas para um inverno seguro, enquanto uma tempestade se desenhava naquela manhã de setembro. Era um exército de saúvas, muitas e disciplinadas e juro que me vi naquela pequenez de corpos instintivos e frenéticos.

Quando parava, via o mundo balançando em nuvens passageiras. Via o gavião sobrevoando a copa das árvores e ouvia o barulho da água em corredeiras, nas pedras da cachoeira. Era tudo muito natural e eu ali, sem saber o que estava acontecendo comigo. Mergulhei profundamente e chorei por entre as pedras de onde Oxum tomava banho de Sol.

Tudo em vão, tudo sem explicação e como não fazer plenamente aquilo que parecia certeza absoluta. O que ainda me machucava era lembrar de te ver chorando, por não saber o que sentias. Isso ainda me assombra, pois sentimentos e emoções racionalizados, fodem com a gente.

Esse teu cristianismo tosco e tuas verdades arcaicas conseguiram destruir qualquer chama de possibilidades. O mundo ficou grande demais e mesmo respirando fundo, ficamos sem ar e mesmo assim, ainda não sabemos o que aconteceu de fato, pois somos estranhos demais.

O que eu sinto, não sei explicar, não consigo dizer se é amor, paixão ou coisa parecida. Parece arrogância e até ignorância querer negar o que sinto, mas ainda sonho com você. Ainda me perco tentando te encontrar.

Só sei de uma coisa, perder de te ver me deixou desconcertado, me tirou do eixo e ainda me sinto jogado contra as cordas nesse ring de relutantes ilusões. Nem posso te pedir para que saia do meu caminho, pois já faz tempo que não cruzo com o teu olhar.

Em meu amarguramento e teimosidades amorosas, vejo a roupa lavada e estendida no varal, em pleno frio de uma manhã nublada, me lembra o quanto ainda sinto a tua falta. A solidão é um reclame constante por você e isso me consome de verdade.

Estou quase me deitando nesse piso frio, só para adoecer de friagem e parar de pensar em você, congelar sentimentos de lembranças e assim morrer de medo em ter te perdido em algum lugar da vida, em algum canto da cidade que já foi toda transfornada.

O meu coração domesticado é prisioneiro dessa gaiola de emoções frágeis e selvagens. Na imensidão dos meus pensamentos você é aquele capinzal dourado a tremular por entre as ventanias de setembro.

Mas fazer o quê, se meu frágil sentimento em te amar, me impede de fazer besteiras. Então vou tomar um café forte e me aquecer só para reviver esse pensamento de sentir saudades em lembranças tuas. Pois como diz o poeta Adeildo Vieira, "amar demais até parece mal, mas nenhum outro mal nos faz tão bem".

*Por Belarmino Mariano. Imagem das redes sociais.

 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Uma Velha Jaqueira


Por Belarmino Mariano*

Nesse mundo raso, qualquer profundidade e reflexo do céu, como se estivesse permanente em um buraco negro. Reflexos cinzas de nuvens carregadas de umidade, refletidas pela luz do Sol, tingidas pela atmosfera nua.

Ao primeiro passo, passo a passo, um lapso tempo e a criança rasga os vazios como se sempre soubesse caminhar sozinha.

No céu da tua boca nua, minha língua é um paraquedas em queda livre para um abismo de emoções e sensações de línguas estranhas e eróticas.

Saí de casa cedo e me perdi nessa caminhada ilógica. Sentei no tronco dessa jaqueira velha e, como um Buda, me encontrei em profundo vazio, lá percebi que nada existia.

*Por Belarmino Mariano Neto.

domingo, 14 de setembro de 2025

Domingo de Aparente Calmaria

Por Belarmino Mariano*

Nesse domingo calmo de setembro, eram 09:13 horas quando saí para caminhar. De minha casa até a pracinha do bairro, percorro cerca de 472 metros de distância. Em meu fone de ouvido, através do Spotify tocava "Preciso me encontrar" (Cartola). O samba de Cartola é calmo como esse domingo de setembro. Aqui nos trópicos nordestinos, o calor e os ventos que varrem setembro, não são tão calmos assim.

Quando estava chegando na pracinha de minhas curtas caminhadas, estava tocando "Como nossos pais" (Belchior). Ali na pracinha entre a Churrascaria improvisada de Esteildo (O Gordo), o Posto de Saúde (UBS) e o local do parquinho das crianças, temos um pequeno percurso em calçadas que dá cerca de 247 metros de caminhada. Geralmente, tenho que dar quatro voltas para fazer 1 km.

No parquinho só estavam presentes, duas crianças e um velho. Era um cenário de manhã de domingo e eles estavam se divertindo nos aparelhos de ginástica. Aquela cena de avô com os netos, combinava com o recado de Belchior. Aquela ideia clássica de que "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais..."

Cumprimentei o trio geracional e pensei no alfa e no omega, na gênese e no apocalipse. Ali estava uma síntese da vida que ecoava em Belchior, mas lembrei da voz de Elis Regina, naquela voz de faca amolada e cortante.

Como a voz, a poesia e as novas invenções dos que cantam sobre gente nova reunida e os nossos corações como feridas abertas no peito. Seja na voz de Belchior ou Elis, "Você pode até dizer, que eu 'to por fora / Ou então que eu tô inventando / Mas é você que ama o passado e que não vê / É você que ama o passado e que não vê / Que o novo sempre vem (...)"

Que música forte, sentimentos de verdade, sobre uma nova consciência, medos, angústias e dores, do que estamos vivendo nesse momento tão difícil, em que "eles queriam virar a mesa e voltar com uma ditadura, enquanto nós só queríamos virar a página". Por isso, enquanto caminho com a meta de uns cinco quilômetros, quero nesse pequeno artigo, trazer esse poema de Belchior na íntegra, pois os perigos ainda estão nas esquinas: 

"Não quero lhe falar / Meu grande amor / Das coisas que aprendi nos discos / Quero lhe contar como eu vivi / tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar / Eu sei que o amor é uma coisa boa / Mas também sei que qualquer canto / É menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem / Há perigo na esquina / Eles venceram e o sinal está fechado prá nós / Que somos jovens
Para abraçar meu irmão e beijar minha menina na rua / É que se fez o meu lábio / O meu braço e a minha voz
Você me pergunta pela minha paixão / Digo que estou encantado como uma nova invenção / Vou ficar nesta cidade não vou voltar pro sertão / Pois vejo vir vindo no vento / O cheiro de nova estação / Eu sinto tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua
Cabelo ao vento /Gente jovem reunida /Na parede da memória esta lembrança é o quadro que dói mais / Minha dor é perceber / Que apesar de termos feito / Tudo, tudo, tudo, tudo que fizemos / Ainda somos os mesmos e vivemos / Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos /E as aparências, as aparências não enganam não /Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém / Você pode até dizer que eu tô por fora / Ou então que eu tô inventando / Mas é você que ama o passado e que não vê /
É você que ama o passado e que não vê / Que o novo sempre vem
E hoje eu sei, eu sei que quem me deu a idéia /De uma nova consciência e juventude / Está em casa guardado por Deus / Contando seus metais / Minha dor é perceber que apesar de termos feito / Tudo, tudo, tudo, tudo que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos / Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais..."

Hoje cedo, antes de sair para caminhar, enquanto tomava o café matutino, via o noticiário e o jornal fala que o ex-presidente, julgado e condenado por tentativa de golpe de Estado e tudo mais, já em prisão domiciliar, estava se dirigindo para um hospital do Distrito Federal para um procedimento clínico, verificar se umas manchas de pele. 

Na porta do hospital, ainda existia uma centena de apoiadores, fazendo registros de imagens dos celulares, enquanto gritavam " mito, mito, mito!" Até parece um cenário de possível tentativa de fuga, pois o hospital é bem próximo da Embaixada dos EUA. Muito estranho que, reapareça em público, mesmo que esteja de tornozeleira.

Enquanto alguns anunciam a morte política de uma organização criminosa liderada pelo ex-presidente, ainda vejo seus tentáculos em cada canto desse país. Confesso que Belchior, continua tão atual, quanto era em 1976, quando lançou "Como nossos pais", em plena Ditadura Militar. 

A nossa ditadura de hoje controla nossas casas eletronicamente, a nova ditadura é global e digital, alimentada por big thecs e por algoritmos muito bem monitorados pela mão invisível do mercado, em http://www.com. extremamente dissimulada e aparentemente neutra e benevolente.
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*Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais. Fonte Original - Blog Carcará Observador.

(Fonte: LyricFind. Compositores: Antonio Carlos Belchior. Letra: Como Nossos Pais. ©Tratore). Imagem Cio/Sardinha.